Fotografia em Palavras

visões sobre a prática fotográfica, por Ivan de Almeida

Ênfase e Estilo

with 2 comments

Ênfase e Estilo

Ivan de Almeida, março de 2016

Nós vemos a nós mesmos ao notarmos o que nos interessa na fotografia, o que fazemos, o que e como enquadramos.

 

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Ontem, conversando na rede com um amigo, ele demonstrou interesse pelas fotografias que faço de pessoas. Paradoxalmente, o tipo de foto que ele faz é mais raro, mais acurado, mais dependente da precisão. A fotografia de pessoas implica em alguma espontaneidade. Ele faz paisagens em geral, com uma abordagem muito interessante onde a paisagem está longe e é vasta, é vazia, é imóvel. É claro, faz também outras coisas, mas o fulcro, o ponto de concentração me parece ser este.

E sou um admirador dessa fotografia. Caramba, é brutalmente boa, torna evidente que aquela produção, na sua abordagem, é uma produção superior e que ali há enorme quantidade de atenção e determinação. A atenção necessária para fazer é imensa. Fico bobo olhando várias de suas fotos.

Conversando comigo na rede, me perguntou sobre retratos, um ramo que faz pouco, e expressou esse fazer pouco como uma obrigação não cumprida, talvez, embora de forma leve e sutil. Fiquei pensando nisso. E pensei, com meus botões, que cada um tem sua produção, sua característica. É como comparar o Ansel Adams e o Cartier-Bresson. Um deles, o Adams, é sublime nas fotos de natureza, nas paisagens, isto lhe custava muito tempo e muita presença nos lugares naturais. Este item é fundamental, a presença em lugares remotos. Já o Bresson fotografava a vida diária, então tinha de estar no mundo comum, nas cidades, nos locais onde a vida humana pudesse ser parte do seu tema.

Com os devidos descontos no meu caso, ele toca na orquestra do Adams, eu toco na beirada da orquestra do Bresson.

Sou incapaz de fazer fotos de paisagens com sua ênfase. Nem me vem na cabeça, posso fazer paisagem, mas na minha há uma inserção, uma presença. Nas dele há algo transcendente, uma beleza pura.

Prefiro admirar. A obra alheia nos abre uma janela da percepção distinta do nosso existir.

 

 

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Written by Ivan de Almeida

9 de março de 2016 às 12:37 pm

2 Respostas

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  1. Eu também fotografo pouco a paisagem.
    Me interesso mais por cenas animadas, retratos, etc.

    peridapituba

    9 de março de 2016 at 1:11 pm

    • Exatamente. Nossa paisagem é mais voltada para ambiente. Cada pessoa tem seu jeito.

      Ivan de Almeida

      9 de março de 2016 at 1:26 pm


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