Fotografia em Palavras

visões sobre a prática fotográfica, por Ivan de Almeida

Qual é a Idéia?

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Após a última postagem, percebi haver na newsletter Fotografia em Palavras alguns artigos ainda não transcritos para cá, e alguns merecedores de transcrição. Este blog, talvez, aos poucos constitua um ponto de vista, mesmo esse de exposição fragmentária em artigos aparentemente independentes uns dos outros. Então, transcrever para cá os artigos é pertinente no sentido de completar ou desenvolver o mosaico onde, dos cacos somados, Oxalá se possa distinguir uma figura.

Este é um artigo de setembro de 2007, e contém duas partes. Na época fui surpreendido por inúmeras respostas à sua primeira parte e a segunda foi escrita para melhor esclarecer a primeira a partir dos pontos questionados ou percebidos como de maior interesse.

Qual é a Idéia?

Ivan de Almeida, setembro de 2007

Perguntaram-me isso quando mostrei algumas fotos muito simples em um fórum de fotografia na rede. Quem perguntou foi um amigo virtual de algum tempo, e sua pergunta, eu sei, foi parte de um diálogo nosso já antigo, e foi, digamos, uma bola levantada para uma conversa. Mas ainda assim, no primeiro momento a pergunta me surpreendeu… Idéia? Como assim idéia?

 

A pergunta pareceu-me estrangeira, estranha à minha maneira de pensar. Eram fotos de paisagens lá da serra, fotos feitas andando pelas estradinhas de lá, aquelas estradinhas pequenas entre a mata, os pastos e as roças. As fotos eram tão somente fotos disso, e somente pretendiam mostrar isso. Não havia idéia alguma nelas, não obstante não serem snapshots ou fotos ingênuas, ou pelo menos eu não as pretendi fazer assim. Eram compostas com cuidado, tinham uma abordagem estética definida, eram fotometradas com carinho etc. Mas não tinham UMA idéia.

Uma foto precisa de uma idéia? Bem, lá no fundo de tudo há sempre uma idéia, uma maneira de ver, um conjunto de conceitos que de tão assentados parecem naturais, mas não é disso que estou falando aqui. Uma foto precisa de uma idéia explícita? Uma foto precisa de uma idéia diferente?

No texto anterior a esse falo de raspão sobre o assunto das fotografias não ser redutível aos elementos que nela estão figurados. Não ser uma mera soma desses elementos, mas também e talvez principalmente, certas relações entre esses elementos. Se descrevermos uma foto em palavras, podemos descrever tudo e não tocarmos no seu assunto verdadeiro. Ali há uma árvore. Ali há um gramado. Ali há uma pessoa deitada. Ou como na famosa foto do Bresson: ali está deitado um casal na grama e ao fundo há um lago e uma construção à beira d’água. E daí? É isso a foto? O que mais há nessa foto, na pose do casal fotografado -podemos ou não saber que são dois atores de Hollywood-, a nos dar uma sensação de estarmos vendo algo que seria banal não fosse ser extraordinário. Não parece haver nada de mais na foto, e há. O que há na foto não é decomponível na soma dos elementos, é uma relação muito fina entre eles. Outro fotógrafo, outro casal na grama, outro lago e não seríamos tomados pelo espanto e encanto provocado por essa foto. O que a foto relata? Ela diz algo sobre a personalidade deles, sobre a maneira de viver, sobre o papel que encarnam na mídia, e, principalmente diz algo a respeito da visão do fotógrafo desse conjunto, visão que põe em relevo aspectos muito sutis da vida do casal, tão sutis que nem conseguimos descrever em palavras. Mas, seja como for, não há na tal foto uma idéia clara, e sim uma indução sutil e procedente de cada parte da cena e de seu arranjo.

É e não é uma idéia, pois evidentemente o fotógrafo tinha uma idéia (opinião) sobre a vida dos retratados, mas não uma idéia no sentido da foto ser essa idéia. A foto não pode ser resumida à idéia.

Assim, quando vemos pinturas naturalistas paisagem campestre, por exemplo, digamos que do Baptista da Costa, o que há lá? É uma pintura, um retrato de um modo de vida, mas não é uma idéia. Não cabe perguntar ao pintor (se fosse possível perguntar) “Qual a idéia?”. Basta-nos ver a pintura e seus valores formais, descritivos, sentirmos o cálido do sol no campo. Ninguém cobra uma idéia da pintura.

E, se é assim, por que cobrar uma idéia da fotografia? Por que a fotografia, como arte visual, não pode ser tão somente aquilo que ela é, uma descrição da vida, uma espécie de crônica da vida humana ou dos ambientes? De onde vem essa demanda por idéias?

Parece haver duas origens para essa sofreguidão. Uma nobre, outra popular, mas ambas da mesma família. Uma das origens é a arte como foi inaugurada pelo Marcel Duchamps e antecipada pelo Dadaísmo e pelo Surrealismo. Enquanto  um Monet pintava seu jardim e não acrescentava nenhum signo quase verbal ao que pintava, apenas retratava em cores, a pintura surrealista utiliza símbolos quase verbais. O tempo é um relógio, o infinito é um horizonte, o espaço é uma grade cartesiana, etc na pintura do Salvador Dali. O tempo não é o tempo, nem o espaço espaço, duas coisas cuja natureza é completamente misteriosa. O tempo é aquilo que o relógio cria, o espaço a grade matemática que o descreve. O jardim do Monet é tão somente um jardim e tudo o que ele quis foi mostrá-lo na beleza percebida. A pintura do Dali é um livro, é codificada em signos, é lida literalmente. Isto é isto, aquilo é aquilo, isto mais aquilo significam tal coisa (ou dessignificam, por ser Surrealismo). E no caso do Duchamp, a idéia codificada assume o papel de verdadeira matéria da arte. Um mictório é uma fonte. Um jogo de palavras com sinônimos e antônimos emaranhados, mas tudo o que é A Fonte é uma idéia, nada mais que uma idéia. O objeto –o mictório- é banal. Iguais a ele foram feitos milhares e estão espalhados pelos banheiros públicos do mundo. Mas apenas aquele é A Fonte, e tudo o que ele é: é um mictório ressignificado por uma palavra. Depois de Duchamp, com a Arte Conceitual, as Instalações e assemelhados, a idéia tornou-se a matéria prima. Basta a idéia pura.

Mas as idéias não são assim tão abundantes. E não têm a espessura do artesanato, esgotam-se na primeira compreensão. Infelizmente as artes plasticas, ao cumprirem o ideal do Hegel em sua Estética, ou seja, ao transformarem-se em pura idéia, tornaram-se secas e repetitivas. A piada do Duchamp é boa, mas contada mil vezes torna-se enjoativa e nauseante. Poucos sabem recontá-la com graça.

A segunda origem do amor às idéias -a popular- é a publicidade. A publicidade exige idéias. O que é uma idéia publicitária? Uma idéia publicitária é um conjunto de signos muito alinhados, com pouca ambigüidade, com literalidade de interpretação. Ela tem de comunicar algo específico, não deve ser ambígua, ou se for, a ambigüidade deve também ser no máximo dual para jogar uma única mensagem ao observador.

Como na pintura surrealista, a imagem publicitária é recheada de citações literais. Ela oferece idéias sempre, contudo as idéias oferecidas não têm caráter verdadeiro de novidade mas tão somente de pequenos sustos ou surpresas emolduradas. A surpresa publicitária não pode remeter o observador para fora do mundo dos desejos socialmente impartidos, não pode atuar como arte, raptando a atenção do observador para fora do mundo cotidiano. Ela precisa oferecer idéias e sonhos já sonhados, precisa oferecer surpresas confirmadoras, por paradoxal que seja essa expressão. Ela precisa surpreender e ao mesmo tempo trazer o observador para o mundo cotidiano, prendê-lo a ele.

Mas a fotografia mesma, ao escravizar-se à idéia, deixa de ser fotografia em sua plenitude –isto é, uma arte visual autônoma, no dizer do Flavio Damm– e passa a servir a uma outra coisa, a uma comunicação de outra ordem cuja natureza é aparentada com a publicidade. Alguém fotografa (e várias fotos assim já vi na rede) óculos sobre um livro e a luz que passa pelos óculos e a sombra produzida pelo seu aro produzem sobre o livro um desenho em forma de coração. Isto é fotografia? Bem, é feito com fotografia, mas é uma idéia que pode ser literalmente traduzida em palavras, que pode ser delimitada com precisão. Isto-siginfica-isto-que-significa-aquilo. A fotografia aí é apenas um meio. Poderia ser pintado, poderia ser renderizado em 3D com programas gráficos e a idéia, que afinal é a fonte de interesse do quadro, permaneceria.

Mas a fotografia do casal, essa não é assim. Não podemos tirar dela nenhuma idéia, não podemos tirar nada dela que não seja fotografia. E o que for tirado desequilibra o conjunto. Não podemos pintar a cena, não podemos produzir a cena em gesso, nada disso. Tudo o que há é fotografia. Obviamente há uma elaboração, mas não uma idéia.

O mito da idéia denota uma cultura que viciou-se em novidades, que confunde arte com produção de novidades, que substituiu a arte por um entretenimento artístico que precisa, como em um programa de televisão, de uma notícia atrás da outra. As novidades, contudo, não são geradas pela mecânica confirmatória de uma cultura, mas por suas mudanças. Na falta das mudanças, a produção histérica de falsas novidades, de idéias que nada mais são que citações de esquemas verbais repetidos daquela cultura, assume o lugar e tolda a visão do que é na verdade a fotografia; simples e inesgotável depoimento da vida.

PARTE 2

Qual é a Idéia – BIS

Ivan de Almeida, setembro de 2007

Bem, vamos lá, seguindo a conversa.

A Arte, como tal, não é toda manifestação estética visual. A Arte como tal é uma manifestação estética visual que despregou-se do uso decorativo e simbólico e assumiu-se como finalidade. Provavelmente, nesse sentido, as primeiras artes foram a arquitetura a poesia e o teatro, e não é absurdo entender o surgimento da arte visual paradigmática, a pintura, como tendo ocorrido tão somente no final da Idade Média e nas portas do Renascimento. Antes coisas eram pintadas, mas a pintura não era a finalidade de si mesma. O German Bazin advoga exatamente essa tese sobre a pintura, e em sua História da Arte chama os eventos anteriores de Artes Visuais Representativas, mesmo quando pintados. A pintura torna-se tal quando assume sua  problemática, independentemente de onde será aplicada e a que serve.

O Flavio Damm, que cito no artigo inclusive com um link, fala da fotografia como arte visual autônoma, e eu não apenas concordo como apoiei-me nessa feliz formulação para alguns raciocínios. O que significa essa expressão arte visual autônoma? Singnifca uma arte capaz de gerar em seu interior um conjunto recíproco de práticas, temas, assuntos, linguagem, evidentemente sendo influenciada pelas demais artes mas com grau de autonomia que a faz ter uma identidade própria, e não mimetizar outra arte.

Que identidade é essa? Basicamente, a identidade da fotografia, como apontada pelo Barthes está em ser um depoimento sobre um referente. Ela faz do referente transformado pela captura, seu assunto. Não é independente do referente, nem é uma máquina da verdade.

A qualidade da mensagem poética da fotografia é derivada da qualidade da transcrição.  A fotografia é antes de tudo um comentário sobre o referente, podendo ser, no caso da fotografia publicitária, um elogio até (o elogio é um tipo de comentário).

Todas as artes visuais podem servir para expressar idéias. Contudo, quando qualquer das artes SERVE às idéias, ela está a serviço, e o núcleo de interesse não é mais ela e sim a idéia expressa. Quando falo de idéias, falo de explicitações, do oferecimento em um quadro visual de uma mensagem com características de literalidade. Os linguistas, como o Jakobson, entendem que a capacidade de traduzir uma palavra em outra é exatamente o que define o seu significado. Uma idéia traduzida em palavras, tem seu significado altamente verbal. Um significado verbalizado não se pode dizer pertencente a uma arte visual autônoma, ou não seria arte visual.

Advogar a autonomia da fotografia como arte visual implica em reconhecer que quando ela está a serviço de idéias explícitas e verbalizáveis, ela de algum modo está também se afastando de sua autonomia.

Gostaria, para evitar confusão, de deixar aqui bem claro que não estou discutindo se esta ou aquela fotografia é arte. Isso não é meu tema. Discuto sim se esta ou aquela fotografia é verdadeiramente pertencente a um gênero de arte visual chamado Fotografia, ou se são tão somente meios fotográficos a serviço de outras artes visuais ou conceituais. Fazendo um paralelismo, é como compararmos a Pintura com a ilustração. Ambas utilizam-se das mesmas técnicas e muitas vezes exatamente dos mesmos suportes, Porém a pintura é feita para inserir-se no diálogo de uma arte visual autônoma específica, e a ilustração é feita para portar uma determinada idéia a serviço de uma comunicação determinada (verbalmente tradutível). Não estou aqui dizendo que toda pintura é melhor que a melhor ilustração, absolutamente. Há péssimas pinturas, mas que se querem pinturas. E há maravilhosas ilustrações, mas que não são pinturas.

A fotografia portadora de idéias pode ser arte, mas não será “arte fotográfica”. E a fotografia pode pertencer à arte fotográfica e ser ruim. Lá nos idos dos 70’s havia aqui no Rio um salão anual de artes plásticas, o Salão de Verão no MAM. Lembro-me de uma fotografia exposta. Mãos em concha feitas de mármore ou louça branca sobre as quais havia uma gema de ovo sobre fundo preto. Isto é fotografia? Era legal, era visualmente forte, etc. Mas não era fotografia. A fotografia aí era tão somente o suporte. A mesma, mesmíssima idéia poderia ser -e talvez ficasse até mais própria- executada com as tais mãos de louça dentro de uma caixa de acrílico com uma gema de ovo falsa sobre elas. A mensagem feita de signos altamente verbalizáveis (e capazes quase de serem logicamente operados, tal a precisão dos significados) era completamente independente do suporte.

Evidentemente, estamos falando, em todos esses casos, de fenômenos que não permitem traçar uma fronteira nítida entre uma coisa e outra. Eu tenho perfeita consciência disso. Por isso é sempre possível dizer que o esquema proposto não se aplica a este ou aquele caso, e será verdade, provavelmente. Mas isso não deve impedir o esforço analítico nem desvalidá-lo, pois nas coisas humanas e culturais falamos sempre de regiões de maior significação, e não de verdade. A equação proposta é simples: tomando a fotografia como arte visual autônoma, então é conseqüência disso ela gerar dentro de si seus temas e sua tipicidade, a qual é relacionada a um comentário sobre o referente.

Idéias podem ser matéria para muita coisa, e em algum grau podem existir dentro da obra fotográfica. Mas se buscamos na obra fotográfica exclusivamente as idéias, não estamos de verdade observando fotografias, pois não estamos reconhecendo sua autonomia temática e de manifestação e a estamos subordinando a um fator externo.


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Written by Ivan de Almeida

25 de abril de 2010 às 2:50 pm

10 Respostas

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  1. Ivan,

    o artigo é fantástico, parabéns. De fato, hoje em dia os limites estão tão turvos que não encontramos mais, por aí, esse tipo de análise. Há que se tomar cuidado, contudo.

    Acredito que, como disse, não estamos falando de valores absolutos, oposições semânticas, nada assim, na verdade, creio que, mais do que isso, devemos procurar a resposta para se algo é “foto” ou “ideia”, como diz não exatamente no resultado final da fotografia – isso seria simplista, mas sim em como observamos que o autor da foto chegou lá.

    Li um texto de Fayga Ostrower chamado de “construção do olhar” em que ela, em certo momento, demonstra uma diferenciação entre criatividade e construtivismo. Não lembro detalhadamente, mas o primeiro nasce de uma estrutura externa, quase que uma epifania, a segunda se expõe dentro da própria arte como referente, e seu poder de influenciar a percepção do espectador através de diferentes estruturas formais, como faziam notadamente os soviéticos.

    Assumir esse ponto de vista, porém, não significa negar o outro, creio que podem ser potencializados, se a partir da “ideia” haja conhecimento para primeiro uma análise da possível realização desta como fotográfica ( análise do próprio referente), e finalmente com conhecimento formal que permita traduzir e não subordiná-la a uma operação puramente racional (entendendo aqui a arte como uma ferramenta que envolva a mudança na percepção – também e principalmente emocional – do espectador).

    Limitar as duas potencias como opostas significa, além de assumir um peso “ontológico” á foto, obrigá-la a um realismo que pode ser preguiçoso, se trata de um risco. Se a mente humana é grande e faz interrelações, havemos de aproveitá-la, livrando-nos de purismos.

    Acho válido, porém, aceitarmos a vertente do construtivismo principalmente como integradora no próprio fazer fotográfico: ser independente de possíveis dons e “inspirações divinas” ou algo parecido (apesar da inspiração em certos dias existir e sabermos disso) é tomar uma postura ativa frente ao trabalho e forçar-se a estudá-lo como linguagem que o é, de fato.

    um abraço,

    Pedro Freitas

    15 de maio de 2010 at 9:21 pm

    • Ô Pedro…

      Este seu comentário é cheio de vieses, e cada um deles mais interessante que o outro.

      Em primeiro lugar, você faz uma observação interessantíssima, falando de “como o autor chegou lá”. Isso, eu entendi, fala do fato de não ser completamente possível uma foto sem idéia, sempre há uma idéia, qualquer que seja. E há um caminho do autor onde em alguma hora ele vai encontrá-la. Bem sei você ter compreendido que este meu artigo não fala dessas sutilezas da criação, fala, sim, de elgo mais comum, menos refinado: de uma atitude de quase exigir fotos parecendo Cartas Enigmáticas, onde os signos enfileirados funcionam como prosa e não como poesia.

      No caso da citação da Fayga -eu adoraria ler esse texto, mesmo porque a Fayga construiu um pensamento sobre a criação- eu também entendo a aparente dicotomia proposta, mas não vejo assim. Eu mesmo tenho muito de construtivista em mim, e busco saber como as formas jogam conosco, para jogar com elas. E não vejo isso como algo alheio à criatividade, mas sim como ferramentas da criatividade. Não consigo, e digo isso apoiado em uma vida envolvido com atividades criativas, não consigo mesmo dissociar a criação dos processos, e o jogo com a percepção, jogo intentado, quase calculado, principamente consciente, esse jogo é parte do processo. Para mim a instância “inspiração”, cujo significado você aproximou de epifania muito sabiamente, não é antagônica ao jogar o jogo, e nem mesmo às regras do jogo. Inspirado estou quando jogo bem. Mas jogo.

      Há inteira razão em dizer não podermos limitar as duas potências como opostas. Mas é preciso explicitar de que maneira essas potências “dançam” e controem algo em sua dança. Em minha opinião, a poética é sempre dependente da forma, e não tanto do conteúdo da mensagem. Digamos de outra forma: na obra poética, a forma subordina e ressignifica a mensagem, não é a mensagem que manda, embora a mensagem sempre seja o motor da comunicação. Na poesia, a mensagem mesma não se faz poesia senão através da forma, e a forma deforma a mensagem, conforma a mensagem, ressignifica os signos da mensagem. Assim, na fotografia também.

      Então, quando falo da Idéia, falo da narrativa em prosa alinhando signos. E quando aqui falo da ausência de idéia, não é uma ausência verdadeira, pois sempre há uma mensagem, mas sim uma ausência de mando pela idéia.

      Obrigado pela interlocução. Este seu comentário é tão cheio de coisas que não é possível esgotar em uma resposta.

      Abraços,
      Ivan

      Ivan de Almeida

      16 de maio de 2010 at 2:09 am

  2. Gostaria de conhecer mais o autor, mas o link à direita está quebrado. Só avisando. Ao consertar, comente aqui pois eu assinei o post no email. Grato.

    Angelo Dias

    14 de julho de 2010 at 3:08 pm

    • Obrigado , Angelo.
      Contudo, verifiquei o link “Sobre o Autor”, e ele me pareceu plenamente funcional. Às vezes coisas assim acontecem.

      Ivan de Almeida

      14 de julho de 2010 at 3:13 pm

  3. Concordo com vc Ivan.
    Penso que a ideia vem depois do terror provocado pelo impacto com o inominável, aquela região em que ainda não conseguimos significar as coisas e elas são completamente estranhas ao nosso entendimento.
    Se há uma gênese do pensar, acho que ela começa com o terror de estar-se sobre o nada. Não me entenda mal, o termo terror é usado aqui para simbolizar aquele momento de ansiedade e de confusão que se encontra antes de um “algo” ser entendido.
    Abs

    Sandro

    15 de julho de 2010 at 9:52 am

    • É por aí, Sandro. O mais interessante na fotografia não é exatamente uma idéia definida, dessas que podem ser descritas, mas um modo de ver. Essa região do inominável pode ser nominada, deve ser nominada, deve ser compreendida, mas não necessariamente antes.

      Depois, ao olhar a foto, ao nos tornarmos observador, aí então podemos identificar, nomear, descrever, compreender.

      Abraços

      Ivan de Almeida

      15 de julho de 2010 at 12:11 pm

  4. Bom dia Ivan.

    Obrigado pelo comentário “generoso” sobre o meu blog, mas sem dúvida muito bom é o seu Blog, cada tema interessante e necessário sobre este universo que temos total devoção e chamamos de Fotografia. Parabéns de verdade, pois estes debates são de vital importância para que a fotografia mantenha-se no seu apogeu e não seja banalisada por estes bombardeios de imagens digitais que nos assombram nos tempos atuais.

    Com relação ao tema “Qual é a idéia? excelente este artigo que você descreveu perfeitamente: é verdade, muitas vezes não temos nenhuma idéia, apenas calculamos a luz, fazemos a composição, dependendo do assunto, vericamos o ISO, para diminuir ou aumentar a textura, a luz, vericamos os elementos visuais, etc., e isso tudo se não formos pego no “instante decisivo” de Bresson. Mas acredito que, talvez, esteja também em nosso inconsciente, não sei ao certo, pois na verdade é tudo um mistério, como menciona meu amigo, também fotógrafo e artista plástico, Jorge Vasconcelos: “Fotografar é uma experiência única como é o ato de viver. A cada instante da vida encontro-me paradoxalmente morrendo e nascendo, assim também é com o ato fotográfico, a cada olhar, a cada disparo do “click”, o instante que acaba de morrer, nasce para eternidade do mundo da fotografia. Assim como a vida, o ato fotográfico me coloca diante deste grande mistério no qual me deparo a cada instante, a “vida” e a “morte”. http://www.jorgevasc.blogspot.com

    Abraços meu amigo, “vamos em frente”.

    Paulo

    1 de abril de 2011 at 1:01 pm

    • Não fui generoso não, Paulo. Bati o olho e li coisas que gostei e estavam muito bem ditas…

      Fui no blog do Jorge, li lá a frase por você citada, aliás uma grande frase, e é exatamente isso: a fotografia é uma presentificação, então é como viver, e mais, é viver naquela hora em que fotografamos.

      Obrigado e um grande abraço

      Ivan de Almeida

      1 de abril de 2011 at 1:23 pm

      • Nossa Ivan, fiquei realmente comovido pelas suas palavras, pois vindas de uma pessoa que tem um vasto conhecimento sobre fotografia, são verdadeiramnte importantes para mim. Obrigado e vamos em frente.
        Abraços.

        Paulo

        1 de abril de 2011 at 2:55 pm

  5. […] a criação fotográfica é a tendência de muitos fotógrafos à foto-idéia (neste blog, artigo Qual é a Idéia?, sobre isso). A publicidade vive de idéias. Foto-idéia é aquela na qual o fotógrafo realiza, […]


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