Fotografia em Palavras

visões sobre a prática fotográfica, por Ivan de Almeida

Uma Busca Fotográfica: Sem Rumo!

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Uma Busca Fotográfica
A Busca Inicial: Sem Rumo!

Primeiro de uma série de artigos sobre as fotos feitas diariamente entre 20 de junho e 19 de julho de 2016.

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Entrada de um prédio-vila na Rua do Catete

Ontem, 19 de julho de 2016, terminei aliviado um ciclo fotográfico que impus a mim mesmo. Pode parecer engraçado ler isso, alguém impor algo a si mesmo uma tarefa com prazo fixo, mas talvez a personalidade seja tão plástica que por vezes preciso impor um prazo, para ter certeza do que será buscado.

Desta vez foram 30 dias de fotografias, todas em Preto e Banco, todas quadradas (acho que houve um dia só perdido), todas com a mesma câmera. A câmera foi uma Panasonic  LX7, sucessora infeliz de outras Panasonic LX que tive, a LX1 e a LX2, esta última quebrada na última viagem que fiz. Caiu no chão de uma geleira em Ushuaia, Argentina, no início deste ano.

Aí, para substituí-la comprei a LX7, e tem algo nela que sinceramente não gosto. A LX2 era honesta, a fotografia era aquela que enquadrávamos. As linhas retas eram maravilhosamente retas graças à lente. Pois bem, a partir de certo modelo, a Panasonic colocou uma lente mais clara porém… um tanto esférica. Esta chega a f/1.4, e tem uma grande angular mais aberta, mas a foto é gerada com alguma esfericidade, e corrigida pelo software interno da câmera ou do Photoshop. Aí que sofrimento! Detesto corrigir fotografias, detesto fotografias corrigidas em sua geometria. E, naturalmente, detesto esta característica da câmera…

Enfim, vamos vivendo, vamos fazendo o que podemos. Mas sinto muita pena da perda da LX2 na geleira de Ushuaia. Câmera honesta.

O CICLO

Pois bem, há um mês, terminando ou quase terminado uma obra aqui em casa, resolvi cumprir esse ciclo: Pelo menos uma fotografia por dia, em Preto e Branco , em RAW (aliás todas as minhas são em RAW), quadrada, já que esta câmera faz fotos quadradas realmente assim limitando o próprio RAW (esta é uma boa qualidade desta câmera).

Em 20 de junho saí com a câmera regulada para PB, pois aí a composição em Preto e Branco ficaria mais clara, e fotografei.

Hoje olhando as fotos do primeiro dia as acho sem graça, comparativamente. Sem rumo. Sem unidade na escolha do tema.

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Galpão na Rua das Laranjeiras onde eram vendidas plantas

Neste primeiro dia saí andando caoticamente, comecei fotografando na Rua do Catete, fotografei um pouco numa transversal e depois fui ao Parque Guinle, com esperanças em relação a fotos figurando partes dos lindos prédios de projeto do Lúcio Costa, um dos grandes arquitetos brasileiros.

Olhando os resultados, não foram os prédios que me seduziram mais. Fora os cantos de construções menos louvadas, mais comuns, porém mais íntimas.

Escolhi para primeira a foto que gostei mais, e as outras aquelas que me interessaram também, ainda hoje.

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Portaria cinquentista

Nesta etapa, o fato da lente curva estragar a foto quando usava os conversores de RAW que mais gosto (perfectRAW é o que mais gosto) e me exigirem uma segunda etapa em que fazia o “serviço” que a Panasonic e o Photoshop escondiam, me aborreceu. Convertia no perfectRAW, gerava uma verdade abaulada e tinha de usar o Photoshop depois para retificar, como a câmera fazia ocultamente. Chato isso. Mais tarde, na série, abandonei o perfectRAW pois o Photoshop resolvia já na conversão, embora continue gostando muito menos da conversão do Photoshop.

De toda forma, após a conversão em cores as fotos eram abertas no DxO Filmpack 3 e nele convertidas em Preto e Branco, em seguida esta convertida era reaberta no Photoshop para reduzi-la ao tamanho para exibição no Facebook e aplicação de sharp. Claro, tudo isso com mais acertos, variáveis conforme a fotografia.

Mas, voltando à questão, pois a busca não era técnica e sim psicológica e estética, esta primeira sessão não teve unidade. Uma coisa estranha, pois em geral minha fotografia tem essa unidade. Porém o início deste ciclo foi assim. Saí, passeei e fotografei, sem uma idéia, sem unidade.

Essas fotos mostram aquilo que gostei mais deste primeiro dia.

O QUE VIRÁ

Obviamente, não serão escritos 30 artigos. Talvez 3, talvez cinco. Mas o início é em si início, é apalpar aquilo que será feito sem saber muito o que será. E foi assim que começou esta série. E é assim que começam os artigos.

Vamos ver se amanhã ou depois.

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Written by Ivan de Almeida

20 de julho de 2016 às 12:36 pm

2 Respostas

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  1. São trabalhosas as etapas do trabalho, incluindo os textos, mas valem a pena!
    Já tinha acompanhado as fotos diárias, agora aguardo os demais textos…

    delcueto

    20 de julho de 2016 at 2:06 pm

    • Obrigado Valéria. Esta etapa agora é da digestão do que fiz -risos.

      Ivan de Almeida

      20 de julho de 2016 at 3:00 pm


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