Fotografia em Palavras

visões sobre a prática fotográfica, por Ivan de Almeida

O Paradoxo da Fotografia Digital em Preto e Branco Parte 2 – A manipulação das cores na Fotografia Digital em Preto e Branco

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O Paradoxo da Fotografia Digital em Preto e Branco
Parte 2 – A manipulação das cores na Fotografia Digital em Preto e Branco

Cada um segundo sua natureza.

Este artigo é uma continuidade do assunto iniciado no artigo O Paradoxo da Fotografia Digital em Preto e Branco, publicado neste blog em novembro de 2010. Pretendia publicar esta contunuação logo depois do outro, porém um blog como esse depende muito de nossos impulsos e vontades momentâneas, de modo que essa continuação acontece quase ano e meio depois do início. Penso ser bastante útil ler a primeira parte, embora o atual artigo tenha certa capacidade de se sustentar sozinho, pois a primeira parte oferece um suporte conceitual e indica uma tendência de interpretação do fenômeno da fotografia em PB digital. parqa ler a primeira parte, clique AQUI.

A primeira parte do artigo sobre fotografia em preto e branco por processo digital terminou com proposta de uma classificação de três atitudes definidoras da abordagem relativa à fotografia PB digital: MIMÉTICA, DESENVOLVIMENTO E NOVOS RUMOS, e foi feita uma indicação sumária quanto ao significado dessa classificação. O presente artigo falará dessas atitudes, dando ênfase às novas possibilidades decorrentes da manipulação das cores como parte do processo de desenvolvimento da fotografia em PB. Ainda que possa inicialmente parecer estranho, isso acrescenta novas possibilidades de desenvolvimento que são tipicamente digitais.

Toda classificação falhará em algum uso, e aqui não se tem a ilusão dessa nossa ser isenta de falhas, e nem sequer de ser possível classificar cada fotografia precisamente em uma das categorias sem isso ser coloca-la em um Leito de Procusto. Tomamos como certo que nenhuma fotografia caberá perfeitamente ajustada em uma dessas categorias, mas ainda assim precisamos usar categorias para falarmos do assunto, para desdobra-lo mostrando diferenças entre as abordagens, mesmo sabendo que no mundo real uma foto real será o resultado de uma mistura dessas atitudes e apenas se poderá dizer haver uma delas dominante.

Então, a primeira coisa a fazer é alertar o leitor para a necessidade de entender essas categorias de forma flexível, considerando-as apenas o suficiente para elas nos ajudarem a examinar o assunto mas sem toma-las como restritivas ou definidoras de forma cabal. Tomando-as rigidamente, logo esbarraremos em seus limites e ficaremos presos em um jogo de contradições e incoerências – inafastáveis – sem aproveitarmos o entendimento geral das possibilidades que elas ajudam a delimitar.

Antes de passarmos às categorizações, é preciso lembrar o artigo anterior quando reconhece ser a fotografia em PB digital a continuidade de uma tradição, isto é, ser continuidade de um processo histórico no qual o passado da atividade –constituído das inúmeras e excelentes fotografias feitas em filme- permanece como referência (referência não é prisão), não para ser copiado, mas porque no estoque de fotografias em PB feitas em película houve o desenvolvimento de uma estética e de uma e isso constituiu nossa cultura visual e esse é o solo para o plantio de novas plantas.

1) A MIMÉTICA

Mimética 1 PB da câmera

Talvez seja a primeira atitude na abordagem da fotografia digital em PB, principalmente para quem vinha de uma experiência anterior com filmes (experiência cada vez mais rara atualmente). O fotógrafo acostumado ao filme deseja, inicialmente, fazer algo semelhante ao que está acostumado, e ao tentar fazer descobre serem bastante diferentes os dois meios: eles respondem diferentemente aos contrastes. Então se lança à procura de soluções prontas, soluções que reproduzam o aspecto da fotografia tradicional de película através do meio digital. Esses fotógrafos de transição têm a seu favor uma memória visual à qual referenciar-se –eles sabem como são as fotos em PB “de verdade”-, e contra si, muitas vezes, mas nem sempre, uma ojeriza ao processo digital que os afasta do entendimento necessário ao desenvolvimento maior de suas fotografias. O resultado pode ser uma insatisfação constante com o processo digital, uma louvação do passado do filme por vezes em tom queixoso, pois comparam seus resultados digitais, baseados em um afastamento tecnológico, com os resultados de uma prática em que se envolveram muito com a tecnologia.

Além desses, há hoje uma maioria de fotógrafos sem qualquer experiência com película PB. Eles também desejam fazer fotografia em PB, mas não tendo a referência de uma memória para lhes orientar, e sendo a fotografia digital por natureza aberta e determinada em grande parte pelas escolhas do tratamento/conversão, mostram grande desorientação quanto ao aspecto final da fotografia a ser buscado. Tal coisa poderia ser suprida pelo treinamento em análise de imagens, treinamento esse onde o fotógrafo aprendesse a distinguir nas fotos a forma como os cinzas e os contrastes acontecem nas fotografias feitas em filme PB, mas esse treinamento analítico é raro, é indisponível como conjunto organizado de informações, e a grande maioria resistiria em adquiri-lo por considerá-lo inefável (chamam-no de “subjetivo”, de “questão de gosto”, etc). De modo geral os fotógrafos resistem ao desenvolvimento analítico de sua prática, e não apenas nesse particular. Parecem acreditar que a análise desencanta a imagem, quando acontece exatamente o contrário.

Mimética 2 - Pluguin Topaz TriX

Uns e outros, experientes em PB e inexperientes, passam a buscar as soluções prontas, plugins, actions, ferramentas prontas –soluções que substituem a análise tonal e o artesanato de preparação de cada foto. Uns porque não conhecem a tecnologia digital suficientemente, outros por falta de referência. Para esses últimos, os plugins simplesmente representam uma resposta à sua desorientação. Usa-se um plugin e pronto, o resultado, supõem-no coerente com a linguagem de PB. Essas ferramentas são muito interessantes, por vezes, com resultados bastante convincentes no sentido da simulação, embora por vezes o resultado tenha certo aspecto de caricatura, de exagero. Mas, sem dúvida, trazem a estética característica dos filmes PB de forma relativamente fácil, tornando-a acessível a muitos. É claro que não funcionam convincentemente sempre.

A MIMÉTICA é a intenção clara desses procedimentos. A foto abaixo foi tratada usando a versão Trial do TOPAZ BW Effects, um pacote de simulação de filmes, PB ou coloridos, usando a opção TriX 400.

Essa atitude mimética pode ser perseguida de forma mais sofisticada, quando menos desnorteada, através do uso de conversões do RAW com sets específicos para PB, ou trabalhar cada foto com filtragem de cores usando ferramentas como o Channel Mixer do Photoshop.

Buscar essa mimética oferece algumas dificuldades em face à peculiar forma de transcrição das luzes no filme PB, quase antagônica àquela da captura digital. A fotografia digital tende a conter demasiados cinzas médios com pouco contraste entre eles. Ela contém mais resolução e menos acutância devido a isso, e, por isso, a simples

abordagem de filtragem de cor nunca é suficiente, sendo necessária a adaptação da curva de contraste geral, grosso modo criando um “ombro” entre as altas luzes e as luzes médias e aumentando a declividade das luzes médias. Mas não existe fórmula única porque simplesmente o filme responde diferentemente do sensor digital. Cada foto precisa de uma preparação diferente. Além disso, os contrastes de vizinhança do filme são muito carcterísticos. Não basta resolver o contraste geral, o filme desenha diferentemente o objeto.

O esforço de mimética pode chegar ao ponto de ser acrescentada à foto digital defeitos típicos do filme como sua granulação, e alguns plugins chegam mesmo a acrescentar arranhados de negativo. A busca de reprodução da aparência do filme faz ser introduzido ruído monocromático simulando a granulação típica dos filmes rápidos ou puxados. E, de fato, essa simulação tem o condão de aproximar o resultado por aumentar os contrastes localizados da fotografia digital, dando impressão de aumento de acutância.

2) DESENVOLVIMENTO COM VARIAÇÕES POR REGIÃO DA FOTO (DODGE&BURN DIGITAL)

Desenvolvimento é a forma como os americanos e outros sempre chamaram a revelação de fotografias e a produção de cópias. A diferença entre as palavras usadas por nós e por eles – a nossa “revelação”, o “desenvolvimento” deles – não é inócua, ao contrário, pois as palavras são indutoras de atitudes. A nossa “revelação” conduz pensar o procedimento como neutro, apenas tornar visível aquilo já determinado na captura (aliás, a palavra “captura” vive no outro lado da moeda “revelação”, há um binômio captura-revelação na qual a revelação é pensada como passiva, ou quase). Já a palavra desenvolvimento subentende atividade criadora continuada, a criação acontecendo tanto no tratamento quanto no disparo.

Durante o longo período em que se usou película, o desenvolvimento das fotografias foi crucial para a obtenção de seu aspecto, para a definição da mensagem, para a dramatização dessa mensagem. Indo desde escolhas planas (isto é, escolhas afetando toda a fotografia) como é a escolha do papel, dos químicos, do filme, dos tempos de revelação e da temperatura dos líquidos, escolhas essas afetando a fotografia quanto a contrastes, intensidade, contrastes de vizinhança, resolução, etc, até escolhas não-planas onde, através de máscaras na feitura da cópia, conseguia-se modificar o balanço dos contrastes e tons entre os elementos da foto.

Ora, junto com a angústia quanto à definição de uma fotografia digital, por ser demasiadamente aberta às escolhas de tratamento como é, veio também a capacidade de se realizar trabalho semelhante ao de laboratoristas exímios usando programas gráficos e computadores domésticos. Livres do medo da ação definitiva, aquela irreversível e monetariamente custosa,  cada fotógrafo pode experimentar, voltar atrás, intensificar, atenuar, manter todas as suas intervenções em uma fotografia em suspenso enquanto busca o melhor balanço delas em função da mensagem visual e simbólica de uma imagem sua.

Dessa maneira, aquilo aqui chamado de desenvolvimento não é algo novo em essência. Mas é algo novo em disponibilidade prática, contudo. Desenvolvimento é usar as facilidades da imagem digital ou digitalizada e usar os programas gráficos para intervir na fotografia, em áreas específicas dela, usando máscaras, buscando em cada parte sua melhor representação. Com os recursos dos programas gráficos isso pode ser feito de forma muito refinada a um custo baixo comparativamente, e o resultado propagar-se-á para todas as cópias feitas, e não a apenas para uma cópia como na fotografia química. Não é uma atitude nova, mas é uma possibilidade nova no grau em que pode ser praticada.

3) NOVAS POSSIBILIDADES A PARTIR DA MANIPULAÇÃO DAS CORES NO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DA FOTOGRAFIA EM PB

Começamos o primeiro artigo falando de um paradoxo, qual seja, o de se buscar fazer fotografia em PB através de um processo onde a captura já nasce colorida. Pela nossa abordagem inicial, mostramos isso sendo contraditório, até certo ponto, com a intenção de fazer um PB. Contudo, posteriormente, tentamos indicar ser a aparência final de uma imagem digital irremediavelmente determinada por escolhas, e assim a escolha pelo Preto e Branco não é mais nem menos válida do que qualquer outra.

Dupla filtragem, vermelho/amarelo. O azul do céu foi filtrado em vermelho, escurecendo, e o restante da foto em amarelo ganhando legibilidade e detalhe.

Mas aí surge algo diferente, algo que provém do fato da imagem ser primariamente colorida. Surge um universo de novas abordagens de tratamento (desenvolvimento) que só são possíveis a partir da imagem ser colorida e dela ser digital. Este trecho deste artigo não pretende fazer disso uma abordagem extensiva, pois há infinitas formas de lidar com o assunto. Contentar-me-ei em exemplificar algumas das abordagens possíveis a partir das cores do arquivo primário.

Por exemplo: Tomemos um arquivo colorido qualquer. Vamos torná-lo PB usando uma das ferramentas mais comuns, o Channel Mixer do Photoshop. Usando essa ferramenta, observamos ela nos disponibilizar vários pontos de partida correspondentes às filtragens da imagem por um filtro qualquer de cor. Podemos filtrar com azul, verde, laranja, vermelho, amarelo ou combinando em doses quaisquer as cores. Fazendo isso, é bastante fácil verificar que os contrastes locais são modificados a cada escolha. Pegando uma fotografia de vegetação, essa fica mais clara usando uma filtragem verde, enquanto o céu fica mais escuro usando uma filtragem vermelha, e assim vai. Como regra geral, a cor complementar ao filtro escurece e a cor próxima a do filtro torna-se mais clara.

Tradicionalmente os filtros coloridos foram usados em filmes PB para produzirem fotografias de um tipo ou de outro. O uso do filtro vermelho não somente aumenta o contraste, mas escurece tudo aquilo que é verde, sua cor complementar, clareando, por outro lado, os tons avermelhados. O uso do filtro verde tem efeito oposto. Porém, como tais opções eram feitas no disparo, elas marcavam definitivamente a fotografia de forma plana, isto é, marcavam toda a fotografia. A escolha feita no disparo tornava-se definitiva para a fotografia, incrustava-se no negativo afetando todas as suas partes.

Ora, agora essa filtragem não é mais feita no disparo, e sim sobre um material –o arquivo digital- que contém as cores e que será modificado pela filtragem. Então, pela primeira vez, uma fotografia pode sofrer um desenvolvimento diferenciado de filtragem em relação aos seus elementos, desenvolvimento que afete apenas uma região cromática dela e não ela toda. Digamos que em uma paisagem o céu seja filtrado em vermelho mas o mato em verde em certos locais, de modo a neles termos desenhos de folhagem. E nessa paisagem um barranco de terra alaranjada seja filtrado em azul para aguçar seu contraste e escurecê-lo. O céu escurecerá como se houvesse polarização, o mato se tornará cheio de desenhos e detalhes, o barranco escurecerá e ficará cheio de contraste. O resultado disso, em PB, poderá ser perfeitamente convincente ao observador, que ignorará essa filtragem localizada, mas será tal que outra forma de fazer não produziria, nem mesmo o dodge&burn localizado.

Ora, através de meios de tratamento que são inerentemente dependentes da natureza digital da fotografia, e, mais ainda, do fato dessa nascer colorida, passamos a dispor de formas de desenvolvimento da imagem em PB que não eram disponíveis (não eram impossíveis completamente, mas não eram também relatados como prática de desenvolvimento) na fotografia em película. Passamos aqui de uma inicial contradição entre a fotografia tradicional em PB e a característica colorida da captura digital para depois termos aproveitamento disso para a obtenção de algo que não poderia nascer da captura em PB simples.

Há inúmeras possibilidades novas fazendo um desenvolvimento prévio das cores antes de convertê-las para PB, através de diversas ferramentas como, por exemplo, ferramentas de saturação. O esquema de filtragem com Channel Mixer é apenas uma exemplificação de que a natureza inerentemente colorida pode propiciar desenvolvimentos novos em PB, mas de forma mais simples se pode mexer na saturação e Hue de cada cor da imagem antes da conversão filtrada, tendo em mente a interação do filtro com a cor transoformada. Basta pensar na complementaridade das cores e deslocar, cada Hue de cada cor para mais perto ou mais longe da complementaridade, ou intensificá-la com saturação, para mudar a forma como aquela região de cor aparecerá no PB..

Ou podemos, ainda, mexer diretamente nos canais primários das cores durante a conversão do RAW, obtendo efeitos a partir daí. O potencial disso é facilmente observável quando colocamos a saturação em zero e mudamos o white balance no conversor de RAW. Nota-se que a fotografia muda em tons e contrastes só com a mudança no WB, mesmo a saída sendo em PB.

Mesmo assim não se deve imaginar estarmos inventando uma nova estética em PB. No fundo, com novos métodos e novas possibilidades, é ainda na estética consolidada que se terá referência para os resultados a serem perseguidos. Os resultados serão julgados bons ou não conforme eles se relacionem com a tradição da linguagem PB – sempre serão uma mimética em termos de linguagem-, mas na verdade a ultrapassarão.

* * * * * * * * * * * * * * * * *

Temos de considerar que o modo digital de fotografar não existe apenas pela criação das câmeras digitais. Essas são um dos elementos de um arcabouço tecnológico de nossa época, um arcabouço maior que constitui um sistema de codificação e comunicação de informações. Independentemente da forma de registro de uma imagem, em filme ou digital, não é imprudente dizer que em algum momento aquela imagem tornar-se-á digital para circular no espaço informacional de nossa época.

Evidentemente a fotografia tradicional em PB continuará existindo por muito tempo, não havendo horizonte para seu fim. Mas tornar-se-á um caso particular da criação fotográfica, não será mais capaz de definir uma estética. Aos poucos, a estética em PB vai tornar-se transicional, vai deslizar para as criações estéticas feitas a partir da tecnologia digital e isso será o seguimento da tradição da fotografia em PB. Uma tradição não é apenas o passado, mas constrói-se com novos eventos que sejam reconhecidos como válidos dentro dela. Não será mais a fotografia feita por métodos tradicionais que comandará a definição da estética, embora o estoque de fotografias feitas no passado, esse sim balizará os desenvolvimentos que serão aceitos como parte da tradição. Como tratamento a manipulação de cores na fotografia digital possibilita refinar as narrativas da fotografia em PB de uma maneira nova e inesperada, embora quando bem feita invisível por natural.

A palavra tradição denota algo que se transporta, ou seja, algo que vai sendo transportado através do tempo, mas bem entendida, a palavra subentende também mudanças através do tempo, mudanças tais que não reneguem as origens, mas que apontem para possibilidades novas, novas formas de fazer, e para uma mudança estética a partir das novas possibilidades, embora, por certo ponto de vista, essa mudança sempre será continuidade.

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10 Respostas

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  1. Ivan, como sempre seus artigos são lições preciosas, adorei.

    abracos
    vilma

    vilmamachado

    6 de março de 2012 at 10:11 am

    • Este tem um viés técnico que até agora o blog não tinha trazido, Vilma. Chegou num ponto em que falar do assunto necessitou disso, achei.
      Abraços

      Ivan de Almeida

      6 de março de 2012 at 11:46 am

  2. Excelente artigo que me ensinou muito, agora que iniciei meu fotoblog a PB. Obrigado por esses ensinamentos. Abraço

    Jorge C. Reis

    6 de março de 2012 at 10:56 am

    • Obrigado, Jorge. Fico feliz quando me dizem que algo escrito aqui foi útil.
      Abraços

      Ivan de Almeida

      6 de março de 2012 at 11:47 am

  3. Parabéns, Ivan! Acompanho seus artigos, que me são muito valiosos! Obrigada

    Stella Couto

    6 de março de 2012 at 12:50 pm

    • Obrigado, Stella.

      Tem sido interessante porque os últimos 4 ou 5 artigos do blog abordam tratamento e linguagem, e nesse chega-se a um detalhe técnico, porque a linguagem é sempre realizada pela técnica.

      Abraços

      Ivan de Almeida

      6 de março de 2012 at 1:40 pm

  4. Grande Ivan,

    Finalmente retomou esse assunto depois de tanto tempo. Li o primeiro na época e reli várias vezes depois. Estava aguardando esse segundo pois a fotografia PB sempre me foi uma paixão à parte na fotografia…

    Acredito que o terceiro abordará a questão da impressão do arquivo PB digital. MInha estética é basicamente em PB e a questão da impressão me interessa muito… Fiz algumas impressões em Labs “genéricos” (a caráter de teste) e sempre foram decepcionantes. A versão digital na tela do computador sempre ficou superior.

    Um forte abraço!

    Rogerio Martins

    6 de março de 2012 at 2:44 pm

    • Rogério;

      Muito obrigado. Esse artigo estava quase escrito desde o fim de 2010. Mas, sei lá, eu olhava para ele e não me convencia, havia falta de um viés forte. Tornava-se descritivo em demasia.

      Mas eu o queria publicar e decidi fazê-lo agora, em março, pois o primeiro fora muito bem recebido pelos amigos. Domingo peguei de novo o que já havia escrito e resolvi encarar. Escrevi a parte final quase toda, mas na segunda de manhã, enquanto tomava banho, veio-me a idéia de enfatizar aquilo que eu falava mas sem a ênfase necessária, isto é, que o fato da natureza da fotografia digital ser em PB cria certas possibilidades de filtragem localizada, ou melhor e mais fácil ainda, filtragem por cor. Ora, isso é diferente do dodge&burn, é algo sutil, que olhando a foto nos provoca até menos sensação de tratamento do que as técnicas de dodge&burn, mas mudam bastante as relações de tons, e principalmente, a capacidade de extrair desenhos da fotografia. A fotografia em PB é um desenho, na maior parte das vezes, e nossa capacidade de apurá-lo sempre é desejada.

      Isso já era parte do artigo como estava parado desde fim de 2010, mas resolvi enfatizar. E outra coisa que me bloqueava era fazer as imagens ilustrativas. Porém, quando a concepção do artigo assentou-se na minha cabeça ontem pela manhã, aí resolvi encarar o tratamento de algumas imagens.

      Bem, o mais legal é que esse tratamento me ensinou sobre ele. Já fiz várias conversões com dupla filtragem antes, há bastante tempo que faço isso e também manipulo as cores para mesmo com uma só filtragem mudar a imagem. mas ontem ao tratar as fotos gostei dos caminhos que encontrei. A foto de início é uma duplamente filtrada e depois tem um pequeno tratamento localizado. Ou seja, as duas coisas.

      A idéia de falar das cópias em PB é mais difícil para mim, porque minha experiência com laborátorio é pequena, algumas poucas vezes há décadas ajudei a ampliar fotos, nunca fiz sozinho e não conheço as relações entre as escolhas e os resultados mais do que teoricamente. Porém tenho um kit de conzas para jato de tinta que resultou muito bem, preciso só comprar papel adequado para ele. Quem sabe depois escrevo sobre isso? Não sei. Não é ainda parte do projeto, embora no final desse artigo, quando falei de um todo tecnológico, senti vontade sim de falar em impressão.

      Grande abraço,
      Ivan

      Ivan de Almeida

      6 de março de 2012 at 2:59 pm

  5. Agora entendi o que é a dupla filtragem… isso, junto com as variações localizadas de contraste, são na minha opinião o que há de mais interessante no PB digital, e são itens subestimados assim como as opções de impressão – que são vastas e que também se dividem entre coisas novas/referências ao analógico.

    Belo artigo, fui reler a primeira parte!

    Abraços!

    Alex Villegas

    10 de março de 2012 at 3:44 pm

    • Pois é, Alex. Chamei assim porque era preciso um nome, não necessáriamente é o melhor nome, mas é descritivo do processo.

      Penso que a fotografia em PB a partir do digital tem um domínio diferente e bastante interessante, e é muito interessante também esse jogo, essa tensão entre o novo domínio e a referência à estética tradicional. Não é preciso escolher, na verdade não há uma escolha e sim um caminho em que se vai modelando o futuro da tradição a partir dos novos domínios mas sem perder a referência.

      Grande abraço,
      ivan

      Ivan de Almeida

      10 de março de 2012 at 5:41 pm


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