Fotografia em Palavras

visões sobre a prática fotográfica, por Ivan de Almeida

Desculpe-me, meu amigo, mas sua fotografia não é tão boa…

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Não, não… Desculpe-me, amigo, mas sua fotografia não é boa. Ou não e tão boa quanto crê ou quanto lhe dizem ser…

Embora seja algo chocante isso dito acima, é a realidade e é aplicável à imensa maioria das fotografias que circulam na rede em Flickr, fóruns, etc, que são mostradas e louvadas como boas fotografias.

É bastante interessante como a fotografia digital estipulou requisitos diferentes para uma fotografia ser considerada boa. São tantas fotografias que vemos todo dia e muito poucas destacam-se da massa, muito poucas deixam rastros em nossa memória. Ao contrário, essa massa termina por engolir e soterrar fotos que são, afinal, boas em muitos sentidos, têm boas cores, são tecnicamente corretas, nítidas, bem expostas, mas são mais uma entre tantas parecidas.

Recentemente, em um debate em um fórum de fotografia, excelentes fotografias feitas na década de setentaforam usadas como exemplo na conversa que se levava, algumas magníficas fotografias de futebol foram consideradas pelos debatedores menos boas, até mesmo ruins. Por que? Porque o filme rápido usado na época exibia grãos – e hoje detesta-se ruído. Porque as fotos não estavam perfeitamente em foco ou os movimentos perfeitamente congelados – e hoje existe foco contínuo e ISOs altos “limpos”.  O que elas tinham de extraordinário foi ignorado pelos debatedores, foi soterrado pela visão atual na qual certas características técnicas muito dependentes da tecnologia embarcada na câmera são colocadas na frente de outras tantas características autorais, da força da imagem, sobretudo, de sua narrativa.

A palavra autoral, alias, é entendida de forma muito peculiar. É atribuída àquelas fotografias nas quais o fotógrafo, quando profissional, faz tentando ser artista, esquecido que a arte na fotografia é sempre completamente dependente do refinamento de seu discurso por imagens, não de uma atividade especial “artística” apartada de sua produção normal. Hoje vemos as fotografias do Doisneau feitas para a Renault e achamos nelas a graça e a arte do Doisneau, o traço inconfundível de seu discurso visual. São fotografias publicitárias, mas nelas há a inconfundível força da fotografia que encontramos no O Beijo. São fotografias publicitárias e são autorais, são claramente emergentes de uma visão fotográfica particular. Não há dicotomia: são ao mesmo tempo publicitárias e autorais.

Contudo, parece que na produção normal atual essa abordagem pessoal, essa visão pessoal, essa autoria é desnecessária e até evitada. A autoria, a abordagem autoral é vista, parece, como uma função de um computador que se pode habilitar ou desabilitar. O fotógrafo funcionaria em dois “modos”: o modo profissional e o modo autoral, e nesse último ele “pega uma compacta ou câmera de filme e sai por aí dando vazão ao fotografar que realmente gosta”.  Naturalmente não é assim, pois pessoas não são computadores, ou quando fazem-se de máquinas sacrificam algo de si, e a autoria reprimida pelo anseio de produzir algo perfeitamente dentro dos cânones da estética banal dos meios de comunicação de massa termina por contaminar toda a produção. Não existe o “modo autoral”. Ou se é autor sempre, ou nunca.

Dorothea Lange produziu sua fotografia trabalhando. E a produziu porque não se limitou a fazer o que lhe foi encomendado. Não deixou sua humanidade em casa nem vestiu a camisa de perfeito funcinário da câmera. Fez o que lhe foi encomendado de uma forma única.

Mas tão poucas fotos vemos onde há discurso visual definido, que o o correto, o corretíssimo seria dizer o dito no título deste artigo: “sua fotografia não é boa”. Isso significando que ela não é nada além do comum, além daquilo que olhamos e esquecemos, que preenche o lugar do discurso visual clichê onde nenhum ponto de vista do autor se percebe. Não significa ela não ser bem feita e também contar um sem número de perfeições técnicas. Significa apenas não ser nada além daquilo que se vê toda hora.

Alguns sinais distintivos podem ser citados para saber se as fotos destacam-se do resto.

O primeiro, refere-se à trajetória do autor. “As fotos de fulano, têm um quê particular, característico dele?” Isso não significa serem perfeitas. Aliás, é irrelevante serem perfeitas a menos que o gênero exija perfeição. Significa haver nas fotos de fulano um depoimento visual característico e forte suficientemente para nos lembrarmos dele. Significa que suas fotos são um depoimento a partir de sua forma de ver o mundo.

O segundo sinal refere-se ao aprofundamento em algum assunto. Isso não é um exato sinônimo do sinal anterior, embora seja coisa parecida ou ocorra junto muitas vezes, pois também há fotógrafos que têm fixação em um tema mas apenas produzem os clichês do assunto, mesmo quando muito bem feitos.

Porém, significa que, dentro do ethos da fotografia, o autor procura seus espaço autoral fazendo fotografia, fazendo a fotografia de seu gênero de predileção ou de trabalho, e não tentando fazer arte. Fazer arte não faz parte do ethos da fotografia, hoje estou convencido disso. Mas manifestar um discurso visual de autor sim. Não existe fotografia de boa qualidade sem essa manifestação de autoria. A arte? Essa pode ser identificada à posteriori, mas na fotografia nunca será a mesma arte das Artes Plasticas, e quando se tenta fazer atrtes plásticas pela fotografia não é mais fotografia. A fotografia torna-se tão somente meio, e a produção ignora a questão fotográfica mesma.

É preciso lembrar que o Ansel Adams apenas tentou produzir boas paisagens. Chamar sua produção de arte é ato posterior de terceiros e isso não orientou sua produção.

Assim, o fotógrafo equilibra-se , consciente ou inconscientemente, entre dois grandes perigos, entre duas anulações. De um lado, a anulação da autoria, do outro a anulação da fotografia. De um lado ele é puro funcionário do dispositivo (Flusser), um repetidor de imagens médias do universo de imagens contemporâneas. Do outro ele é artista plástico que usa a fotografia, pois perdeu sua conexão com o ethos da fotografia.

Talvez a coisa mais importante seja distinguir entre a boa fotografia e a fotografia meramente correta. Essa distinção pode ser impossível para o iniciante, mas é essencial mais além. Quem não distingue ficará retido em um nível onde será louvado exatamente pelo cumprimento de modelos, não por sua narrativa por imagens, por seu depoimento através da fotografia. Quem é prisioneiro de todas as opiniões nada cria, e quem não leva nenhuma em consideração torna-se alienado do mundo. Mas não há muito como fugir do fato de que, para se produzir fotografia autoral no bom sentido, qual seja, produzir fotografias que atendendo ao seu propósito expressem também uma visão de mundo definida, é preciso em grande dose saber quais as opiniões deve-se ouvir, e saber quando não se deve ouvir opinião alguma.

A criação fotográfica em algum momento nos remeterá àquela nossa solidão essencial, e termos de, diante de uma fotografia que não atende perfeitamente a ideia de boa fotografia afirmá-la como obra e dizer: esta é a minha fotografia! Aqui estou dizendo algo, algo de minha maneira de ver a existência. E sustentar essa afirmação contra o mundo que cobrará dela o cumprimento de modelos. Nesse momento, o criador estará sozinho contra um mundo hostil, tão mais hostil quanto maior for o afastamento entre a sua criação e os modelos normais.

O criador terá razão ou apenas estará tomado por um sonho alienado? Para isso não há resposta. É uma resposta que será dada pelo tempo, pela aceitação gradativa de suas fotos. E não necessariamente a aceitação provirá dos meios fotográficos com que convive.

Ou se aceita isso, ou apenas se fará a fotografia do funcionário do aparelho, aquela que será muito bem aceita e louvada, mas esquecida.

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156 Respostas

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  1. SENSACIONAL !!!
    Perfeito é isso mesmo.
    Fico impressionado com a quantidade de fotos que muitos “acham” o máximo e eu vejo como “apenas mais uma” num mar de clicks digitais e sem graça alguma.

    Hoje em dia é comum profissionais acharem e venderem que, por exemplo, para fotografar um casamento é algo que “obrigatóriamente” precise ter um mínimo de 2000 a 3 ou 4 mil fotos !
    Pra quê ? Porquê ?
    Só para dizer para os noivos:
    – Olha fizemos mais de mil fotos tá !

    Loucura. Parabéns pelo texto.
    360 abçs
    Ayrton

    AYRTON360

    4 de novembro de 2009 at 2:04 pm

    • Bem, Ayrton… Estou preparado para apanhar por ter dito a verdade -risos.

      Mas é impressionante, porque isso faz muito mal ao desenvolvimento da fotografia mesma. As pessoas passam a se medir por esse nível mediano de suficiência, que resulta por vezes em fotos até vistosas, e esquecem que devem mirar lá em cima se quiserem progredir.

      Grande abraço
      Ivan

      Ivan de Almeida

      4 de novembro de 2009 at 2:44 pm

      • Parabéns pelo texto Ivan! Concordo contigo e, principalmente, com o Ayrton360.

        Na faculdade, fui aluno de Guto Muniz, um fotógrafo que migrou da fotografia convencional para a fotografia digital, e que afirmava categoricamente que qualidade não pode ser ligada à quantidade, ou seja, o fotógrafo não pode pensar que é só porque tem uma câmera “descarregável”, e sair apertando o disparador de qualquer maneira.

        Não quero fazer apologia à fotografia convencional, mas fato é que a fotografia digital veio para separar ainda mais os dois termos que você citou em seu texto. Antes, na fotografia convencional, o “autoral” e o “profissional” eram obrigados a andar de mãos dadas, pois ninguém andava com rolos e mais rolos de filme para se fazer 2000, 3000 fotos. O cara se via obrigado a fazer direito, pra “ficar bonito” e “ficar bem feito”.

        Com a chegada da fotografia digital, basta clicar no “erase” caso a foto não tenha ficado boa. Não sei se você concorda comigo, mas esta é a grande birra que eu tenho.

        A questão não é a “busca pela foto perfeita”, mas sim a “busca pela foto bem tirada, que agrade ao fotógrafo e ao cliente, pra se fazer uma vez só”. Até porque, tem um ponto que praticamente ninguém leva em consideração, que é o desgaste do equipamento.

        Se a pessoa não é profissional, obviamente ela não tem taaanta obrigação de poupar clicks, mas não é à tôa que as assistências técnicas do mundo todo estão abarrotadas de Cybershots, Powershots e outras câmeras compactas por aí.

        Raphael Garcia

        4 de novembro de 2009 at 6:44 pm

      • Antes, na fotografia convencional, o “autoral” e o “profissional” eram obrigados a andar de mãos dadas, pois ninguém andava com rolos e mais rolos de filme para se fazer 2000, 3000 fotos.

        Evidentemente também não estou defendendo a fotografia feita em película, e eu mesmo quase só uso a câmera digital, mas sua frase acima mostra como a redução de meios por vezes obriga ao aperfeiçoamento.

        Mal comparando, é como na Arquitetura Grega ou Romana… proporcionalmente as construções eram muitíssimo mais caras, porque a produtividade do trabalho era menor, e EXATAMENTE POR ISSO, quando se construía procurava-se fazer o máximo.

        Ivan de Almeida

        4 de novembro de 2009 at 7:04 pm

      • Mas a fotografia aplaudida por muitos antigamente, exemplo a National Geographic, era feita por fotógrafos que disponham de rolos e rolos para fazer mais do 2 ou 3 mil fotos. Não é parametro, não é a quantidade que determina isso e sim a facilidade de se ter equipamento nos dias atuais que inunda o mercado de fotos comuns (boas ou más). É preciso mais que um equipamento, que uma técnica é preciso se ter uma idéia do que e como fazer. Abs

        Pepe Mélega

        4 de novembro de 2009 at 10:56 pm

      • Sim, é isso mesmo. É exatamente esse o contraste entre a fotografia que é boa e que eu estou injustamente dizendo que não é, e a fotografia de fato boa.

        Ivan de Almeida

        4 de novembro de 2009 at 11:06 pm

    • Uma vez, ví uma linda garrafa de vinho. Tinha a forma de um peixe e era italiana.Olhava a garrafa,comprei e cozinhava na esperença de estar à altura daquela bençao que a sorte me deu.
      Duvidava que aquela panela velha, minha colher de pau iriam cozinhar o rizoto de acordo com aquilo tudo.
      Saiu ótimo O riZoto. O vinho é que era muito ruim. É a questão da técnica/marketing : Linda Grarrafa/ Espírito pobre.
      RAW é como um filme melhor. Nada mais que isso.

      Tem quem acredita em prazer. Tem quem acredita em mágica, tem quem acredita em receita de bôlo.
      Do prazer surgem as coisas que valem a pena.Alí está a Arte. Se eu sair de casa achando que sou artista, eu perco a viagem. E as pessôas vão perder tempo comigo.
      Sem peixe para ninguëm.

      Sergio Amaral

      17 de janeiro de 2010 at 8:28 pm

      • Sérgio;

        Não tenho certeza de ter entendido sua mensagem, que, contudo, é deliciosa de ler porque é escrita com sabor. Não sei responder. Juro, não sei mesmo.

        Tento, por meu lado, cozinhar com prazer, fazer as coisas com prazer, mesmo quando são coisas técnicas como falar sobre RAW (em outro blog faço isso). Não tenho a fórmula de fazer boas fotos, acho que ninguém tem, mas é preciso além da paixão usar a razão para distinguir entre o que fazemos o que é melhorzinho, o que é razoável tendo algum interesse, e o que é ruim. E para orientar nossa produção e para servir para todas as decisões em que a razão possa informar. Uso a razão -sou viciado em usá-la, tenho um amigo que, brincando, me chama de “mentaleiro”- com prazer, não como obrigação ou disciplina inóspita. Uso a razão dionísiacamente, é uma razão dionísiaca.

        Acabei de tomar um vinho. Espumante, pois está calor, e o espumante com usa baixa dose de álcool vai bem. Não era muito bom. Nem ruim.

        Grande abraço e obrigado.

        Ivan de Almeida

        17 de janeiro de 2010 at 8:39 pm

  2. Parabéns pelo texto, Ivan.

    Grande abraço.

    Leandro

    4 de novembro de 2009 at 2:57 pm

  3. Ivan, mas o que é uma fotografia boa? Devido à dificuldade de se chegar a um concenso estético, definiram que boa é a que é perfeita tecnicamente.

    Leo Amaral

    4 de novembro de 2009 at 2:59 pm

    • Leo;

      Em minha opinião, não é porque arranjamos uma resposta simples que a questão complicada fica de fato resolvida.

      Como se diz, respostas simples são “obstáculos epistemológicos” porque dão a impressão que a questão está respondida, e as pessoas param de pensar sobre ela, e a questão permanece tão irrespondida e tão misteriosa quanto antes.

      É muito difícil dizer o que faz uma fotografia se boa, ser fotografia superior. Todos nós gostaríamos de saber isso, facilitaria nossa vida muitíssimo. Não adianta, contudo, dar uma resposta fácil a essa questão.

      Minha opinião é que vale a pena pensar sobre isso. Aliás, que é urgente pensar sobre isso. Que nunca obteremos uma resposta completa, cabal, mas que ao pensarmos sobre isso vamos adquirindo alguns critérios de julgamento, e esses critérios nos permitirão separar as fotografias em três blocos: as ruins, as corretas (que são geralmente consideradas boas) e as realmente boas.

      Se nós não fizermos essa separação, nós terminaremos sem parâmetros para seguir. Para evoluir é preciso ter as referências certas, as referências elevadas, e necessariamente é necessário distinguir quais sejam, para não tomarmos como referência aquilo que é meramente correto e comum.

      Se tomarmos como referência de qualidade o que é meramente comum, nunca iremos além do comum.

      Ivan de Almeida

      4 de novembro de 2009 at 3:11 pm

      • Oi ivan,
        acompanho seu blog e sempre gosto das reflexões que seus textos me despertam. Lendo esse acho que a fotografia é realmente boa quando consegue alinhar o que se quis dizer (querer do fotógrafo), como disse (a técnica propriamente dita)e o que o leitor entendeu. ou seja, quando a gente diz de um jeito que o leitor entenda, quando a mensagem está clara. Mas pra isso, antes de mais nada é preciso de consciência de todo o processo: saber o que se quer fotografar e entender do assunto, criar um “espaço de linguagem” (termo definido pelo bachelard na poética do espaço) que funcione pra essa mensagem e através do qual os leitores a compreendam. Nosso público não são fotógrafos, mas qualquer leitor. e pra chegar nesse qualquer leitor, a construção do pensamento/mensagem é tão importante quanto (ou muito mais que) o meio que possibilita sua existência.

        fotoartegrafiaila

        14 de junho de 2011 at 2:00 pm

      • Olá;

        Obrigado pelo comentário. O que faz uma fotografia boa, isso é uma coisa difícil. Nós reconhecemos uma fotografia boa, e geralmente temos uma espécie de abordagem-esperança para produzir, mas não temos garantia de produzir. Não sei dizer como se faz uma fotografia boa, mas creio firmemente que uma parte importante do caminho para isso é termos clareza do que não é tão bom, do que é chamado de bom mas é apenas médio ou correto ou tecnicamente bem solucionado. Creio que grande parte dos esforço considte em separar o joio do trigo, e depois o trigo melhor do pior, e assim sucessivamente. Esse processo de decantação vai apurando nosso critério e isso se refletirá na prática. O artigo tem por objetivo não desqualificar a fotografia de ninguém (e a minha está incluída nesse espaço criticável), mas sim falar dessa necessidade de continuamente ir separando o que é melhor e ir convergindo para esse melhor, sem estabilizar uma zona de conforto na qual a fotografia pode até ser suficiente para as necessidades que pretende atender, mas não é boa de fato.

        Abraços
        Ivan

        Ivan de Almeida

        14 de junho de 2011 at 2:17 pm

  4. Olá Ivan. O Comodo, da Riguardare, postou o link deste texto na lista da escola, tomo a liberdade de postar aqui a longa mensagem que enviei na lista, embora concorde com muito do que você disse em seu texto, tenho tomado bastante dos meus neurônios com as questões relativas e subjetivas deste tema, e é o ponto que citei em meu e-mail na Riguardare, segue abaixo:

    “Comodo, tema interessante, que tende ao infinito, mas quero deixar aqui uma opinião.

    Outro dia postei este texto no meu blog:

    http://blog.vernaglia.com.br/2009/09/18/o-que-e-uma-boa-foto/

    E abri o tema para discussão. Eu poderia fazer a pergunta “o que é uma boa música?” também, ou uma boa ilustração, um bom risotto, um bom pastel de feira…

    Eu tenho feito uma experiência no Flickr, há muitas comunidades com um sistema de premiação, há algumas com progressão, ou seja, se tiver X prêmios em um grupo, progride para o próximo, num sistema de campeonato ou algo semelhante a isso.

    Qual o objeto desse estudo? Saber a opinião do público para minhas fotos. Fotos que ganharem uma batelada de prêmios e progredirem numa batelada de grupos são boas fotos, no conceito de um monte de gente, são fotos “pop”.

    Não necessariamente são boas no meu conceito, no seu, nos conceitos particulares, mas são boas para muita gente. E isso é como música pop, pode não ser boa para versados em música erudita, mas é certamente boa para muita gente.

    Aí pergunto, o que é uma boa foto?
    Uma foto que agrada milhares de pessoas é boa?
    Uma que agrada meia duzia de especialistas é boa?
    A que só agrada a mim mesmo é boa?
    Uma foto que agrada a mim, aos especialistas e à torcida do flamengo é boa?

    A minha resposta para todas as perguntas é que sim, é boa, pois se agradou apenas a mim, é boa para mim, se agradou ao mundo, é boa ao mundo, mas aí vem a pergunta: Qual é a melhor foto? A que agradou a mim ou a que detesto mas que o mundo adorou?

    A técnica define a qualidade? Se for por aí Monet é um pintor mediocre, Van Gogh idem, Munch então nem se fala… pera aí, mas estes todos são gênios, então técnica talvez não defina qualidade.

    O critério previamente aceito define a qualidade? Veja, se formos por aí, Beethoven não existiria ois todos ainda seguiriam Bach, o critério aceito… nem Mozart existiria, e citei dois gênios para mostrar que a quebra de paradigma existe e deve ser aceita para entendermos quando o novo surge, e por que o novo bom pode ser igual ou melhor que o antigo bom.

    Sabe qual é minha foto mais popular no Flickr? A minha boa e velha foto da Ponte Hercilio Luz em Floripa:

    http://www.flickr.com/photos/armandovernaglia/3799214221/

    Mais de mil pessoas viram, mais de duzentas comentaram ou premiaram, mais quarenta a consideram uma favorita, números impressionantes… mas e aí, ela é uma boa foto? Ela é tecnicamente irrepreensível e disso eu me orgulho, foi feita em cromo, coisa difícil hoje em dia, mas e aí, é boa? Ou é só um cartão postal? É só pop ou tem algo a mais ali?

    Eu não me atrevo mais a dizer o que é ou não uma boa foto, penso que isso seja pretensão.

    []’s

    Armando Vernaglia Jr
    http://www.vernaglia.com.br
    blog.vernaglia.com.br
    flickr.com/armandovernaglia/

    Enfim, este foi meu comentário, coloco aqui um complemento sobre minha última linha, onde digo ser pretensão definirmos o que é ou não bom. Penso que ao fazermos isso, estamos tentando tornar nossa opinião a dominante, é um pensamento acadêmico, que se baseia no critério aceito ao longo do tempo, então se é aceito, e eu conheço o critério, então é bom. Mas este critério seria ilegítimo perante as questões subjetivas. Qual melhor critério? Eu sinceramente não faço idéia da resposta adequada para essa pergunta.

    Encerro dizendo que concordo com o que você diz entre autoral e trabalho, nem que seja em um grau menor, o trabalho do dia a dia deve conter seus valores, seus ideais estéticos, se não é só coisa de apertar botão, algo que qualquer macaco treinado poderá fazer.

    Abraços,
    Armando Vernaglia Jr

    Armando Vernaglia Jr

    4 de novembro de 2009 at 3:10 pm

    • Armando;

      Obrigado pelo seu comentário, rico para o debate e que retorna questões importantíssimas, quais sejam, a quem devo ouvir (qual público devo ouvir) para avaliar minha fotografia.

      Não possuo uma resposta para essa questão. Posso lhe dizer que a fotografia pop, essa expressão muito feliz contida em sua mensagem, é uma fotografia que faz parte do bolo cultural, do mainstream cultural, e eventualmente pode ser muito sigificativa, mas no geral não é. Melhor dizendo, é significativa por espelhar os valores médios da cultura, mas não como obra notável.

      Se reparar, no fim de meu texto remeto o leitor àquela solidão irremediável que caracteriza o ser humano. Podemos dizer que socialmente as boas fotografias são decantadas das medianas, das pop (algumas pop são boas) com o passar do tempo. Mas individualmente cada um deve encontrar sua resposta sozinho, e arcar com as conseqüências da resposta que encontrar.

      Ivan de Almeida

      4 de novembro de 2009 at 3:31 pm

    • Armando,
      Lendo sua resposta ao texto “DESCULPA, MEUS AMIGOS…”
      Conconcordo plenamente com sua resposta e ainda acresento, quem pode definir se uma foto é boa ou não?
      Qual o paramêtro usado para está definição?
      Ser POP é ruim? Porque o popular não é bom?
      abs

      carlos ivan

      4 de novembro de 2009 at 4:58 pm

      • Carlos;

        Não penso que eu tenha dito que o popular não é bom. Ao contrário, citei um trabalho, digamos, cotidiano do Doisneau mostrando que nele há ao mesmo tempo autoria e propósito comercial.

        Friso isso porque uma das coisas que dá mais trabalho é responder a algo que se referencia a uma afirmação que não fizemos. Não concordo que o trabalho para ser bom precise ser hermético, e não escrevi isso. Agora, também não concordo que o brilho pop por si só faça um trabalho ser bom.

        Ivan de Almeida

        4 de novembro de 2009 at 5:47 pm

  5. Caro Ivan, sempre lúcido.

    Andréa Câmara

    4 de novembro de 2009 at 3:12 pm

  6. Bom que tocou nesse assunto com tanta sinceridade e clareza. Tenho visto mesmo fotos sem qualquer apelativo sendo apresentadas com orgulho e como disse o Ayrton, a sensação é que a meta é clicar, clicar, clicar…
    Este artigo, em conjunto com o também significativo “Vestido de Noiva”, nos faz pensar.
    [ ]s
    Majella

    Milton Majella

    4 de novembro de 2009 at 3:23 pm

    • Milton;

      Penso que nossos julgamentos são todos transitórios, mas não podemos fugir de fazê-los. Não é uma questão fácil, não tem respostas fáceis.

      Grande abraço

      Ivan de Almeida

      4 de novembro de 2009 at 3:39 pm

  7. Ivan, ótimo texto, simplesmente é tudo que eu queria dizer para algumas pessoas que conheço e que sempre me perguntam como saber se minha fotografia está boa. Mesmo pra mim, agora, esse texto vem na medida a um pensamento que se instalou na minha cabeça há algumas semanas. Resumo a história: certo dia fui a uma grande revista mostrar meu portfolio -que atualmente considero mediano, mas que mostra meu potencial- na tentativa de pegar algum trabalho pequeno pra que tanto eu como meus clientes possamos estabelecer um contato e um desenvolvimento. Pois bem, mostrei meu portfolio, seguiu a cara de paisagem normal aos editores de revista, certo desdém dos músculos faciais e a lacônica pergunta: “Mas você não tem nenhum trabalho pessoal?” Juro que fiquei sem resposta. Por que achava que tinha apresentado alí minhas entranhas. Será que ela queria que fotografasse algo bem estranho (e aqui entraria outra subjetividade) e fizesse uma explicação estrambólica pra que ela considerasse meu trabalho apenas bom? Não é fácil você sair de casa com seu portfolio nas mãos, submetê-lo ao crivo de um estranho e ser julgado, neste caso, erroneamente por ele. Sempre fotografo o que quero fotografa ou como quero fotografar. Fazendo um retrato por encomenda, a Miss Brasil (já me aconteceu) ou meu vizinho (pessoa super interessante), sempre sou eu ali fotografando. Como você disse, não consigo ligar uma chave pro modo fotógrafo ou artista-fotógrafo. Pra mim, como bem disse no seu texto, o importante é imprimir sua visão de como deve acontecer uma fotografia.

    Gotardo

    4 de novembro de 2009 at 3:29 pm

    • Gotardo;

      Obrigado pelo caso contado, delicioso de ler e que ilustra bem essa parte do artigo que fala da idéia de fotografia autoral como um bicho estranho que os fotógrafos fazem quando não estão trabalhando e que é “sua verdadeira fotografia”, como se isso pudesse exisitr…

      Grande abraço,
      Ivan

      Ivan de Almeida

      4 de novembro de 2009 at 3:37 pm

  8. De cada 1000 fotos que clico, publico umas 5 e deixo de fora outras 30 ou 40 que meus amigos acham lindas mas não comunicam nada pessoal sobre o que vi ali.

    Um amigo me disse que eu deveria colocar no Flickr somente as fotos com potencial de venda. Isso me faria escolher outras 5 fotos totalmente diferentes.

    Mario Amaya

    4 de novembro de 2009 at 3:42 pm

  9. Olá Ivan, de fato, seu comentário foi alinhado com o que penso. E dele surgem mais perguntas.

    Qual público devo ouvir, e além, devo ouvir algum público?

    Os gênios que citei em meu comentário anterior não ouviram ninguém, fizeram o que consideraram certo, e pagaram por isso, fosse com a glória ou com o desprezo.

    Este meu estudo no Flickr tem rendido surpresas, noto que muitas vezes a foto que em meu conceito tem um valor profundo, muitas vezes não atinge o “pop”, e outras que sei que só carregam meu arsenal técnico e cores impactantes, lá estão obtendo fama e sucesso.

    Tenho outros estudos estatísticos, por exemplo sobre a venda de minhas imagens, e salvo alguns desvios, esse estudo tende para o mesmo caminho do Flickr.

    E aí, indo na linha do seu raciocínio, arcar com as consequências das escolhas pode determinar se um fotógrafo vai ou não conseguir viver de suas fotos, pois pode ocorrer de que suas fotos mais profundas, aquelas que melhor revelam seu interior e sua expressão, serem as de menor interesse comercial, e aí ou ele acaba estuprando seus valores pelo dinheiro, ou mantém-se fiel aos seus conceitos pagando por isso a obrigação de ter outro emprego.

    Lógico que a coisa não é tão drástica, há meios termos, há flexibilidade, mas é algo a se pensar.

    []’s
    Armando

    Armando Vernaglia Jr

    4 de novembro de 2009 at 3:47 pm

    • É verdade.

      Trago lá da arquitetura, Armando, um aprendizado: que é possível atender aos clientes -à maioria deles- e ao mesmo tempo ser fiel a si mesmo, como o Doisneau que cito e mostro (que fantásticas fotografias para a Renault! Elas contém narrativas, contém uma idéia que ao vermos dela participamos, e contém a “assinatura” do Doisneau).

      Aliás, acho que é um mau caminho o hermetismo. Como toda questão, devemos fugir das respostas extremas, quais sejam: ou sou completamente comercial ou sou completamente hermético. É possível o caminho do Doisneau -risos.

      Obrigado pelo diálogo, Aramando.
      Abraços.

      Ivan de Almeida

      4 de novembro de 2009 at 4:09 pm

  10. Muito bom o texto!!!!

    Concordo plenamente com tudo falado no belissimo texto!!!

    abracos!

    Paulo Heredia

    4 de novembro de 2009 at 3:47 pm

  11. Ivan.

    Talvez não concorde plenamente com seu texto, ainda vou ler mais vezes para absorver melhor os detalhes dele mas é um excelente texto que acima de tudo nos faz pensar.

    Já postei fotos para outras pessoas avaliarem e fui muito criticado pela manipulação, mas pude perceber que aquelas fotos não chamavam a atenção de ninguém, não haviam qualidades. Apesar de estarem com a composição correta haviam outros fatores que estragavam a foto, que deixavam ela uma foto normal, banal. Essas críticas são importantes para me fazer melhorar, buscar novos caminhos. Toda crítica deveria ser ouvida, talvez até ser rejeitada depois, mas pelo menos ouvida e avaliada.

    Não vejo como ter qualidade em fotografia se não levarmos em consideração o que os outros veem, mas também não tem como fazer algo com nossa característica, com nosso estilo se somente ouvirmos os outros. Técnica e coração irão determinar o que uma foto pode ser diferente de outra foto, juntar as duas coisas é o mais complicado. Quem consegue com certeza alcançará sucesso.

    Muitos não gostam de saber que suas fotos não agradam, mas os que mais colocam a cara prá bater, que mais aceitam críticas é que acabam melhorando o que fazem. Aprendizado anda junto com humildade, sabendo que sempre temos algo a melhorar.

    Parabéns pelo texto.

    Oziel

    4 de novembro de 2009 at 3:48 pm

    • Oziel;

      Se o texto servir para mostrar uma questão, ele já será útil. A conclusão… Bem, a conclusão é muito difícil, mas não é ela que interessa. Pensoq ue o importante é a desanestesia de vermos as coisas fora da máquina de conformação do mediano que é onipresente e que termina por nos acostumar.

      Obrigado,
      Grande abraço

      Ivan de Almeida

      4 de novembro de 2009 at 4:02 pm

  12. […] Desculpe-me, meu amigo, mas sua fotografia não é boa… […]

  13. padrões, padrões, técnica x arte, dom x talento x prática, e mais um discurso pseudo-quase-filosófico sobre algo que não se responde ao certo, mais um assunto onde opiniões divergem muito. mais uma coisa que não se discute, a menos que se faça por esporte?
    Nessas horas, sem expor o que eu penso, e ainda filosofando já que resposta certa não é o forte da filosofia eu recorro sempre ao frank zappa: “a mente é igual paraquedas, só funciona quando aberta”.
    abraços

    mikes

    4 de novembro de 2009 at 4:09 pm

    • Essa do Zappa é ótima -risos

      Ivan de Almeida

      4 de novembro de 2009 at 5:58 pm

  14. Olá Ivan,

    Acho que isso é somente reflexo da acessibilidade a produção de imagens.. Cada vez mais se vê e se produz imagens e isso é ótimo no sentido de fazer as pessoas em geral terem um maior interesse pela discussão sobre imagens. Todo mundo pode escrever o que quiser com um papel e um lapis, agora todo mundo pode bater foto. Qual o problema!? Bom, ou ruim!? É muito dificil analisar produções do Flickr dessa maneira. Uma fotografia da minha mãe pode ser maravilhosa para mim e não para outros. Isso é normal, a leitura que irá fazer das fotografias depende da sua relação com o mundo… Nem todo mundo que está no Flickr quer ser um Master of Photography, simplesmente querem bater fotos e compartilhar… Isso é normal… Não sei por que muitos colegas se incomodam com todo mundo batendo foto e postando e comentando… É assim, meu telefone bate foto, minha filmadora, o computador, tudo bate foto… Tem gente que usa o flickr pra colocar portfolio, outros as fotos dos amigos, das viagens, besteiras e por ai vai…
    Com tantas imagens nos rodeando os cliches ficam bem mais faceis… Todo mundo bate uma foto bem exposta e enquadrada hoje em dia, as maquinas fazem tudo, mas isso nao é problema. A questão é o que se quer com a fotografia que está fazendo.
    Com relação a questao autoral ou comercial concordo plenamente com o que escreveu. Todo trabalho é autoral, seja qual for, e nele vai tudo o que acumulou pesquisando e estudando para encontrar sua maneira se fazer aquilo.

    Grande abraço e parabéns pelo Blog!

    Gustavo Pellizzon

    4 de novembro de 2009 at 4:20 pm

    • Obrigado. Penso como você: nada há de mais em tanta gente fotografando.

      Mas a questão é nossa quando queremos fotografar melhor.

      Ivan de Almeida

      4 de novembro de 2009 at 5:56 pm

      • Nao acho que seja questao de fotografar melhor… o que é fotografar melhor?! O que existe é saber se expressar com um meio. Qualidade fotografica é uma questao muito ampla, qualidade em que sentido?! Existem trabalhos que sao tecnicamente errados, mas sao lindos e expressam o objetivo do autor. Como falei no comentario anterior, o que se quer expressar com a fotografia. Quando nao se sabe sao apenas imagens bem ou mal resolvidas. A criaçao de um estilo leva tempo. Isso tudo é muito novo, a fotografia ainda está só começando…

        “quando se tenta fazer atrtes plásticas pela fotografia não é mais fotografia. A fotografia torna-se tão somente meio, e a produção ignora a questão fotográfica mesma.”

        O que seria a fotografia se não um meio?

        ” Do outro ele é artista plástico que usa a fotografia, pois perdeu sua conexão com o ethos da fotografia.”

        O que seria o ethos da fotografia?

        Porém, significa que, dentro do ethos da fotografia, o autor procura seus espaço autoral fazendo fotografia, fazendo a fotografia de seu gênero de predileção ou de trabalho, e não tentando fazer arte.

        O que seria tentar fazer arte?

        Fiquei pesando um pouco nisso relacionado ao texto…

        Gustav Pellizzon

        4 de novembro de 2009 at 10:46 pm

      • Gustav;

        Vou ficar lhe devendo duas coisas mencionadas no seu comentário, e que são citadas no meu texto: uma visão sobre o ethos da fotografia e uma visão sobre a relação entre a arte e a fotografia.

        Porque este texto é parte -a aprimeira parte- de uma trilogia constituída dele, de um texto meio pronto chamado “Esta vai para a parede” (que será a última parte da trilogia, provavelmente) e de outro sobre o ethos da fotografia a partir de uma visão sobre a fotografia ser uma tradição. Não tem título ainda, mas tem trechos escritos.

        Como são explanações relativamente longas, cada uma será um artigo, e, então, terei o maior prazer de tentar dar conta de suas questões.

        Ivan de Almeida

        4 de novembro de 2009 at 10:55 pm

  15. Ivan, após ler o texto como um todo eu concordo parcialmente com ele. O ponto que mais me gerou discória foi a radicalidade em que você abordou o ser ou não ser autor onde você sugere que “Ou se é autor sempre, ou nunca.” Eu não concordo com esse ponto pois ao mesmo tempo que não discordo do restante, e como seu texto é uma opinião escrita em um todo é como se eu dissesse que discordo da sua opinião, o que não é verdadeiro. Eu gostaria de sugerir um outro ponto de vista sobre a mesma opinião, só grafada de uma outra forma.

    Observe o relato pessoal abaixo:
    “Fotografar para mim é, em minha essência, como comer, dormir, respirar. Algo natural, algo naturalmente necessario, embora não necessário para me manter vivo, mas é como se fosse, a falta do ato de fotografar me traz a morte, morte intelectual, morte afetiva, … — digo sem temer que minha fotografia é minha, ao mesmo tempo que digo que não tenho estilo algum senão o meu, que ao mesmo tempo não reconheço como estilo. Digo essas coisas esperando que de alguma forma entenda a importancia da fotografia na minha vida e que não vem de hoje.
    Por outro lado, trabalho em uma instituição financeira, que é de onde retiro meu sustento. É uma profissão socialmente respeitada, formal, segura. Mas ao mesmo tempo não a faria caso tivesse na fotografia o mesmo retorno, ou em qualquer outra atividade mais prazerosa ao meu ver. No entanto não é assim, dessa forma eu trabalho em uma instituição financeira e pratico minha fotografia como fotografo amador, e assim sigo.. feliz.”

    O que tem a ver minha discordância com o relato?
    – Digamos que eu não trabalhasse em uma intituição financeira, mas na verdade em um agência de publicidade, e que minha função formal fosse de fotógrafo do estúdio, seria tão ‘errado’ dizer que faz-se fotos “não autorais/sem o seu estilo” como atividade principal de sustento, e em paralelo segue-se com a fotografia própria? Pois é assim que o seu texto sugere. Seria como dizer que um Juiz não poderia ser também um vocalista de banda de rock. Porque não? Em um momento você age como todos os outros participantes queiram que aja, e em outro momento você age da forma que você agiria, será que é de fato impossível? Ou anulante?

    Eu prefiro não ser esse fotógrafo de estúdio, e seguir com meu ofício formal, pois dessa forma não ofenderia meu amor pela fotografia, no entanto não recrimino os que o fazem, pois sei que nem todos podem optar.

    —–

    Esse foi o ponto que mais me incomodou, e tentei expor o motivo. Peço desculpa pelos certos erros gramaticais e ortográficos, espero que o mais importante tenha ficado claro, a mensagem.

    Um abraço do colega,
    Filipe Ghirardello
    http://www.d3sign.com.br

    Filipe Ghirardello

    4 de novembro de 2009 at 4:31 pm

    • Muito interessante colocação, Felipe, poque me ajuda a esclarecer um ponto difícil que pode ficar turvo.

      Tomada a afirmativa como você a tomou, de fato você tem razão na sua crítica. Mas eu não a tomo da mesma maneira. Por duas razões. A primeira é que mesmo fotografando em estúdio e fazendo still ou algo assim, vejo fotógrafos que deixam sua marca no que fazem. A segunda é porque não considero que seguir uma linha guia determinada por alguém anule a autoria de forma total. Como já disse em alguma resposta aqui mesmo nesse tópico, fui arquiteto durante 15 anos, e aprendi que satisfazer o desejo do cliente de forma mais completa não significava anular-me, ao contrário, era ao satisfazê-lo e ir além que ele de fato ficava satisfeito.

      Pois do contrário, recaimos em tomar o fotógrafo como funcionário da câmera.

      Uma outra coisa é que seu comentário embute uma premissa “tudo ou nada”. A vida prática não é assim, as opções não são pura autoria ou pura ação de funcionário, mas uma mescla, e é nessa mescla que cada um deve descobrir seu espaço.

      Grande abraço,
      Ivan

      Ivan de Almeida

      4 de novembro de 2009 at 5:54 pm

      • Ivan, só gostaria de salientar que a premissa do meu comentário onde você diz ser “ou tudo ou nada” na verdade não é minha premissa, mas sim sua, quando VOCÊ escreve “Ou se é autor sempre, ou nunca.” no texto original.

        A minha opinião foi reforçada pelo comentário mais recente do fotógrafo Clício.. é assim que penso, as duas coisas podem coexistir em uma pessoa madura que sabe distinguir os papéis (ou “vestir os chapéus”) na hora certa.

        Eu entendo o que você quis dizer sobre seu ponto de vista e experiência como arquiteto, entendo bem essa parte do lado do cliente, e o papel do fornecedor. Só que como eu disse, as vezes o trabalho (ofício) de alguém pode ser literalmente apertar um botão, LITERALMENTE, dessa forma como é possível recriminá-lo por isso? Dizendo que não é autor? Ou que a fotografia (da forma mais genérica) não é boa? Há de se distinguir uma obra autoral de alguém versus a que não é, e só é possível quando se conhece, e isso leva tempo.

        É como dizer que todo trabalho de A.Leibovitz é bom, por ser “Leibovitz”.. o que é sabido não ser.

        Eu concordo mais com essa resposta que você deu, sobre a mescla entre funcionário da câmera e ação autoral, no entanto ela não condiz totalmente com o que foi escrito no texto original. E esse é o único ponto que discuto. No restante, estamos de comum acordo. 🙂

        abs,
        Filipe Ghirardello

        Filipe Ghirardello

        4 de novembro de 2009 at 6:37 pm

      • Felipe;

        Cada ponto que desdobramos vai criando novos ramos, e isso torna a conversa mais interessante. E muitas vezs precisamos voltar -eu muitas vezes faço isso- para esclarecer melhor um ponto de vista que foi enunciado sem clareza e assim deu margem a leituras imprevistas.

        Veja, todo o texto fala da fotografia grafada com F maiúsculo. Essa Fotografia está ali, presidindo o texto e dando a ele um sentido. E essa Fotografia que “não é”, em grande parte dos casos. Todo o texto é presidido por uma suposição, certa ou errada, que habita o pensamento de grande parte dos fotógrafos: o anseio de fazer Fotografia.

        Caberia falarmos do fotógrafo que está agindo como funcionário do aparelho e do script imposto como alguém que está fazendo Fotografia? Penso que não. Penso que podemos falar que está ganhando honestamente a vida, fotografando com correção, com apuro técnico que pode ser enorme, etc, mas não está tentando fazer Fotografia, mas tão somente fotografando. Contudo, se ele dentro disso consegue enfiar uma cunha onde sua maneira de ver o mundo, ou, como citado pelo Clicio, seu rigor, sua elegância, etc, elementos que não estão no script, então ele estará tentando fazer Fotografia naquela oportunidade que aparentemente é estéril.

        O texto refere-se a um anseio, maior ou menor, que habita todo fotógrafo, que é fazer Fotografia. É sob esse parâmetro que deve ser lido. Quem não está tentando fazer Fotografia não está em débito, apenas não está tentando e o resultado não estará dirigido a esse anseio.

        Melhorou? -risos

        Ivan de Almeida

        4 de novembro de 2009 at 6:59 pm

      • Melhorou sim, pois a tônica foi formalizada, e portanto não há o que se subentender. Está claro, pois a premissa é “o anseio de se fazer Fotografia” e não mais o ato em si;

        Forte abraço,
        Filipe Ghirardello

        ps.: eu concordo com o que está escrito pois eu mesmo (ha 1 ano) tenteimigrar completamente para a fotografia, a parte amadora e a parte profissional. Mas quando fui trabalhar para agências de publicidade me senti um “prostituto” e não gostei do que experimentei. Felizmente não havia largado o antigo ofício, e então larguei de trabalhar para tais agências, pois aquilo estava apagando meu “anseio por fazer Fotografia”. Hoje sigo amador, somente, talvez algum dia se houver oportunidade me torne amador-profissional fazendo Fotografia.

        Filipe Ghirardello

        4 de novembro de 2009 at 7:21 pm

      • Felipe, a escrita é cheia de armadilhas, e pensamos que dissemos algo quando não dissemos ainda -risos.

        Obrigadão pela conversa.

        Ivan de Almeida

        4 de novembro de 2009 at 7:37 pm

  16. Caro Ivan,

    Acho que faz parte do processo ser crítico. Isso alimenta o que buscamos e faz com que reflitamos sobre linguagem, formato ou discurso visual.

    Tenho visto fotos perfeitas do ponto de vista técnico, mas vazias, sem a menor interação com quem as contempla. Imagens comuns, bobas, sem assinatura – apenas imagens congeladas.

    Isso é pessoal? Sim, é a minha crítica, claro, mas com certeza valerá para uma determinada legião, e independente de certo ou errado, apresenta um caminho contrário ao meu.

    Grande abraço,
    Eduardo Bernardes

    Eduardo Bernardes

    4 de novembro de 2009 at 4:53 pm

    • Nunca foi esse seu problema, Eduardo -risos.

      Obrigado, e um grande abraço.

      Ivan de Almeida

      4 de novembro de 2009 at 5:47 pm

  17. Gostei mesmo deste texto!
    Me fez pensar em 2 pontos que sempre andarão comigo, de início a preocupação com o ‘repertório cultural’, considero – principio de criatividade. Também me fez lembrar os preceitos da semiótica, a combinação na diversidade de elementos presentes em uma imagem para construção de significados. – princípio de coerência.

    Guilherme Brandão

    4 de novembro de 2009 at 5:25 pm

  18. Oi Ivan.

    Você, em resposta à um comentário, disse:

    “Estou preparado para apanhar por ter dito a verdade -risos”

    Me incomodei com isso – como é possível saber a verdade? Acho nobre que você esteja preparado pra apanhar por dizer o que acredita. Mas o que você acredita é necessariamente “a verdade” (especialmente num campo tão abstrato como o que está tratando).

    Enfim.

    Excelente post. Não concordo com tudo, mas isso não é um problema. Ao discordar, eu tenho de pensar e me organizar, e refletir sobre o que, e porque, discordo. E provocar reflexão, e não concordância completa, define um bom post. Parabéns.

    Abraço

    Daniduc

    4 de novembro de 2009 at 6:00 pm

    • Sagaz! Tem toda a razão, não é a verdade, é tão somente um ponto de vista. Somos traídos por nossas crenças sempre, pois é da natureza do nosso pensamento, ainda quando nos queremos céticos sobre nós mesmos, confundir-se com a verdade. Nós confundimos nossos pensamentos com a verdade.

      Não vou corrigir a minha resposta anterior que você cita, embora agora a veja com os seus olhos, porque ela, a sua observação e esta minha formam um núcleo, e esse núcleo contém algo que é bom ver.

      O post levanta uma questão, talvez sua utilidade maior seja dificultar a adoção de respostas simples para uma questão difícil. Todos gostaríamos que nossas fotografias tivessem aquele algo maior.

      Obrigado,
      Grande abraço.

      Ivan de Almeida

      4 de novembro de 2009 at 6:13 pm

      • Ah, a parte de que a minha fotografia não é boa é a parte que eu concordo 🙂

        Daniduc

        5 de novembro de 2009 at 12:13 am

  19. Nossa, excelente texto! Vale a pena pensar e discutir sobre a “aura” da foto, a bagagem cultural… enfim, tudo que faz uma fotografia ser o que é e ser de quem é… adorei! (:

    nanoca

    4 de novembro de 2009 at 6:16 pm

  20. Caro Ivan,

    Não vou incomodá-lo com mais um longo texto que, em suma, apenas concordaria quase totalmente com o seu.
    Aliás, excelente como sempre!
    Mas…
    Sendo eu um daqueles que passou a vida “vivendo da fotografia publicitária” e ao mesmo tempo fotografando por puro prazer (e por vezes por necessidade de me expressar quando as palavras não são suficientes), fiquei intrigado com sua linha de pensamento.
    Exemplos como o de Miro, que sempre imprimiu “sua personalidade” nos trabalhos comerciais me surgem imediatamente. Tripolli, de certa forma, também.
    Mas a dicotomia pode sim coexistir no mesmo fotógrafo. Há inúmeros casos de fotógrafos publicitários com um trabalho comercial “frio”, burocrático e asséptico, e com um trabalho não-comercial absolutamente relevante. Ricardo de Vicq. Andreas Heiniger. Muitos outros.
    Tá, de Vicq é sempre elegante. Heiniger é sempre preciso. Mas transitam entre os dois mundos com leveza e transparência.
    Dicotomia ou dualidade?

    clicio

    4 de novembro de 2009 at 6:17 pm

    • Clicio;

      Penso que sagacidade. Sagacidade de conseguir carregar para o trabalho profissional essa marca de precisão ou de elegância, como você mesmo consegue. O seu trabalho é seu. Olhando já se sabe.

      Tento evitar ao máximo oferecer um escaninho ao leitor onde ele possa entrincheirar-se e de lá dizer: aqui é comercial e lá autoral. Porque sei que os melhores fazem contaminar sua atividade comercial com sua autoria, mesmo que no rigor, na precisão, na elegância, e aqui a palavra “mesmo” não deve ser tomada como diminutiva, e eu nem a deveria ter usado -risos (agora já escrevi, deixa…). Porque essa precisão, essa elegância são como a fluidez das fotografias do Doisneau, que está em todas. Isso não é um nada, um detalhe, ao contrário, isso é a marca da personalidade que não se anulou para operar a câmera.

      Fez sentido?

      Obrigadão, e um grande abraço,
      Ivan
      PS: se quiser escrever longo, só vou agradecer. Vivo escrevendo respostas enormes no seu blog…

      Ivan de Almeida

      4 de novembro de 2009 at 6:46 pm

  21. Olá Ivan, e também olá Carlos, que respondeu ao que comentei.

    De fato Ivan, o caminho do Doisneau é possível, mas se esse é um caminho bom, eu e você que somos fãs dele somos suspeitos hehehehe

    Carlos, ser pop é bom ou ruim… complicado, pois novamente depende de avaliação do público, e de qual público… como eu citei, um virtuose pode achar música pop ruim, enquanto um músico pop pode achar música erudita chata… quem está certo?

    O Ivan disse que é uma escolha de caminho, concordo com isso, eu fiz uma escolha pretensiosa para minha fotografia, a de ser um virtuose popular inteligente… então zelo pela técnica, você não achará uma foto minha com falha técnica pois se houver eu a terei apagado, ao mesmo tempo zelo pela popularidade, quero ser reconhecido, fazer algo que muita gente olhe e entenda, não quero só falar para versados em semiótica, e ao mesmo tempo quero ter conteúdo, quero que as pessoas vejam minhas fotos e pensem, reflitam, questionem, se emocionem, sorriam, enfim, sejam tocadas de alguma forma… nem erudito nem pop, talvez jazz =^)

    Na literatura, nem Paulo Coelho nem Dostoievsky, talvez Jorge Amado, me parece que esse seja o caminho do meio, sugerido pelo Ivan, dando o Doisneau como exemplo.

    É uma pretensão minha, se eu consigo atingi-la é outro papo, mas é o que quero atingir, é meu objetivo seja quando fotografo para mim ou para os clientes, e talvez essa seja a minha definição de boa foto.

    Mas cada um tem sua verdade particular, cada um terá sua definição de boa foto, e o importante é não ter medo de mudar essa opinião ao longo da vida, devemos estar abertos, podemos mudar, o que é bom hoje pode ser brega amanhã e vice versa.

    []’s
    Armando

    Armando Vernaglia Jr

    4 de novembro de 2009 at 6:20 pm

  22. Ivan, um texto bastante preciso. Claro há pequenos pontos que não concordo. Mas são discordânicas irrelevantes – possivelmente tema para conversas futuros. Para aqueles, que não tiram os sustento da fotografia e para mim, os quatro ultimos paragrafos caem como uma luva.

    Um abraço

    EBuscariolli

    4 de novembro de 2009 at 6:29 pm

    • Eduardo; este ainda não é aquele texto em que falo de você, sobre o mqual comentei, mas acho que os dois próximos formarão um tripé junto com esse, cada um abordando um aspecto, colocando uma peça no mosaico.
      Grande abraço
      Ivan

      Ivan de Almeida

      4 de novembro de 2009 at 6:37 pm

      • Sim, eu vejo como uma base solida, necessária para a investigação.

        EBuscariolli

        4 de novembro de 2009 at 6:48 pm

  23. Muito bom post. Traz algumas coisas que sempre tento colocar em conversas sobre. Há um livro interessante que discute o valor das imagens e a nossa relação com elas, Vida e Morte da Imagem, de Régis Debret. Em resumo, ela discute 3 modos de relações estéticas com imagens. 1) em a imagem assumia uma função de religar o profano (homem) com o sagrado. 2) Arte, em que o reconhecimento da autoria de sua espressão eram os valores máximos. 3) quando a imagem é puramente visual, não seria possível reconhecer função ou atrubuir há um gênio criador. A relação de prazer e fruição estética não seria exclusiva da arte. Cada “idade” da imagem (por assim dizer) pode motivar ma relação de prazer estético à seu modo. Embora possamos reconhcer perídos históricos entre essas categorias, e, possivelmente, poderiíamos atribuir o universo da cultura pop à imagem puramente visual, o importante é ser sensível à postura que a imagem clama daquele que a vê. Para isso é preciso contextualizá-la. Creio que não podemos dizer, em absoluto, se uma fotografia é boa ou não sem considerar para quem ela se refere, com quem ou o que ela dialóga e até mesmo a funcão que ela pode conter. Emfim, cada fotografia carrega uma promessa latente, o espectador deve ser sensível à essa promessa para poder, ao menos experimentá-la. Seria injusto juglar uma imagem com valores de outra, ou pior, com valores absolutos de uma possível essência da fotografia.

    Jônathas Araujo

    4 de novembro de 2009 at 7:10 pm

    • Jonathas;

      Por isso mesmo que não é uma questão simples, porque não dispomos do conhecimento de qual seja essa essência da fotografia, e essa essência se refaz a cada boa fotografia. Mas não sendo simples, exatamente por isso ela pode ser rica, penso.

      Muito interessante essa citação da categoria 3.

      Ivan de Almeida

      4 de novembro de 2009 at 7:22 pm

  24. Muito bom, Ivan. Falou tudo.

    Gustavo

    4 de novembro de 2009 at 7:21 pm

  25. Olá Ivan!

    Puxa,participei de um workshop de uma fotógrafa muito famosa em BH,e digo isso com toda sinceridade que posso empregar aqui,este texto serviu pra esclarecer todas as dúvidas que restaram deste workshop.O que ela quis apresentar como reconstrução do olhar,aqui,em seu texto eu descobri que isto é ser visto em seu trabalho.
    Quando em meio a tantas fotos,uma pessoa parar diante de uma e dizer que há traços de mim na imagem,era isso o que eu precisava e agora eu tenho de graça,bem aqui.
    Agradeço a você por ter sido tão sincero e ao Clício por ter postado este no twitter.
    Grande abraço!

    Alyson Luiz

    4 de novembro de 2009 at 7:33 pm

  26. […] Tweets about this great post on TwittLink.com […]

  27. Maravilhoso texto, tenho pensado muito nisso nos últimos dias. Obrigado por ter compartilhado suas reflexões.

    Não é da Fotografia que tiro meu sustento, mas desde que comecei a fotografar, a estudar e ler sobre o assunto, me sinto cada vez mais apaixonado.

    Considero que ferramentas como o Flickr, são fundamentais para a popularização da fotografia (a Pop) e que de alguma forma me ajudaram (e ainda ajudam) a entender o que eu quero (e o que não quero) fazer.

    Estou começando na Fotografia e entendo que o trabalho autoral exige muito auto-conhecimento, o que tenho buscado para me entender melhor e aí sim, expressar minha forma de ver o mundo através das imagens.

    O seu texto me ajuda bastante nessa reflexão.

    Um abraço e Obrigado.

    Luiz Felipe Gasparini

    Luiz Felipe Gasparini

    4 de novembro de 2009 at 8:39 pm

  28. Caro Ivan,

    Desde sempre ouço teu nome na fotografia, de ene fontes, mas apesar das boas referências e indicações sobre seus textos, confesso que não sou leitor dos chatíssimos fóruns (recheados de egos inflados) ou blogs.

    Recebi seu link a partir do Twitter (que também pouco leio) do Clício e me atraiu o título “Desculpe-me, me amigo…”.

    Enfim, não li (pra variar, me perdoe) o que foi dito nos comentários acima, me desculpe se isto já foi dito por outra pessoa: Concordo com seu ponto de vista, até defendo isto num grupo de quase 200 fotógrafos, amadores e profissionais, de minha região (Limeira/SP), mas existe um ponto que é o Calcanhar de Aquiles do fotógrafo que tem um olhar diferente, uma luz diferente, e faz foto publicitária – O cliente.

    Os mestres foram/são mestres também porque, enquanto vivos, estão inseridos num ambiente que aceita e entende sua fotografia como “arte”, “autoral e comercial”. Neste ambiente, ver sua foto numa peça publicitária, vendida, consumida, e ainda assim, com seu traço autoral, é muito mais provável que para aquele onde o ambiente é hostil por ignorância (não no sentido pejorativo) ao que é novo ou simplesmente fora do que a grande maioria pratica e é considerada “a boa foto”.

    De qualquer forma, concordo com tudo o que disse, vou replicar seu post (excelente!), mas fica aqui um outro ponto de vista.

    Grande abraço, muito obrigado.

    Nelson Shiraga Jr.

    4 de novembro de 2009 at 9:23 pm

    • Nelson;

      Obrigado.

      Sei que você tem razão quando diz haver um jogo de possibilidades entre meio e autor. Que as coisas acontecem, ou não, conforme esse domínio de possibilidades. Mas temos que isso nos torne fatalistas, e eu não sou fatalista. Então, a partir disso, pergunto-me quantos de fato podem dizer que esgotaram as possibilidades de seu lado da equação, quantos levaram até onde fosse possível sua autoria, naturalmente sem destruir o cliente, sem destruir sua satisfação.

      Não sou fotógrafo profissional. Nunca ganhei um tostão com a fotografia, ao contrário, só gasto (nem tanto, mas só gasto -risos). Veja que coisa. Se a ausência de autoria poderia até mesmo ser explicada por uma fortíssima injunção comercial, aceitando que isso explique, e no mundo amador? No mundo amador ocorre o mesmo fenômeno, e não existe nenhuma injunção comercial. No mundo amador também se persegue a imagem-modelo, higiênica.

      Por outro lado, o Clicio, na sua postagem-comentário neste tópico, cita fotógrafos que têm trabalho comercial onde ele, Clicio, identifica precisão e elegância. Por acaso um cliente proibe precisão e elegância? Não creio que consiga proibir isso, e isso quando lhe vem é um bonus, não é uma autoria estranha, bizarra, não-comercial, mas um acréscimo.

      Insisto nisso, Nelson.Precisamos acabar com essa idéia de autoria ser uma bizzarice qualquer. Não é. Autoria é mais e não menos. O que falta na maioria das fotos é mais, e não menos.

      É essa idéia da autoria ser algo não-comercial e estranho que impede a maioria de ver as possibilidades contidas em qualquer coisa.

      Grande abraço,
      Ivan

      Ivan de Almeida

      4 de novembro de 2009 at 9:46 pm

  29. Oppss Ivan, tudo bem? Parabéns mais um bom texto para discutirmos, né!!

    Entendo sua posição, mas há um porém quando mencionamos a fotografia comercial que é o outro lado: o de quem paga a conta. Pode parecer um papo antigo e até mesmo uma muleta para justificar muitas coisas, mas quando o fotógrafo se dedica a fotografia publicitária e ou editorial está sujeito a aprovação de quem paga a conta e isso altera o modo de fotografar – mesmo que num determinado momento façamos de maneira mais “autoral”, ou seja mais com a visão do fotógrafo do que do Diretor de Arte. Um exemplo que vivo muito é o mercado editorial, a fotografia para revista, há até uma marca no que faço, mas fotografo de maneiras diferentes para atingir ao publico que lê o titulo (isso vêm a completar manifestações do Armando e de certa forma do Clicio). Ou seja quando faço Pesca & Companhia tenho que ter em mente o publico que vou atingir com minhas imagens que é bem diferente de quando fotografo para a Offshore, Golf, Viagem Melhor, etc, nesses casos a uma adequação ao publico, explicando melhor, não fujo da necessidade de fazer-me entender a quem quero atingir e muitas vezes estou abaixo ou acima de meu nível cultural ou financeiro, mas como fotógrafo comercial devo me adequar e produzir (ai entra o conhecimento e requinte técnico, né Armando). Já quando pego a câmera para fazer minhas fotos de natureza procuro-o faze-las de forma bela, pouco preocupado com a mensagem (apesar de que ao mostrar a beleza dessa fica o alerta para o que já se destruiu), o mesmo em relação a vida selvagem – apesar que as minhas imagens sempre procuram reproduzir o comportamento das especies. Porém é na foto de rua (street shot) que mais identifico o que você alerta, ali não me basta um click, não quero mais uma foto de um homeless, quero um contexto por trás da imagem, um comportamento, uma adaptação há necessidade de quem vive na rua e não simplismente uma imagem de alguém largado a dormir que não está apto a negar a roubada da foto praticada.
    É a foto de rua que mais cobra o estilo, que mais carateriza seu texto, ela inunda as telas de computadores em todos os sentidos – há até quem a chame de fotojornalismo – é essa que abre a distancia entre o comum (que pode ser muito bem feito) e o contextualizada que se destaca (que pode nem ser brilhante técnicamente).
    Fotografar é isso, o “POP” existe, sou prova disso a mais de 35 anos, mas meu autoral não morreu continua sendo produzido, mas quem define o que se publica comercialmente está acima de minha rebeldia autoral (apesar de já ter emplacado algumas) e necessito pagar as contas do mês, necessito vender a foto comportada, bem feita, que se encaixa no texto tendo a minha rebeldia autoral ou não, pois só de livros de arte não se vive no mundo real da fotografia. Muitos já gastaram mais do que ganharam por essa rebeldia de fazer o autoral e outros deixaram o retorno financeiro para os herdeiros e ou fundações e enquanto viveram contaram com a ajuda de amigos.
    No fundo temos que avaliar sempre procurando pelo equilibrio, não basta ser artista – se morre de fome – ser técnico somente paga conta, mas se fazemos só a foto comportada estamos a merce do mercado que paga, né. O bom é provocar, dar opções a quem aprova a fotografia comercial mostrando também a rebeldia, o contexto, aquilo que constroi sua linguagem autoral.

    Abraços

    Pepe Mélega – Fotógrafo & Pescador

    Pepe Mélega

    4 de novembro de 2009 at 9:46 pm

    • Pepe;

      Como vai? Obrigado pelas idéias, pelas questões, por apresentar seu ponto de vista acompanhado de sua experiência.

      O que posso é reiterar coisas que já disse em outras respostas, e que logo na resposta anterior digo de forma que me parece dar conta do assunto.

      Basicamente, eu gostaria de destruir, usando aqui uma palavra de impacto, a desnecessária e perniciosa associação entre coisa autoral e coisa bizarra ou extravagante. Porque, destruído isso, o texto pode incluir as possibilidades que sempre existem de deixar a marca do autor em qualquer trabalho, não uma marca extravagante, mas a marca do refinamento, que nunca é recusada.

      Ninguém recusa algo mais refinado, o que as pessoas recusam é algo que não querem. Na história da humanidade tantos trabalharam sob encomenda. A produção visual sem encomenda é exceção, não regra, se pegarmos uma longa história, porque todos os produtores visuais precisaram prover sua despensa. E sempre foi uma questão da produção visual encontrar, satisfazendo o cleinte, o lugar da autoria. Peixes e pesca no Pesca & Companhia, é claro, mas entre todas aas fotos possíveis de peixes e pesca, há as do Pepe -risos.

      Um grande e amigo abraço,
      Ivan

      Ivan de Almeida

      4 de novembro de 2009 at 9:58 pm

  30. Ivan,

    Estou sendo apresentado ao seu trabalho graças ao twitter. E lá se vão muitos RTs até que se chega a lugares interessantes como o seu blog. Prova de que existe vida inteligente por trás do twitter, basta garimpar.

    Concordo com seu ponto de vista. Apenas como iniciante de fotógrafo amador (sim, tem cerca de 2 meses que comprei uma máquina interessante), vou passar meu ponto de vista. Eu não sabia que gostava tanto de fotografia até o dia que resolvi fazer um curso. Primeiro foi um choque saber que o que eu sabia era apertar botão de máquinas compactas. Fotografar? Não. No máximo eternizar alguns movimentos, momentos, mas tudo sem pensar. Olhou, apertou, gravou.

    Com o curso tudo ficou diferente. Eu não só tinha que pensar, como aprender a regular aquilo tudo. Diafragma, fotometro, etc. Será que eu ia aprender aquilo tudo?

    Aprendi. Ô cachaça boa! Minha área profissional não tem nada a ver com fotografia, mas eu me pego em alguns momentos pensando em fotografia. Eu não mais simplesmente leio uma revista. Eu avalio as fotos. O texto ficou para segundo plano. E fico eu imaginando como foi que o fotógrafo fez pra fazer aquela imagem. Pra mim, por mais simples que sejam, parecem “obra de arte”. Mas devo te confessar uma coisa… com o passar do tempo meu gosto está ficando mais apurado. O que antes me surpreendia, hoje nem tanto mais. Estou ficando exigente. Está mais dificil olhar uma imagem que me faça soltar um “ohhhhhh”. Tudo bem que se comparar o meu grau de avaliação com a de um profissional o meu “ohhhhhh” viraria uma virada de página, ou uma critica às técnicas mal aplicadas. Mas gosto refinado só se aprende ao longo do tempo. E talvez com a idade. Um amadurecimento.

    Personalidade “fotográfica” se conquista com o tempo. Minhas fotos hoje, se avaliadas por profissionais, também não devem ser boas. Mas no momento me agradam. E minha ambição é crescer. É aprender mais. Estudar. Amadurecer. Fazer por prazer. E sempre vão existir as fotografias ruins. Como existem pinturas ruins. Como existem músicas ruins. Mas como o gosto do ser humano é bem curioso, tem público pra tudo.

    Prazer te ler!

    Abraço.

    Fabiano

    4 de novembro de 2009 at 10:36 pm

    • Fabiano;

      Obrigado pelo comentário. Neste tópico houve muitos comentários feitos na primeira pessoa, e acho isso sensacional.

      Embora o título do tópico, a verdade é que estou sendo muito injusto, e chamando de não-boas fotografias que são boas. O problema é serem boas, mas existirem nesse nosso mundo onde há 4 bilhões de imagens no Flickr. 4 bilhões, veja só. Quantas são boas? Meio bilhão, talvez, ou, que sejam, 100 milhões. Mesmo assim é uma enormidade.

      São boas, mas são normalmente boas, constituem o pano de fundo de imagens do ambiente em que vivemos. É nesse sentido e só nesse sentido que falo de fotografias não boas. Um artigo tem de começar com um gancho, uma afirmação bombástica, pois a partir daí somos lidos com interesse ou raiva…

      E, como já falei em uma das respostas passadas, na cabeça de cada fotógrafo há um anseio de fazer fotografia superior, fazer Fotografia.. É esse o sentido do artigo.

      Ivan de Almeida

      4 de novembro de 2009 at 10:50 pm

  31. Eu, particularmente, após muitos estudos e análises retroativas sobre fotografia, acredito que essa esteja em um período inicial de decadência.

    Oferto dizer que em 10 anos a pasteurização e mentira da imagem vai se generalizar ainda mais, principalmente com uma tecnologia, através de softwares, que vai dar a todos um poder criação inexistente de imagem e que levará qualquer um que tenha uma máquina e conhecimento médio de tecnologia digital a ser considerado um bom ´fotógrafo´.

    Um fato é inegável: tudo isso devido ao efeito midiático que tomou proporções monumentais no mundo e já se instalou na composição humana da maioria.

    E é interessante perceber isso no dia-a-dia. A linguagem de mídia está tão impregnada no cotidiano, que, num exemplo banal, consigo encontrar pessoas deslumbradas com o acesso fácil que se tem às formas artísticas, e, num desenrolar de conversa, já se preocupam em delinear uma auto-imagem capacitiva (porém medíocre) e vender essa imagem (mesmo que distorcida (elemento primordial da mídia)), através da fala aos seus interlocutores. A conversa natural, leia-se honesta, está se tornando objeto raro.

    Mas isso não vem ao caso. É só um exemplo do poder da linguagem midiática na percepção cotidiana.

    Voltando à fotografia, também acredito que todos os nichos estéticos já estejam corrompidos (seja por desgaste, seja por extrema adoração cega dos mesmos), ponto que reforça ainda mais a necessidade da busca e criação da própria linguagem fotográfica, nem que essa passe por uma longa fase de alienação (eu, particularmente, observo e pratico a alienação artística).

    Portanto, a exemplo de Dosneau, vejo que suas fotos submetidas à mídia da Renault, perdem muito e chegam quase a serem fotos ´bobas´, em comparação com seu trabalho autoral. Porém, concordo que ele conseguiu imprimir sua assinatura, mesmo se vitimando esteticamente; mas não financeiramente.

    Aqui, um outro exemplo (mas diferente abordagem) de como a mídia é ilusória e tem essa capacidade magnífica de contaminar um trabalho autoral. Vejam como toda uma percepção fotográfica se perde e se deteriora assim que você clica em Enter Enhanced Experience.

    http://www.ashesandsnow.org/

    E pior, por que chamam do trabalho original fotográfico de BASIC EXPERIENCE?

    Palmas para o The Rollex Institute. É o fim dos tempos.

    O problema hoje é que, para aquele que busca refletir apenas imagens de sua criação, devido à corrupção de valores atribuídos em massa à fotografia; esse fotógrafo, que desenvolver uma linguagem única, desprendida da corrente, enfrentará o risco de passar uma vida inteira despercebido, uma vez que a pergunta então volta-se para: quem deve reconhecer sua obra? Quem seriam essas pessoas? Onde se encontram essas pessoas? Qual o caminho para atingi-las?

    Numa equação radical, seria o mesmo que colocar o fotógrafo que busca sua linguagem em ser reconhecido, digamos, apenas por um Ansel Adams, ou os 10 editores mais famosos de revistas fashion.

    Portanto, tenho que concordar: só o tempo, em troca do esforço do fotógrafo, dirá.

    No entanto, o prognóstico no longo-prazo é desanimador, ainda mais ao ver o exército de fotos idênticas que se proliferam tanto dentro como fora do circuito mundial da mídia, ou a mentira digital que já é aceita como verdade fotográfica.

    Quanto a maleabilidade do fotógrafo como persona de querer viver exclusivamente do meio (leia-se mídia = $$$), sofrerá um engessamento no decorrer dos anos de tantos requisitos artificiais que lhe é requisitado dia após dia, mês após mês, ano após ano.

    E dizer que isso não contamina seu senso estético para um possível forjamento de linguagem própria, é a ingenuidade do milênio.

    Abraço

    Marcelo Voss

    4 de novembro de 2009 at 10:54 pm

    • UAU!

      Marcelo, o grande barato para mim está nos comentários, porque todos estão, como você, sendo muito generosos e escrevendo coisas que mereciam ser artigos independentes.

      Penso um pouco diferente de você, porque sempre, em todo momento, vejo as tendências de degradação e de elevação coexistirem, como em uma escada que se pode subir ou descer. Penso também que cada época impõe novos desafios. A fotografia, como prática madura renovada pela tecnologia digital, nos deixa diante de um impasse, pois o passado glorioso da fotografia pode nos cegar, nos intimidar, assim como o passado glorioso da literatura sem dúvida angustia o romancista.

      Mas penso que em todos os tempos cada ser humano deve praticar a sagacidade de encontrar seu espaço de criação, não APESAR das condições, mas, ao contrário, A PARTIR das condições.

      Pois a criação livre é apenas uma quimera, em todos os tempos o homem encontrou condições, limitações, restrições sociais, etc. Em todos os tempos os homens precisaram encher a dispensa, o Leonardo da Vinci também precisou.

      grande abraço,
      ivan

      Ivan de Almeida

      4 de novembro de 2009 at 11:04 pm

    • Marcelo,

      Apesar do seu pessimismo, gostei da linha de pensamento.
      O que me incomoda, porém, é a frase:
      “…a mentira digital que já é aceita como verdade fotográfica.”
      Desculpe-me a franqueza, mas o que é “verdade fotográfica” senão uma falácia da própria mídia?
      Não há verdade fotográfica em contraposição a mentira digital. Ambas são frutos do mesmo cesto.
      Por outro lado, o engessamento pode ser quebrado com a ruptura de laços mais profundos com a fotografia comercial. Tentar fazer arte para cliente é perda de tempo; melhor não ter clientes…

      Abraços,
      Clicio

      clicio

      5 de novembro de 2009 at 10:02 am

      • Então, Ciclio, devido já ao tamanho do texto, passei meio que batido por essa definição de ´mentira digital´.

        No meu entendimento, micro cósmico diga-se, a mentira digital seria composta por elementos artificiais de extrema manipulação em prol de um aprimoramento e atingimento da dita ´excelência´ da imagem.

        Infelizmente, não se pode quantificar quantos adotam isso ou não. Não se pode precisar se hoje, devido a experientes técnicos de edição, houve um relaxamento, ou até uma segmentação do processo criativo do fotógrafo, que começaria no 1ro click e iria até a impressão final da foto.

        Vou deixar um exemplo prático disso, que talvez te ajude a se situar. Apesar da questão envolver mais frentes de discussão.

        Veja essa foto de Giancarlo Gasponi:

        http://forum.mundofotografico.com.br/index.php?topic=29153.msg353461#new

        Vamos dizer que o fotógrafo, ao se deparar com a idéia da fotografia em questão, tivesse nas paredes a cor verde, por ex.

        Com advento digital, hoje não seria problema transformar a idéia inicial do fotógrafo em estabelecer uma ligação da cor laranja da parede com as cores de alguns prédios da praça através de um processo de edição digital feita por um técnico, que só esperaria o aval do fotógrafo quanto à nuance da cor usada.

        Para mim, eu disse para mim, eu chamaria isso de uma mentira digital.

        O contrário se o fotógrafo, ao ter idéia de fazer a foto, e se deparasse com hipotéticas paredes verdes, comprasse uma tinta de tom alaranjado desejado para satisfazer sua idéia inicial, e pintasse as paredes em questão.

        Resumindo, eu, Marcelo, consideraria esse ato de pintura da parede uma verdade fotográfica.

        Aqui segue um outro exemplo do que eu consideraria verdade fotográfica.

        http://blogbeta.uncovering.org/archives/2008/03/salvador_dali.html

        Portanto, vendo esses trabalhos é que vem isso que você chama de ´pessimismo´, já que a linha evolutiva (in, para mim) da produção fotográfica se afasta cada vez mais e mais disso.

        Em 10 anos, a tecnologia vai criar esses elementos fotográficos com tamanha perfeição, que não se saberá mais o que será verdade e mentira numa foto. Não duvido que apenas o elemento humano fará parte real de alguma composição, sendo que o resto será mentiras digitais alcançadas por cada mais um número de pessoas com menos capacitação fotográfica.

        Pra encerrar, sempre que coloco minha coleção de fotos de mulheres nuas do começo das décadas de 20 e 30, com fotos de algumas revistas atuais, pra estudo de expressão, composição, VERDADES etc, fica notório que, hoje, centenas de milhões no mundo compram essas revistas sem notar no próprio âmago da integridade intelectual que estão comprando mentiras.

        Mulheres que não existem.

        As revistas fashion, então, considero-as o auge da Era de Plástico e Mentiras.

        E isso é só uma fração do que vem acontecendo, e do que, com certeza, ainda vai acontecer no que eu considero ´mentira digital aceita como verdade fotográfica´.

        Quanto à sua ultima observação, todos fotógrafos que observo e estão imersos semi ou profissionalmente em fotografia comercial de alguma forma, sempre que tentam colocar o pé numa linguagem fora desse círculo, a mediocridade conceitual ou pretensão é tão gritante, que chego a colocar protetores auriculares.

        Desculpe não precisar qual seria essa linguagem e sua legitimização, mas como disse o Ivan, ela só será descoberta após longos anos de caminho e necessária alienação.

        abraço

        M.

        Marcelo Voss

        5 de novembro de 2009 at 7:53 pm

      • Marcelo,

        Desculpe, é clicio e não ciclio.
        Mas não vem ao caso.
        O que sim é pertinente é a sua incompreensão da “verdade fotográfica”. A foto de Halsman, icônica pela dinâmica mas um cliché de tão repetida e copiada, não tem nada de verdade.
        E, sem polemizar, você está completamente errado quando diz que a fotografia comercial engessa e impede o trabalho conceitual sempre, em todos e por tempo indeterminado.
        A sua frase:
        “todos fotógrafos que observo e estão imersos semi ou profissionalmente em fotografia comercial de alguma forma, sempre que tentam colocar o pé numa linguagem fora desse círculo, a mediocridade conceitual ou pretensão é tão gritante, que chego a colocar protetores auriculares.”
        é cheia de falsos preceitos e preconceituosa. Não vou gastar dedos digitando os nomes de centenas de fotógrafos comerciais que tem trabalhos sensiveis, conceituais, reconhecidos (ou não).
        Vamos ao seu exemplo mais óbvio: Halsman era fotógrafo de moda.
        E você o coloca como possuidor deste ethos de artista…

        🙂

        clicio

        5 de novembro de 2009 at 9:24 pm

      • Também não considero a foto do Halsman verdadeira em um sentido maior, mas penso também que não é muito a questão quais os meios são empregados. Sendo um artesanato técnico e, ao mesmo tempo, uma criação visual, sempre haverá exploração dos limites da produção fotográfica -caso citado- ou da manipulação posterior. Não podemos aprioristicamente validar ou desvalidar com base nisso.

        A questão do que é a fotografia, de quando ela deixa de ser fotografia, etc, é uma questão inescapável em nossa época, exatamente porque as possibilidades novas são imensas. Querendo ou não, teremos de discutir isso. Tenho cá minhas opiniões, mas não as quero adiantar, pois penso que outro artigo seria o bom lugar para expô-las.

        Quanto à questão da autoria, o artigo fala sobre isso, e não a distingue da atividade fotográfica comercial, ao contrário, tenta reconciliar essas duas idéias. Exatamente essa dicotomia parece-me perniciosa. parece-me coisa como corpo-e-alma, biológico-e-cultural, ou seja, dicotomias que não existem de fato, pois sempre temos exemplos onde há uma biologia e uma cultura, nunca temos um dos elementos separados (e mais, no acontecer cada instância determina a outra e é determinada pela outra). Se observarmos a História da Fotografia notaremos que ela é escrita majoritariamente por fotógrafos executando o seu trabalho.

        Ivan de Almeida

        5 de novembro de 2009 at 9:50 pm

  32. Caríssimo Ivan, esse seu texto vem para mim numa hora extremamente oportuna. Apesar de fotografar profissionalmente há pouco tempo, já sinto o peso de algumas cobranças, principalmente de um mercado por vezes baseado em características opostas ao que eu penso sobre a fotografia. Nos fóruns se discute muito sobre equipamentos, todo mundo se vangloria dizendo que tem isso e aquilo e mais aquilo outro. Fala-se muito em enquadramento, quando não se entende nada de composição e equilíbrio. Invocam receitas de bolo para exposição e a fotometria perfeita (???), mas não se sabe o que é um sistema de zonas. Pior de tudo: supervaloriza-se a técnica sem o devido questionamento criativo antes de apertar o botão. Com isso, tudo o que foge desse pseudo-padrão é equivocado, ruim e mal feito. É cult dizer que se admira a obra de Bresson, mas não se busca seus próprios momentos decisivos, muito menos interpretá-los a seu modo…
    Concluo meu pensamento com a última frase deste, que eu admiro muito na fotografia, Pepe Mélega: “É preciso mais que um equipamento, que uma técnica é preciso se ter uma idéia do que e como fazer“. Obrigada!

    Elis

    4 de novembro de 2009 at 11:44 pm

  33. Muitos confundem ‘fotografia’ com ‘registro fotográfico’. Fotos de um casamento são assim. Algumas são apenas ‘registro fotográfico’ e outras são ‘fotografias’, obras de arte. Nem sempre ‘dá’ para se fazer ‘fotografia’. Ou seja, nem tudo que clicamos É fotografia. O erro está em achar que sim. Outro ponto: nem tudo que o fulano X, fotógrafo super-mestre-que-dá-cursos-publica-livros-etc produz é ‘bom’. Assim como nem todas as músicas da Banda Y são um sucesso ou o novo filme do(a) ganhador(a) de seis Oscar arrasa na bilheteria. Mas fale para alguém que não gostou daquela foto do Mestre X e tome crítica!!

    themeron

    5 de novembro de 2009 at 1:31 am

  34. parabens ivan,belo texto para ajudar muita gente a compreender o estado da fotografia neste momento.
    abc
    nm

    nuno

    5 de novembro de 2009 at 2:13 am

  35. O assunto do texto é muito bom, algo para discutir, realmente. Concordo e discordo em partes, pois trabalho com fotografia e sempre dou um jeito de “colocar minha cara” nelas. Em contrapartida, quando faço fotos apenas pelo puro prazer de fotografar eu me permito errar mais, divagar mais, sonhar mais… O que eu não poderia fazer se eu estivesse fotografando a trabalho, pois quando você está trabalhando você precisa usar mais técnica, pensar mais antes de fotografar e não pode ficar “pirando” pois há um compromisso com o cliente, com o trabalho. Então o que acaba acontecendo é que quando resolvo apenas fotografar por fotografar eu acabo inovando, aprendendo, evoluindo a minha fotografia e aplico ela no meu trabalho, conseguindo assim, unir o útil e o agradável. Eu amo fotografar seja por fotografar ou trabalhando, e acho que é assim que deve ser.

    PARA REFLETIR: Na fotografia autoral nós somos nossos próprios clientes.

    Abraços e ótimo blog, vou aparecer mais!

    Milena Celli

    5 de novembro de 2009 at 2:51 am

  36. Prezados,
    esse texto realmente está muito bom e fala muito do que estava engasgado na garganta da maioria de nós.

    A “explosão demográfica” da fotografia é inevitável. Assim será e é aí que temos que avaliar criticamente nossos posicionamentos. Existem diversos fotógrafos que desenvolvem suas linguagens e um discurso visual de forma acumulativa (ou seja, produzem muuuuito do mesmo). Da mesma forma, existem fotógrafos que, mesmo com os melhores aparatos digitais, continuam resumindo sua expressão em uma ou poucas fotos… Isso já descarta a tão batida questão entre analogico X digital e o montante de fotos derivados de cada um.
    O que eu vejo com um certo pavor é a questão que se tem colocado (e eu mesmo já me coloquei) entre AUTORAL x PROFISSIONAL. Me parece que o mercado empurra o fotógrafo cada vez mais para o simples apertador de botões (e teclas de cpu)… Com isso, cada vez mais surge uma vontade de se afastar desse rotulo, desenvolvendo uma parte “autoral”… mas esse é o caminho? ou o caminho de ver o inverso: o mercado que deveria procurar o Autor que melhor lhe convenha?
    não sei se era por aí que eu queria levar minhas considerações, mas acho q já é um começo…
    Ivan, obrigado pelo texto!
    abs

    Marcio

    Marcio Isensee

    5 de novembro de 2009 at 6:53 pm

    • Sou eu quem lhe agradece, Marcio.

      Ivan de Almeida

      5 de novembro de 2009 at 7:13 pm

  37. Eu acho preconceituoso e anacrônico que reclamem do “dedo-mole” e da facilidade que temos com a câmera digital de conferir na hora e refazer o clique até que fique a gosto. Em fotojornalismo, particularmente, isso não se aplica. Cartões de memória grandes são uma solução e não um problema.

    O outro ponto em que alguns veteranos podem tropeçar é uma sensação vaga de serem ameaçados pelas capacidades cada vez melhores de fazer com menos assistência capturas fotográficas que antigamente custariam enorme esforço, conhecimento e treinamento do apertador dos botões.

    Se o fotógrafo de qualquer nível formal está na hora e local certo, e com o olhar apurado, produzirá uma grande imagem com maior facilidade, e a isso deveríamos ser todos gratos.

    Já o conceito do que é uma grande imagem é tão móvel que vale uma discussão separada, desde que não se obrigue a atingir conclusões gerais. Eu tenho um livro de fotos da revista Life, dos anos 30 a 70, e a extrema maioria das imagens consideradas marcantes no livro é de guerra e violência. Era uma seleção editorial que fazia sentido em plena época de Guerra Fria, Vietnã etc., mas aos meus olhos de hoje chega a ser graficamente repulsiva.

    Mario Amaya

    5 de novembro de 2009 at 7:29 pm

  38. gostei do posting e dos argumentos, mas você só cita fotografos que hoje, são consagrados, que criam uma alfabetização da imagem, seu argumento seria mais certeiro se citasse fotografos comtemporaneos e desconhecidos pelo grande publico.

    mon

    5 de novembro de 2009 at 8:33 pm

    • Monika, você tem razão, se houvesse os dois modos de citação, tanto dos consagrados quanto dos novos, seria melhor. Temos cá nossas limitações… Ao escrever um texto não sigo exatamente um planejamento, sigo um impulso -embora, é claro, haja planejamento também. E confesso a você que tenho esse vício de ir diretamente aos exemplos fáceis. Obrigado pelo comentário.

      Ivan de Almeida

      5 de novembro de 2009 at 8:58 pm

      • Agradeço a visita ao meu portfólio… e aguardo mais artigos.

        abraço

        mon

        6 de novembro de 2009 at 4:50 pm

  39. Lamento. Uma definição de realidade fotográfica x mentira digital para separar os tipos de foto é bem rígida, mas paradoxalmente, não tem base sólida.
    Primeiro que, de saída, a realidade fotográfica é apenas aquela que está na imaginação do fotógrafo – sem valores absolutos. Restringir de propósito a técnica a um registro literal e mecânico do mundo físico pode parecer muito real, mas inevitavelmente é um registro interpretativo, porque o fotógrafo escolheu o que queria mostrar, decidiu o foco, arranjou a luz, usou determinada lente, com certa combinação de abertura e velocidade, sensibilidade do filme ou sensor, temperatura de cor, curva de contraste, saturação, remoção de ruído – e com essa cascata de decisões técnicas produziu uma imagem mais ou menos divorciada da visão humana imediata da cena – que nem precisa ser o objetivo da imagem.
    E os parâmetros de apreciação mudam com o tempo. Se o cara obteve a cor perfeita da parede numa época em que trocá-la não era trivial, isso deve ser apreciado de maneira distinta de uma imagem atual.
    Mentira fotográfica para mim é enganar o espectador para fazê-lo crer em algo que não existe. Muito comum na foto de publicidade de moda. E, como nos contos de fadas, todo mundo apenas finge acreditar na história à medida que é contada, já que ela é veículo de um valor cultural, dentro de um contexto definido, e não existe apenas em si mesma.
    Ao colocar qualquer manipulação na categoria de mentira, subestima-se a capacidade de discernimento do espectador. O mercado editorial relacionado à moda está em crise porque parte do público começou a rejeitar a sua estética forjada. E qualquer curioso na banca de jornal é consciente de que o Photoshop grosseiro domina as peladas da Playboy, a ponto de isso ser motivo de piada em todo escritório aonde uma revista dessas chega após o almoço para saciar a curiosidade coletiva dos funcionários.

    Mario Amaya

    5 de novembro de 2009 at 9:55 pm

  40. Clicio

    Pois é, escrevi errado e não percebi. Síndrome de aliteração.

    Enfim, você ainda não entendeu o conceito de ´verdade fotográfica´ que eu propalei, e acabou querendo me rebater sem ter lido com cuidado meu texto.

    Usei Halsman para mostrar a verdade de uma experiência fotográfica que teve o objetivo final atingida através de modificações físicas reais, o que NÃO ACONTECE com recursos digitais.

    Não está em questão se foi copiada, se se tornou um clichê ou se ele era fotógrafo de moda etc.

    Portanto, não o coloquei como ethos de artista (expressão do Ivan). Para mim, a palavra artista, hoje, só uso-a no extremo rigor de critérios sólidos que a pessoa consiga atingir na proposição de seu trabalho, seja qualquer o campo.

    Quando ao seu parágrafo de eu estar completamente errado, tenho que discordar, em parte. Por quê?

    – porque todos que eu observo não quer dizer todos do mundo; mas todos que venho recorrendo para analisar exatamente o quanto ocorre essa premissa da linguagem comercial deteriorar o conceito estético na tentativa de uma linguagem fora desse círculo.

    Agora, não precisa gastar os dedos digitando centenas. Aponte-me 1 ou 2, para eu poder verificar SEU critério de fotógrafos que se utilizaram desses 2 adjetivos (sensíveis e conceituais), que você invoca como contra-argumento, sendo que esses 2 critérios de amostras não são totalmente representativos do domínio em questão; pois não encerram em si informações relevantes que pesariam na conclusão de seu argumento.

    Marcelo Voss

    5 de novembro de 2009 at 11:30 pm

    • Marcelo, deixe-me dar um pitaco, pois penso que o Clicio diz algo com o que concordo.

      Tomemos o Helmut Newton. Entre sua fotografia de moda e sua fotografia que poderíamos dizer autoral há uma continuidade, não um rompimento. Característicamente sua fotografia de moda é autoral. Caracteristicamente é conceitual.

      Entendo a sua distinção de “verdade fotográfica”. É um critério seu, não discordo nem concordo, mas é um critério definido. Digamos, enunciando de forma simples, a verdade estaria fora da câmera antes da captura. Um filósofo diria que é um critério Realista, implicita considerar uma Realidade distinta do ato de capturar. Bem, entender o critério não é a mesma coisa de tomá-lo para mim. Porque para tomá-lo para mim eu precisaria concordar que tal critério é relevante, relevante no sentido de produzir um entendimento útil da fotografia.

      Mas encontro nomes tantos na fotografia que pós-manipularam aquilo que capturaram, e admiro tanto esses (entre outros o Salgado, o Adams) que fico pensando que se aceitasse esse critério eu teria de deixar de considerar verdadeiras as fotos desses. E isso parecer-me-ia um contra-senso, visto que exatamente eles são minhas referências maiores.

      Obviamente quando chegamos à possibilidade de construir objetos em 3D e mesclá-los à fotografia, acende-se uma luz de advertência que nos obrigará a pensar sobre isso e a delimitar onde termina aquilo que chamamos de fotografia, mas penso que estamos debatendo um pouco antes disso.

      Eu faria uma pergunta: existe de fato uma linguagem comercial, ou essa linguagem comercial não é exatamente aquilo que no artigo é chamado de “fotografia não tão boa”, isto é, de fotografia onde a reprodução de uma estética de massa é a solução estética? Porque se tomarmos isso como fotografia comercial você teria razão, mas penso que isso refere-se a apenas uma parcela da fotografia feita como profissão (aqui chamada de comercial).

      Minha questão, que nessa debate aqui tornou-se polaridade, é exatamente denunciar essa polaridade como desnecessária, pois penso que há determinados ofícios que implicitam necessariamente um anseio estético e conceitual, ou estético/conceitual, e a fotografia é um deles.

      Mais uma vez citando a arquitetura, não há arquiteto que não tenha como referência o Frank Loyd Wright ou o Fidias ou o Andrea Paladio. Quando um arquiteto projeta, mesmo dentro de grandes limitações dadas pelo cliente, esses arquitetos do passado (ou da História), ou outros equivalentes, são sua referência, e ele de algum modo gostaria que seu projeto fosse tão bom quanto o deles. O mesmo, com outros nomes-referência, acontece na fotografia. É inerente à fotografia isso, penso.

      Ivan de Almeida

      6 de novembro de 2009 at 12:17 am

      • Quanto a H.N.

        Sim, Ivan, vejo essa continuidadea que se refere. Porém, percebo o trabalho autoral dele extremamente contaminado pela estética comercial de moda, e com uma linha tênue de separação do nicho estético q. Mas nem por isso se exclui uma concepção e olhar fotográfico único para aquilo que ele se propôs, aquilo que o inspirou.

        Palavras de Helmut: “Eu sou superficial, as minhas imagens não são profundas, não sou um fotógrafo engajado, amo tudo que é artificial, belo, divertido. O bom gosto é a anti-moda, a anti-foto, a anti-mulher, o anti-erotismo! A vulgaridade é vida, diversão, desejo de reações extremas.”

        Entendo quando você quer dizer sobre essa união entre o comercial e o autoral. Mas minha questão está um pouco fora disso, precisamente numa linguagem original no que se refere a todos nichos já explorados. Separe alguns nomes fortes do nu, como Alvin Booth, Herb Ritts; não sei quanto a você, mas noto padrões que se repetem entre os 3, apesar de terem estilos e linguagens distintas. E é disso que eu falo. É desse fenômeno (que você até chamou Fluss) ocorrer cada vez mais hoje, meio que tapado por uma cegueira que o advento da edição digital trouxe para tantos e tantos. E reafirmo que as ocorrências desse e outros delitos estéticos, para olhos mais treinados, repetem-se exponencialmente na fotografia comercial.

        Esse é meu ponto. É isso que questiono com o advento digital. É isso que os fotógrafos comerciais representam para mim, além de outras coisas que não vem ao caso. E é com essa premissa e algumas outras que sigo firme na predileção da decadência da fotografia.

        Falando em premissas, tenho certeza que se alguém chegasse a você e dissesse, ´Ivan, quer se tornar um super fotógrafo? Faça um curso que eu ofereço de edição no Photoshop 4. Você vai conseguir fazer o quiser com suas fotos!´, você se ofenderia com a semântica empregada (super fotógrafo = photoshop), pois isso iria contra sua integridade intelectual.

        Porque a digitalização, apesar da inclusão, trouxe a banalização. Não adianta negar. A banalização da correção fácil, da enganação de imagens, da falsa capacitação da pessoa como fotógrafo, do fácil roubo conceitual e até apropriação indébita de imagens, entre outros.

        Você abordou no seu texto a alienação artística como instrumento necessário para se criar algo fora da corrente. Essa palavra sintetiza exatamente o que venho propor para aqueles que queiram trilhar esse caminho quase inglório (já que tudo já está saturado, desde temas a tratamentos) na busca de uma assinatura pessoal e renovadora.

        Agora quanto a debatermos a questão de manipulação fotográfica, teríamos que entrar num acordo técnico de manipulações aceitáveis e não aceitáveis, teríamos que formar , digamos, um ´clube estético´, e analisarmos fotos que se enquadrariam nesse ou noutro critério.

        Não estou jogando Salgado ou Bresson ou Adams no lixo. Pelo contrário, também os admiro por terem criado uma linguagem sui generis refletindo suas estéticas do instante do click até a foto final.

        Mas tenho que dizer que estaria os colocando próximos do lixo se, num cenário hipotético, descobrisse-se que certos objetos em certos instantâneos nunca houvessem existido, que houvesse uma manipulação falsa para se forjar uma linguagem fotográfica (de volta à integridade intelectual).

        Quando apontei o inicio da decadência da fotografia, quis dizer exatamente isso: que não haverá mais essa distinção possível no arquivo digital, e pensar com integridade intelectual na produção de fotos será coisa do ´passado´. Então mesmo uma linguagem nova e natural, por ex., correrá o risco de intervenções digitais tão acumulativas, que, no meu entendimento, será impossível você colocar ao lado de um fotógrafo dos ´velhos tempos´ e chamar de fotografia.

        Portanto, quando menciona a polaridade como desnecessária, tenho que dizer o contrário (polaridade como necessária), como uma espécie de salva-vidas para os tempos que virão. Pois esse anseio estético/conceitual que diz o ofício da fotografia comercial necessitar, passará cada vez mais por uma estética fraudulenta (já bastante incorporada e aceita) que direciona tanto os que estão imersos na fotografia comercial como os que estão entrando no mundo da fotografia.

        abraço (e esperando a continuação de seus artigos)

        Marcelo Voss

        6 de novembro de 2009 at 3:52 pm

      • Interessantíssimo ponto de vista, Marcelo.

        Muito bem exposto, aliás.

        Sou de natureza pragmática. Isso significa que movo-me bem dentro das limitações, que busco nas condições do tempo as oportunidades do tempo. Embora tenha citado fotógrafos do passado no artigo, é no nosso tempo que estão as questões e as oportunidades, oportunidades que não havia antes, e questões que não havia antes.

        Observe as fotos dessa cara (por acaso, no Flickr). Ele abandona a tradução clássica dos tons da fotografia, mas com isso ele mostra o mundo de uma maneira detalhista como a fotografia convencional não pode mostrar. Onde a coisa é crítica, isto é, nesse mostrar o mundo, ele é eficiente de maneira nova.

        Há nisso um aporte somente possível a partir da fotografia digital. Um aporte digital.

        Nossa missão não é diferente da missão de todos os fotógrafos do passado: temos de realizar dentro das possibilidades de nossa época. Assim foi, assim será. Não existe produção atemporal. Então penso que na sua exposição você mostra muitas questões pertinentes, mas o arranjo das questões que implica em uma solução, esse eu faria de outra forma. Da forma pragmática, pois não considero o pragmatismo uma decadência, mas sim a suprema ação humana, pois implica em não negar o mundo, em conseguir realizar dentro dele e sob suas injunções, e ainda assim criar.

        Grande abraço,
        Ivan

        Ivan de Almeida

        6 de novembro de 2009 at 4:34 pm

      • Então, vejo que sujeito que citou traz alguns aspectos de um artista ilustrador chamado Benjamin Carre (http://www.blancfonce.com/ornicar/simons.jpg e http://www.blancfonce.com/ornicar/sang.jpg), que aprecio muito.

        Mas me lembro até de termos discutido esse assunto quando se tratava de casos assim, em que a fotografia passa a ser apenas insumo do tabalho.

        Há mais pessoas (algumas mil?) fazendo esse tipo de abordagem, também. E uns preservam mais, ou menos, a imagem original. Como estes 2 aqui:

        http://www.flickr.com/photos/wazari/2780716725/in/set-72157607089536122/

        http://www.flickr.com/photos/13522184@N04/3929215404/

        Concordo que essa estética acaba-se se tornando possível por causa do advento digital. Mas, na opinião, isso caminha já para uma outra direção de como vejo a Fotografia.

        Como disse anteriormente, para se juntar ao coro desses que aparecem nos Flickr da vida, teria que me embrenhar na técnica avançada de edição digital, coisa que não está no meu plano de idéias do que eu sou e o que eu quero com a Fotografia.

        Nessse caso, aceitando todo esse aporte digital, posicionamento temporal e formas novas que proporciona, sempre acaba por nos empurrar para a posição neutra do dizer , Sim, o que há de errado com essa abordagem estética?

        Mas eu, pelo meus anos de estudo retroativo da fotografia, do que eu forjei como conceitos estéticos de averiguação, acredito que a volatilidade de trabalhos assim sempre acabarão sofrendo de um mesmo efeito que vejo acontecer e sentir há coisa de 5 anos pra cá.

        Quer dizer, impressiona-se por um breve período de tempo, e depois dilui-se e desaparece dentro do bem citado exemplo de Flusser.

        Longevidade autoral na Fotografia é coisa raríssima.

        abraço

        M.

        Marcelo Voss

        6 de novembro de 2009 at 6:53 pm

      • Mas de fato esses exemplos mostrados por você, exceto o último, afastam-se muito da fotografia e aproximam-se da ilustração feita usando fotografia.

        O caso, marcelo, é que é uma fronteira imprecisa, e não será com uma regra rídida que essa fronteira será mapeada. É caso a caso, e caso a caso vamos separando, imprecisamente, variadamente conforme o que separa, aquilo que é fotografia do que não é. É preciso que a pessoa faça uma declaração íntima de dogma, como, aliás, você fez, mas ao mesmo tempo é preciso que haja porosidade para olhar novas emergências sem as pautar pelo dogma pessoal.

        Não me acanho de dizer que minha maneira de fotografar é dogmática. Mas é dogmática para mim, isto é, para orientar o que eu faço. O que os outros fazem é o resultado que me dirá.

        Ivan de Almeida

        7 de novembro de 2009 at 2:10 pm

      • Marcelo,

        O Ivan teve a gentileza de responder por mim. E o Newton é um dos possíveis exemplos. E claro que existe uma contaminacão da moda em seu trabalho. Mas isso não é exatamente o que o Ivan vem dizendo?
        E Penn? E Avedon? E Sarah Moon?
        Mas só como curiosidade, era você que em 2006 estava interessado em tratamento dgital de PBs, ou é algum outro Marcelo Voss?
        http://forum.mundofotografico.com.br/index.php?action=printpage;topic=6656.0

        Abraços,
        Clicio

        clicio

        8 de novembro de 2009 at 11:28 pm

      • E não é essa “contaminação” exatamente a coisa mais interessante? Pois o grande barato das coisas é elas não serem puras, hígidas, mas existirem em uma existência real dentro das condições do mundo. Esse fazer dentro das reais possibilidades é que é sensacional.

        Estou convencido, Clicio, que o sensacional na fotografia é o ato do fotógrafo não visar fazer arte, e eventualmente fazê-la pensando que fez apenas outra coisa.

        Ivan de Almeida

        9 de novembro de 2009 at 12:57 am

      • Clicio

        Há uma enorme diferença entre tratamento digital e distorção digital (ou que eu estabeleci como alicerce de argumento por ´mentira´ digital: http://www.clicio.com.br/portuguese/beauty.html

        Aliás, ainda foi escrito, num texto anterior, em face à questão do tratamento, que haveria de termos um acordo técnico, caso quiséssemos entrar numa argumentação do que seria abusivo ou não, legítimo ou não.

        Como não se estabeleceu nada a respeito, entrar nessas discussões específicas agora, trata-se, de sua parte um apelo à falácia deportativa de alvo, ao ver você buscar um post antigo meu, de 2006 (pasme!), para, através dele, distorcer meus argumentos propostos nos meus textos aqui, já pela segunda vez.

        Quanto à contaminação, apenas a citei, e não a elegi moralmente boa nem ruim esteticamente, apenas como ponto argumentativo da minha questão que apontei quase em todos os meus textos, quais falo que fotógrafos comerciais quando tentam colocar seus pés fora desse círculo, não conseguem se livrar da estética que os direcionou por anos nas suas produções fotográficas (leia-se, não possuem estofo estético diferente para suplantarem-se num novo nicho).

        Portanto, coisa que, se não leu com atenção, foi tomado por algum estreitamento inconsciente ao ignorar minha proposição no momento de resposta.

        E outra: como disse ainda a você, ainda sobre essa mesma questão, em resposta a uma observação minha:

        ´E, sem polemizar, você está completamente errado quando diz que a fotografia comercial engessa e impede o trabalho conceitual sempre, em todos e por tempo indeterminado.´

        Minha resposta: ´Quanto ao seu parágrafo de eu estar completamente errado, tenho que discordar, EM PARTE. Por quê?

        – porque todos que eu observo não quer dizer TODOS do mundo; mas todos que venho recorrendo para analisar exatamente o quanto ocorre essa premissa da linguagem comercial deteriorar o conceito estético na tentativa de uma linguagem fora desse círculo. ´

        Portanto, quando pedi para apontar 2 ou 3, foi para verificar seu conceito do que era ´sensível´ e ´conceitual´, que, naturalmente, precisaria de imagens para se sustentar, e não para mostrar que minha resposta já premeditava o aparecimento de fotógrafos que conseguiram colocar o pé fora da fotografia comercial e se desvencilhar de um possível engessamento estético;. uma vez que há centenas de mil nesse mundo afora.

        Enfim, mas vamos lá….

        Irving Penn: Seria alguma dessas fotos que você considera ´sensível´e ´conceitual´, quando ele decide sair no nicho principal dele?

        essa: http://www.mocp.org/collections/permanent/uploads/Penn1991_44.jpg

        ou: http://www.artnet.com/artwork/426001664/424702358/irving-penn-opticians-window-new-york.html

        ou essa? http://www.artnet.com/artwork/425341516/116810/irving-penn-gerbera-daisygerbera-jamesonii-husky-new-york.html

        Avedon? Não vejo nada nele que valide sua proposição. A não ser que esteja se referindo a série reportagem dele através de locais no mundo e a fortuna em clicar em locais ricos em acontecimentos. Mas aí só reconheço o olhar fotográfico dele, não reconheço uma linguagem distinta. Ainda mais no clichê dos clichês em ir fotografar num instituto de doentes mentais (pasme!).

        Sarah Moon: concordo. Desses 3 citados, ela realiza a proposição. Só resta saber se o conceito final na estética de revelação vem dela ou do fiel escudeiro Patrick Toussaint (mas não é a questão aqui)

        http://lunettesrouges.blog.lemonde.fr/2008/11/16/sarah-moon-le-noir-le-temps

        E pra finalizar, o comentário dela sobre distorções fotográficas no mundo fashion:
        “Of course, if something is really bad then I will retouch it,” Moon says, “but only very little and never trying to make a woman more beautiful. I don’t need to do that. They are beautiful and it is my job to work with the light. I don’t feel it is my place to make any sort of moral judgement on people who choose to work in that way, but I suppose it does FALSIFY the approach to a human being. It’s a coded language of sex, glamour and gloss, a leveller, too, imposed for marketing reasons.”

        Bom, Clicio, you´ve done well…

        Marcelo Voss

        10 de novembro de 2009 at 8:14 pm

  41. Ivan,

    Muito bom seu artigo, a discussão é muito interessante. Você jogou a pedrinha no lago, por isso, escrevi algo em que utilizo seu texto como uma das referência.

    Se você quiser lê-lo… http://www.comtatos.net/2009/11/superficialidade-tecnica.html

    Grande abraço,

    Ronaldo Junior

    6 de novembro de 2009 at 12:48 am

    • Fui logo ler seu texto. Obrigado pela citação e link. Comento lá.
      Abraços

      Ivan de Almeida

      6 de novembro de 2009 at 12:59 am

  42. Primeiramente quero dar os parabéns pole belissimo texto.
    Agora eu penso que o conceito de “boa” ou “bela” é uma visão muito pessoal, e por isso essa discursão proposta por vc fica um pouco prejudicada. Para mim o belo é aquilo que agrada meus sentidos, e uma foto boa é uma que de alguma forma me toca intimamente, de um jeito que não é possivel descrever em palavras. Acontece que hordienamente existe um imenso fluxo de imagens, só no flickr são mais de 3 bilhões!! E o que se vê são imagens que na maioria das vezes não dizem nada, trabalhos sem caracteristicas próprias, que possuem divesos fatores que me fazem classifica-los como “fracos”. Eu sou um iniciante na fotografia, meu trabalho não é um trabalho consistente, ainda luto por um rigor técnico (latosensu) e por uma linah criativa, porém tenho fotos que dizem muito para mim, por questçoes extremamente pessoais e para mim elas são maravilhosas! Assim como trabalhos que eu considero fracos devem dizer e significar muito para uma outra pessoa. O conceito de “foto boa” já passa por um julgamento, prévio ou não, e por causa da multiplicidade de pessoas, há uma multiplicidade de conceito de belos.
    Para mim tb existem diversas categorias de fotos, mas vou me prender a uma categoria para tentar explanar um pouco. Fotografia Autoral ou artistica: Quando se propõe a fazer um trabalho de arte através da fotografia eu penso que o conceito de “boa” vai, e tem de ir mesmo na maioria das vezes, ao espaço, posi a arte não se prende a conceitos, escolas e grilhões. Fotos sem nenhum rigor técnico podem ter uma expressão visual belissima. Como dito anteriormente em um comentário, mestres ousaram em seu campo de atuação e foram reconhecidos, a ousadia é, e sempre foi amiga das artes. Agora a fotografia “autoral” tanto aqui discutida. O trabalho de um fotografo é bom pois ele guarda semelhanças entre seu trabalho autoral e comercial (não estou dizendo que vc disse isso)? Acho que não, pois são campos onde pode se haver uma divergência da produção do fotografo, visto que são 2 campos distintos. É a grande manai de hj (ou até mesmo de sempre) a mistura do trabalho comercial com o trabalho autoral, hj todos pensam em ganhar dinheiro com suas fotos, fazem fotos e depois pensam em vende-las, fazem fotos na intenção de vende-las…Não digo que isto é errado, mas nessa feijoada imagética sempre rola um “descompasso”. As pessoas ficam na nóia da venda que fazem coisas sem sentido, coisas que não marcam.
    O grande problema de hj, penso eu(e talvez pelo que eu entendi vc tb), não é a questão de uma foto ser ruim por falta de rigor técnico, mas por ela não guardar uma mensagem, são meramente imagens dispersar num oceano sem fim.
    Agora sobre o digital, assunto abordado aqui nos comentário, o problema não é a facilidade que ele trouxe, como alguns disseram, mas a preguiça e ignorância que o digital tende a infiltrar nas pessoas, as pessoas não se preucupam com enquadramento, pois hj é fácil fazer um crop, as pessoas não se preucupam na fotometria, pois é fácil corrigir, as pessoas não pensam e fazer a foto na hora, utilizando de meios na hora do clique, deixam para a pósprodução. Começei a fotografar ano passdo, com uma velha FX-D, hj já tenho mais algunhas cameras, todas de filmes, não por birra ou para ser “cool”, mas pq gosto da estética do filme, gosto de experimentar diferentes modelos de cameras, formatos e lentes, gosto de experimentar diferentes tipos de filmes e suas caracteristicas, gosto de ter de querbrar a cabeça e errar muito para fazer determinada foto que poderia ser facilmente feita no digital. Mas tb não penso em trabalhar comercialmente com a fotografia, pois provavelmente já teria minha DSLR no pescoço…
    Bom, é isso, desculpa pelos erros de portugês e possiveis desvios na linha de pensamento!

    Alfredo Mascarenhas

    6 de novembro de 2009 at 3:39 am

    • Alfredo;
      Embora cada pessoa possa achar algo bonito ou feio, e aí estamos de fato no terreno da pura subjetividade, observamos que através da história algumas coisas são reconhecidas pela maioria como melhores do que as outras, e essas tornam-se as referências para o campo. Aí já não há mais subjetividade, coisa impalpável, mas intersubjetividade, coisa relativamente fácil de abordar.
      Neste blog mesmo tenho dois artiguinhos sobre a intersubjetividade na fotografia: Intersubjetividade e Poética e Narrativa Fotográfica e Intersubjetividade. nesses artigos exponho uma maneira de ver a questão que se não dá bases absolutamente firmes de ciência exata, tira pelo menos a coisa do espaço impalpável da subjetividade.
      Há um outro artigo no qual através de um experimento quantifico o poder dessa intersubjetividade na interpretação de um contexto, através de um experimento simples. Chama-se Composição Geométrica e Significado na Fotografia.

      Por outro lado, estou atualmente convencido -e isso está no artigo- que não se tenta fazer arte ao fotografar, e sim fotografia, sendo o reconhecimento daquilo como arte coisa posterior, e não singnificando exatamente aquilo que é chamado de Arte atualmente.

      Grande abraço,
      Ivan

      Ivan de Almeida

      6 de novembro de 2009 at 11:13 am

  43. Olha Ivan,
    a um tempo não leio um texto tão coerente!
    A questão se mantem em aberto, mas…induz o pensar…o buscar as suas proprias conclusões!
    Simplesmente genial, parabens!

    Já foi encaminhado o link pra diversas listas que acompanho…todos os comentarios super positivos! Gera uma discussão muito construtiva esse tema!

    Ganhaste um fã! Abraços!

    David Campbell

    6 de novembro de 2009 at 3:59 am

    • David;
      Quando você diz que a questão se mantém em aberto, é assim que penso também. Seria tolo se quisesse dar uma palavra resolutiva sobre o assunto, mas ao contrário, penso que trazer o assunto, avivá-lo, isso em si é a finalidade de textos como esse.
      Grande abraço,
      Ivan

      Ivan de Almeida

      6 de novembro de 2009 at 11:05 am

  44. Ivan, desculpe-me, mas seu texto não é bom. Não é tão bom quanto você crê ou quanto os comentários anteriores o fizeram crer.

    Por quê? Reescreva o texto acima, substituindo as referências à fotografia pelas palavras “textos”, “textual”, “editorial”. O seu texto é exatamente isso tudo que vocẽ disse sobre a fotografia dos outros. Comum, sem característica autoral, sem originalidade, sem nada que o destaque ou o torne memorável.

    Mas, enfim, continue tentando. Um dia você aprende.

    Ah, a propósito, aguardo o próximo artigo, onde você demonstrará porque as suas próprias fotografias são boas, autorais, inseridas no ethos, e mais esse monte de palavrinhas compridas que têm o objetivo apenas de mistificar.

    Aguardo também sua resposta malcriada, em que você me mandará ler este ou aquele autor, como se não já os tivesse lido e superado… Porque o próximo passo de um autor que busca se exaltar diminuindo os outros é pressupor a ignorância do interlocutor.

    Pois seu objetivo ao escrever este artigo é claramente criar insegurança no leitor – “oh, ele sabe coisas que não sei, ele vê coisas que não vejo, portanto, ele sabe o que é verdadeiramente belo, justo e bom, enquanto eu próprio nada sei. Portanto, fá-lo-ei meu guru, não mais me atrevendo a elogiar ou criticar fotografia alguma antes de ler suas sábias palavras”.

    Felizmente, seu texto não é bom, portanto não atinge esse objetivo, nem objetivo outro algum.

    Alexis Kauffmann

    6 de novembro de 2009 at 1:22 pm

    • Alexis;

      Não me lembro de nenhum contato anterior com você que tenha criado alguma semente de animosidade, então considero que sua crítica é expressão de sua opinião sincera, que respeito. Não é por ser uma opinião negativa que será menos respeitável. Não vou defender meu texto, porque ele é o que é, não melhorará com minha defesa, nem piorará.

      Ivan

      Ivan de Almeida

      6 de novembro de 2009 at 1:42 pm

  45. Maravilhoso o texto Ivan. Sempre pensei tudo isso, mas você conseguiu organizar as idéias e colocá-las no papel, Parabéns!
    Pequeno exercício como sujestão para ilustrar o que você disse: entrar o “explore” do Flickr e ver quantas fotografias “premiadas” são em p&b, quantas são de fotojornalismo, quantas estão desfocadas, quantas têm granulação de ISO alto. hehe
    Abs.
    Leonardo
    http://www.branconopreto.com

    Leonardo Régnier

    6 de novembro de 2009 at 3:32 pm

  46. É bem verdade que a maioria das fotos são ruins, mas a maioria das músicas e a maioria dos textos também… Acho que aos poucos a seleção natural vai cuidando do que é bom, separando tudo.

    ilimite

    6 de novembro de 2009 at 3:46 pm

    • É verdade, mas não é esse exatamente o ponto do texto. Porque do ponto de vista do fotógrafo, ele deseja fazer o melhor possível e para isso é preciso distinguir o que é bom, mas não tão bom, do que é de fato bom.

      O texto não é um julgamento sobre a produção do mundo, que sempre variará. O texto é sobre cada um em relação à sua fotografia e quanto ao fato de cada um dever buscar os parâmetros de fato elevados se quiser progredir.

      Na verdade, há muitas fotografias boas. Esse é o problema. Porque são suficientemente boas para viverem no mundo por algum tempo e agradarem bastante, mas insuficientemente boas para perdurarem.

      Obrigado pelo comentário.

      Ivan de Almeida

      6 de novembro de 2009 at 3:52 pm

  47. Bom, nem sempre costumo ler muitos textos de blogs e menos ainda respondê-los.

    Primeiramente adorodei o texto, fala de muitas duvidas e inquietações que também compartilho. Inclusive creio que se formos nos aprofundar mais sobre os detalhes de cada problema apresentado no texto teriamos que passar por mais problemas, com por exemplo:

    “A fotografia digital pode mesmo ser chamada de ftografia?”

    Todo o processo de captação de imagens feitas por uma câmera digital é bem diferente do processo de uma câmera de filme. A parte da revelação (no fime) versus impressão (na digital), do tratamento da imagem na ampliação ou nos processos de revelação (no filme) versus a manipulação digital no photoshops da vida (no digital).

    Isso e outros conceitos que vieram com a massificação da fotografia, desde os minilabs com suas revelações rápidas e sem a intervenção do autor dos disparos e captura das imagens até as máquinas digitais que já mostram a imagem na hora uma prévia do resultado do trabalho, transformam totalmente o jeito de produção da imagem e tentar manter os purismos formais da fotografia seria até de uma certa forma ingenuidade nossa.

    Então talvez a melhor maneira seria encontrar um meio termo entre as perfeições e classissimos da fotografia como era desde seu nascimento e as urgências e volumes da captura digital. Ou até mesmo como dito no texto manter seu próprio jeito e por vezes enfrentar o mundo sozinho (ou quase).

    Mas realmente, parabéns é um texto para fazer pensar.

    Aexandre Alves

    Alexandre Alves

    6 de novembro de 2009 at 8:47 pm

    • Alexandre;

      Obrigado

      Vivemos em uma época interessante em termos de fotografia. Claramente ao fotógrafo já não basta decidir o ISO do filme, o contraste da revelação, etc, mas diante de possibilidades tão vastas e de tanta fotografia, é preciso mais escolhas. Isso é angustiante coletivamente e individualmente. Sentimo-nos perdidos. Se tudo pode, para onde ir?

      Ao mesmo tempo, é uma época rica de possibilidades, e exigente, porque as possibilidades devem afirmar-se entre os 4 bilhões de imagens que há em um só hospedeiro, e entre as milhões de boas imagens. De certa maneira, é à luz desses milhões que o artigo afirma que a fotografia é boa mas não tão boa.

      Ivan de Almeida

      7 de novembro de 2009 at 2:17 pm

  48. Em termos de foto digital é ponto pacífico que uma boa foto não prescinde de pós tratamento e as opções são infinitas mas todas criando algo de hiper-realidade. Dentro deste universo é a foto crível que guarda uma certa ilusão de realidade a mais difícil e exigente em termos de pt, é fácil “go crazy” imprimindo efeitos extravagantes e chamativos, mas a ilusão de realidade exige cuidado e manipulação extremamente complexa.
    É uma fronteira sutil e absolutamente invisível aos brutos, mas por outro lado o desafio mais saboroso da fotografia.
    Se analisarmos criticamente o filme também nos impunha um padrão de estética diverso da realidade, quem nunca ficou maravilhado com o azul do céu em um EPP? Apesar de ser quase uma caricatura da realidade.
    Ao observar uma cena em pleno sol, a gama e saturação dos contrastes são mais selvagens que um Velvia ou o VS que são considerados quase efeitos especiais.
    O digital nos permite tentar uma nova visão à nossa imagem viciada ao filme, ainda pensamos que uma cena desaturada é mais “realista”, quando a ilusão de realidade é menos próxima à cena verdadeira.
    Se há algo de muito particular na fotografia é a ilusão da realidade, mais intensa que em todas as outras artes.
    Abraço,
    Alex

    Alex

    7 de novembro de 2009 at 1:05 pm

    • Penso como você. Procuro na maior parte dos tratamentos conferir à foto a impressão de naturalidade, aqui entendida como uma naturalidade convencional à qual nos acostumamos devido à fotografia em película. mas é forçoso reconhecer que há outros caminhos, e que esses caminhos não são descartáveis aprioristicamente, e no meio de uma infinitude de tratamentos exagerados e algo cafonas até, aparecem possibilidades novas, e algo que, como desajavam os gregos clássicos, possui “justa medida’

      Ivan de Almeida

      7 de novembro de 2009 at 2:02 pm

  49. Ivan, de certo modo, seu texto me remeteu a Roland Barthes em seu livro “A câmera clara”, quando ele desenvolve os conceitos de studium e punctum.

    Quanto ao Flickr e outros sites do gênero,eu uso a dúvida como princípio no que se refere aos comentários. Na maioria das vezes é pura bajulação, uma espécie de moeda troca:”eu elogio a sua e você elogia a minha”.

    Jozé de Abreu

    7 de novembro de 2009 at 2:45 pm

    • José;

      É interessante, porque não gosto muito do “A câmera clara”. Acho que o livro entronifica uma visão Realista da fotografia, e para mim o conceito de puncutm, que é algo que insurge na fotografia apesar do fotógrafo, é a ratificação desse realismo, pois tão realista é a idéia que concebe um conceito que irrompe da realidade sem ser parte do ato fotográfico.

      Essa história do Flickr… muitos já escreveram aqui defendendo o Flickr ou dizendo que também há coisas boas lá, mas o Flickr aqui foi usado apenas como exemplo-paradigma, não querendo com isso reduzi-lo mas sim falar de um corpo de imagens que circula principalmente através da rede e que, bem ou mal, torna-se pregnante para a noção da fotografia que se faz hoje.

      A cultura do elogio é perniciosa. Mas há algo pior: o elogio sincero, mas equivocado…

      Porque temos de entender que diante da enorme massa de fotógrafos, de novos fotógrafos, de iniciantes, etc, é natural supor um nível de exigência baixo, principalmente em referência aos aspectos narrativos da imagem. As imagens são em grande parte fórmulas: fórmula de silhueta, de pôr-d0-sol, de retrato desfocado, de água escorrida, e assim por diante. E uma enorme massa de fotógrafos iniciantes cria uma enorme massa de elogios sinceros, porque postados a partir de suas visões do assunto nas quais dominar a máquina para cumprir uma fórmula que resulte em uma fotografia vistosa é tudo o que se deseja. Essa massa de elogios sinceros atua como um incentivo à repetição, visto que, quando o indivíduo abandona o trilho das fórmulas os eleogios diminuem imediatamente. O Behaviorismo chama isso de “Contingência de Reforço”, isso é, uma circusntãncia que premia certo tipo de comportamento, e assim o perpetua.

      Ivan de Almeida

      7 de novembro de 2009 at 3:21 pm

  50. Não só imprecisa como quase impossível de quantificar. Mas o fenômeno está lá, Ivan. E crescendo.

    Eu, já vi muitas fotos, acredite; já pesquisei muito até para construir a minha fototeca digital. E posso dizer que a curva temporal de fotógrafos que satisfizeram meus apreços estéticos, que me oferecem maior força de alavancagem existencial, vem do inicio da fotografia e vão até meados dos anos 80.

    Não estou implicando que a fotografia feita após essa constatação temporal não oferece valor. Pelo contrário, a curva continua, mas com menos intensidade numerável, entende?

    Quanto ao olhar essas novas emergências, eu olho; mas minha capacidade analítica (construída após muita leitura e análises qualitativas e comparativas de imagens) já descarta muita coisa.

    Acredito eu por querer solidificar o forjamento de uma estética pessoal – via alienação necessária – já esboçada que venha se manifestar vigorosamente em alguns anos ainda (mas isso não vem ao caso e é temporalmente especulativo).

    Quanto ao dogmatismo, é precisamente o que escreveu. No final, se trata somente a respeito de nós mesmos e nossa ligação com a Fotografia. Até acredito que minhas respostas acabei que escrevendo para mim mesmo, como uma forma de tentar organizar minhas concepções atuais de como vejo as fotografias de outrem nesses tempos alfabetização via valores midiáticos.

    Marcelo Voss

    7 de novembro de 2009 at 3:49 pm

  51. Perfeito seu texto! Parabéns! Destaco essa frase: “pois pessoas não são computadores, ou quando fazem-se de máquinas sacrificam algo de si”

    Sim… Sacrificam o que só o ser-humano tem: a arte de criar.

    Abraços!

    Luciana Luz

    7 de novembro de 2009 at 9:11 pm

  52. Ivan, suas palvras são verdadeiras.
    O caminho para definição do trabalho fotográfico é tão complexo quanto seus caminhantes.
    São marcas em areia.

    amcarvalho

    7 de novembro de 2009 at 9:13 pm

  53. […] Desculpe-me, meu amigo, mas sua fotografia não é tão boa… Não, não… Desculpe-me, amigo, mas sua fotografia não é boa. Ou não e tão boa quanto crê ou quanto lhe […] […]

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    8 de novembro de 2009 at 12:14 am

  54. Ivan, vou colar aqui o mesmo que disse num fórum, dialogando com teu texto. E colo aqui porque sei da tua saudável preocupação de manter teus textos juntos num lugar. E creio que o mesmo serve pros comentários.
    E ainda não li os comentarios dos outros colegas (que contumam ser riquissimos também e gerar mais coisas a responder), então creio que depois voltarei com mais divagações 🙂

    Segue:

    O texto faz eu sentir que não sou o único que olha, por exemplo, o “Explore” do flickr e acha 99% sem graça E/OU originalidade.
    Deviam escolher 50 por dia, mas 50 bem escolhidas. Aquilo lá parece feito por sorteio, e daí dá sorte de algumas realmente serem interessantes.

    “a fotografia digital estipulou requisitos diferentes para uma fotografia ser considerada boa”. Bom, indo contra a corrente, pra mim o advento do digital só passou a tornar mais difícil uma fotografia ser BOA. Principalmente porque hoje fica bem mais acessível fazer uma foto boa. Entao, na minha lógica, passa-se a nivelar por cima. Como é um pouco mais fácil (ou menos difícil) fazer uma BOA, passa-se a exigir que seja mais que boa. Ou melhor, não é “passa-se”, é “eu passo”.

    “Contudo, parece que na produção normal atual essa abordagem pessoal, essa visão pessoal, essa autoria é desnecessária e até evitada.” Concordo totalmente. E graças a deus antes de eu aprender a pensar um pouco na “cultura fotográfica” eu ja tomava o rumo contrário, de botar SIM “minha marca” nos trabalhos que faço. E por sorte, quem me procura já vem em busca disso.

    “Significa haver nas fotos de fulano um depoimento visual característico e forte suficientemente para nos lembrarmos dele. Significa que suas fotos são um depoimento a partir de sua forma de ver o mundo.” É isso ae! E sabe o que é mais legal? É que não é preciso nenhum grande esforço pra isso. Precisa “apenas” o fotógrafo ser a pessoa que é. Precisa “apenas” não se deixar levar por mecanicismos, modinhas, regras delimitadoras. Como disse o bom Quintana, “Quando deparamos com o estilo natural, ficamos pasmados e encantados, como se esperássemos ver um autor e encontrássemos um homem”. Evidentemente, aqui a palavra “autor” parece tomar o sentido de “profissional” do texto do Ivan, e “homem” toma o sentido de “autor”.

    “Porém, significa que, dentro do ethos da fotografia, o autor procura seus espaço autoral fazendo fotografia, fazendo a fotografia de seu gênero de predileção ou de trabalho, e não tentando fazer arte. Fazer arte não faz parte do ethos da fotografia, hoje estou convencido disso. Mas manifestar um discurso visual de autor sim. Não existe fotografia de boa qualidade sem essa manifestação de autoria. A arte? Essa pode ser identificada à posteriori, mas na fotografia nunca será a mesma arte das Artes Plasticas, e quando se tenta fazer atrtes plásticas pela fotografia não é mais fotografia. A fotografia torna-se tão somente meio, e a produção ignora a questão fotográfica mesma.”
    É, este trecho diz tudo. Devia ser o ensinamento numero um das escolas de “artes” plásticas e principalmente de fotografia. Eu sempre abominei a expressão “foto-arte”. Fazer algo pensando em fazer ARTE é o primeiro passo pra um resultado superficial e irrisório. E na verdade, Ivan, isso que tu diz que pode ser aplicado às artes plásticas mas não a fotografia (criar algo já com o conceito ARTE na cabeça), pra mim nem as artes plasticas serve…

    Por enquanto é isso.

    Um grande abraço, Ivan.

    Xiru

    12 de novembro de 2009 at 9:35 pm

    • Xiru;

      Rico comentário. Sobre a fotografia digital, não discordo da sua colocação. É assim mesmo que pretendi ser entendido, embora não quisesse fechar muito o significado. Se notar, parece que esse trecho gerou um grande número de comentários.

      Obrigadão.
      Grande abraço,
      Ivan

      Ivan de Almeida

      12 de novembro de 2009 at 9:58 pm

  55. Tenho que não existe fotos boas ou ruins.
    toda foto, como registro que é, são boas.

    o que temos de separar é o gosto pessoal, do valor que aquela fto tem para seu dono, isto é o que importa.

    É verdade que vemos bilhoes de fotos em galerias virtuais, quer se mostrar as fotos de qualquer forma, quer se fazer conhecido q qualquer custo, nisto há um sem fim de fotos que certametne, não irá agradar a todos, mas é como mulher feia, sempre tem quem dela goste e se apaixone.

    Percebo muito neste mundo virtual (blogs, fóruns, sites e assemelhados) um sem fim de invejosos e de falsos conhecedores de arte, técnica e tudo que circunda este meio. Me incluo neste grupo, porque connheço pessoas que vivem da arte e não gostam de Cartie Bresson, Robert Capa, Ansel Adams, Sebastião Salgado e outros tantos, mas também coheço pessoas que, vivendo da mesma profissão adoram estes ícones, o que todos tem em comum? Apenas dizem sobre sou gosto e visão de arte, não ficam com parca impressão de ser o maior entendido em fotografia e suas técnicas.

    Então, se cada um souber respeitar o que representa a foto para aquele que a fez creio que blogs, foruns e assemelhados continuarão a viver.

    Cada um tem um gosto, cada um tem um nível de informação, por isto é que acaba não publico minhas fotos em fóruns ha mais ou menos 2 meses, a foto é minha, gostem ou não dela e até tem algumas que eu mesmo não gosto, mas não excluo nenhuma, todas que eu faço são arquivada em dvds.

    Agora uma questão eu compartilho, quando uma foto é feita para fins publicitários, esta sim deve estar em conformidade coma as regras e tratadass de um modo diferente, neste caso, não se pode errar.

    Abraços

    Ricardo Lou

    Ricardo Lou

    30 de novembro de 2009 at 7:54 pm

  56. Belo texto, Parabéns! Hoje em dia a fotografia não é mais vista como a visão critica, muito menos se tenta entender o que aquele momento representou/representa para o autor do clic, hoje em dia acham que uma boa fotografia é aquela que tem “acima 1000 views”, está limpa, tudo em foco, etc… É lamentavel. Com a entrada das digitais em massa foto virou uma coisa normal, sem alma, sem coração. Logico que se tem “n’ fotos boas e que marcam, mas tem “n+1” que não dizem nada e jamais irao marcar a memoria. Ver foto na tela do micro é uma coisa, ver a foto impressa no papel são outros 500. Tiro as fotos para mim, é o meu ponto de vista e os outros que acham que a foto não é boa, que pelo menos falem com embasamento tecnico/critico decente que a foto não é boa, pois simplesmente falar que a foto é ruim é inaceitavel. Sds,

    Leonardo

    3 de dezembro de 2009 at 12:32 pm

  57. Ivan,

    Boa noite.

    Acompanho e reflito através dos seus textos ( há tempos ) – nada aqui é dispensável.
    Esse artigo,em especial….merece mais que comentários- horas e horas de conversa.

    Para mim (e o que sempre passo aos meus alunos) é que a técnica fotografica e o pós-prtocessamento é como andar de bicicleta…é fácil- têm regras. O que te diferencia é seu discurso. É sua forma de transformar palavras e emoções em imagens. Acho que isso atravessa suas colocações…..sobre as quais, preciso pensar.
    E quero escrever.

    beijo

    Andreia Bueno

    Andreia Bueno

    10 de dezembro de 2009 at 10:53 pm

  58. Olá, Ivan

    Depois de todo esse tempo estou aqui, para comentar esse seu texto que repercutiu tanto. A primeira antítese que você levanta é entre o correto — conquanto banal — e o extraordinário. Você já sabe da minha posição: a supremacia da fotografia bonitinha, mas ordinária, vem especialmente da sobrevalorização dos aspectos de operação da câmera no fazer fotográfico, seja nos cursos, nos livros, na internet. Deixa-se de lado, na maior parte dos casos, elementos da fotografia tão ou mais importante que não se relacionam ao apertar de botões, mas na construção de uma linguagem, de um processo coerente e consciente de expressão própria.

    O segundo contraponto interessante é entre a massa de fotografias publicadas a cada instante e o pessoal, o íntimo. Sempre que penso nessa questão, algo me diz que é preciso desenvolver alguma forma de crítica particular que valide a própria produção, pois o tipo de retorno que temos através da web é muito pobre. Seja pelo desenvolvimento da própria sensibilidade, pela seleção de interlocutores cujas opiniões sirvam de guia ou através da obtenção de alguma finalidade útil para a fotografia (pensando nos amadores), é preciso ter algum tipo de retorno mais sólido e válido.

    Em relação ao tema geral do artigo, parece que a grande quantidade de produção fotográfica dessensibiliza em relação ao que é de fato relevante. Olha-se pouco para o conteúdo e muito para a forma. O pior é que há uma certa dicotomia entre os utracorretos, tecnicistas e os experimentais. No entanto, a boa fotografia não é apenas fazer A ou B, e sim todo um processo no qual o método é mais um elemento. No meio disso tudo, a mediocridade satisfaz e é vista como o máximo.

    Abraços.

    Rodrigo F. Pereira

    28 de dezembro de 2009 at 1:57 am

    • Rodrigo;

      Peso ser o domínio da imagem comum (bem ou mal executada) um reflexo do grau de cultura e de preocupação sobre estética, sobre poética, sobre comunicação e, porque não dizer, sobre arte. Como poderia, uma sociedade tão voltada para um mundo pratico de condução midiática produzir algo diferente daquilo que nela é endêmico?

      Há muito tempo, você sabe disso, sou meu principal crítico. Ninguém pode saber onde quero ir, então não posso guiar-me completamente pelo que leio. Isso é diferente da surdez onipotente, pois das críticas se pode entender o viés, o sentido, etc, e obter delas aquilo que cada uma pode dar, mas ao fim e ao cabo somos nós mesmos que devemos afirmar: isto é minha obra. E isso sempre será um ato de Prometeu. Ninguém o amparará.

      Ivan de Almeida

      28 de dezembro de 2009 at 3:35 pm

  59. Seu Ivan, cheguei aqui pela primeira vez nem sei como. Não importa. Li o seu magnífico post e não podia estar mais de acordo. É a habitual confusão entre artista e artesão, fazer bem feito não significa ser criativo, pode ser só reprodutor.

    Actualmente com o digital, fomos envidados por milhares de “fotógrafos” que exibem as suas pirotecnias como se fosse Prometeu a trazer a luz. Pior ainda com os telemóveis…

    Estas discussões nunca estão de facto acabadas e não são simples, e ainda bem.

    O mundo dos blogues então até dá dó, há milhares de blogues de fotografia, muito poucos de fotógrafos.
    Ao falar assim, vai dizer, quem é que este se julga que é? Pois, nada de especial, não tenho pretensões a ser considerado um fotografo a sério, o que procuro nas fotos é uma narrativa, contar uma história ou fabricar um evento ou realidade alternativa, nada de especial…

    Mas, como comentador em blogues de amigos (e em fotografias de amigos que comigo fazem exposições), custa-me muito fazer a sua afirmação, prefiro não dizer nada, mas muitas vezes penso de facto que aquilo não assim tão bom…

    Até logo

    Caçador

    10 de janeiro de 2010 at 6:32 pm

  60. Foto boa para mim é aquela que o meu cliente gosta e ponto final! Porque no final das contas, é ele quem paga as contas no final do mês!

    Valdecir Carvalho

    27 de janeiro de 2010 at 7:11 pm

    • Valdecir; Nem toda resposta simples -esta é uma- dá conta do problema. O que seria da pintura do Van Gogh por esse critério seu? Afinal, ele não pagou nenhuma conta pintando…

      Ivan de Almeida

      31 de janeiro de 2010 at 9:55 pm

  61. Sensacional… até que enfim achei alguém que compartilhasse da mesma opinião que eu

    Arthur FG

    5 de fevereiro de 2010 at 2:58 pm

  62. Prezado Ivan, obrigado por manter este site excelente, desde que adquiri minha nikon d60 para fotografar os trab alhos de minha esposa em seu atelie procuro na internet mais informações de como posso desenvolver as técnicas e pós tanto pesquisar e clicar encontrei aqui um divisor de águas para meus singelos trabalhos.
    o seu site é nota 11

    CARLOS

    16 de fevereiro de 2010 at 2:48 am

    • Obrigado, Carlos.

      Ivan de Almeida

      16 de fevereiro de 2010 at 8:55 pm

  63. Mais uma vez, a pura expressão da verdade. Parabéns pelo artigo, que aliás foi citado como “Vale a pena conferir” assim como o Blog na “Revista FHOX” de Fev/2010.
    Abraços

    Itauri C.SOUSA

    17 de fevereiro de 2010 at 8:26 pm

    • Obrigado pelo comentário e pela notícia, Itauri
      Abraços

      Ivan de Almeida

      8 de março de 2010 at 1:32 pm

  64. Desculpe Ivan…
    As suas fotos também não são tão boas assim… E nem as minhas ou de outro fotógrafo qualquer…
    Aposto que se Cartier Bresson vivesse nos dias de hoje, seria somente mais um no mar de imagens do Flickr…
    E ele não tinha assim um “discurso” tão elaborado como todos querem fazer crer…
    Era um bom fotógrafo e só… Esse pedestal que criaram para as fotos dele não passa soimente de “negócios” criados por burgueses europeus…
    Essa estória de definir o que é bom ou ruim numa imagem é muito relativa… Claro que temos que dominar a técnica da fotografia… Mas a abordagem do tema e, sobretudo, se eu ou você achamos “bonito” ou “interessante” ou mesmo “genial” é só um padrão pessoal ou de grupos de pessoas…

    Silas

    1 de junho de 2010 at 2:49 am

    • Silas;
      Em todos os campos de atuação há melhores e piores, não é só questão de gosto.

      A escolha das referências baseia-se na percepção da diferença de qualidade. Evidentemente, nem todas as pessoas percebem qualidade da mesma maneira, mas o artigo fala exatamente sobre isso, sobre o fato de ser necessário ignorarmos até certo ponto os julgamentos oriundos de públicos pouco adestrados em artes visuais, pois esse público privilegiará o espetáculo sobre a profundidade.

      É assim em todas as artes, na música é muito evidente ser o maior sucesso, as maiores vendas, serem obtidas por autores descartáveis em grande parte das vezes. É bastante claro que O Código da Vinci vendeu centenas de vezes mais nos últimos anos do que O Estrangeiro, do Camus, mas daqui há 20 anos o Estrangeiro continuará sendo o que é e O Código da Vinci será esquecido.

      Ser atento a isso, inclusive a respeito da própria obra é preciso. Do contrário a pessoa orientará sua produção para o gosto fugaz.

      Evidentemente, isso só se aplica a uma visão autoral da fotografia. Para vender e sustentar-se da atividade, pode ser necessário adotar o atendimento aos padrões de espetaculosidade ou de estética social endêmica, aquela de fácil aceitação e pouco exigente ao observador, mas também pouco marcante.

      Ivan de Almeida

      2 de junho de 2010 at 1:55 pm

  65. […] que é uma boa fotografia??? Outro dia estava lendo um ótimo texto de “Ivan de Almeida” ( aliás, gosto muito de seus textos… eles nos levam a refletir) sobre o que é ” uma […]

  66. […] 6, 2010 por robsonvieira Deixe um comentário Outro dia estava lendo um ótimo texto de “Ivan de Almeida” ( aliás, gosto muito de seus textos… eles nos levam a refletir) sobre o que é ” uma […]

  67. […] dia estava lendo um ótimo texto de “Ivan de Almeida” ( aliás, gosto muito de seus textos… eles nos levam a refletir) sobre o que é ” uma boa […]

    O QUE É UMA BOA FOTOGRAFIA? «

    29 de dezembro de 2010 at 1:47 pm

  68. Ivan;

    Como eu disse no outro comentário, este artigo me marcou muito… Ele redefiniu o objetivo da minha fotografia e me fez amadurecer muito…

    Hoje eu acredito que as minhas fotos melhoraram muito. Só não comentei aqui no blog antes, por ainda estar digerindo e amadurecendo as informações dentro de mim e entendo como isto se reflete nas minhas imagens, tanto na composição, quanto na estética e na interpretação do tema.

    Abraços

    Jefferson

    12 de abril de 2011 at 12:40 pm

    • Muito obrigado, Jefferson.

      Este blog tem uma certa radicalidade, a radicalidade de ser emergência de minhas próprias inquietações e não algo geral. Quase que em cada artigo respondo algo a mim mesmo, e exteriorizo essa resposta parecendo depois ser um assunto impessoal -risos. O ótimo disso é essas respostas repercutirem e servirem aos outros, por essa maravilha da comunicação humana. Mesmo por isso, sempre, se reparar, respondo aos comentários, porque ao respndê-los essa reverberação alheia volta-se sobre minha questão original e a amplia, e muitas vezes há comentários, como o seu, uma síntese extremamente precisa do artigo, que lançam o assunto em novos níveis. Acho que o leitor deste blog, além dos artigos que escrevi, tem um material fantástico formado pelos comentários dos colegas fotógrafos.

      Um grande abraço,
      Ivan

      Ivan de Almeida

      12 de abril de 2011 at 12:52 pm

  69. […] dia estava lendo um ótimo texto de “Ivan de Almeida” ( aliás, gosto muito de seus textos… eles nos levam a refletir) sobre o que é ” uma boa […]

    O QUE É UMA BOA FOTOGRAFIA? «

    21 de junho de 2011 at 6:10 pm

  70. Meu amigo! Parabéns pelo texto tão bem escrito! Não há dúvidas que além de um excelente fotógrafo (artista), você é um excelente escritor. Parabéns.

    Elias Fernandes

    9 de dezembro de 2011 at 10:19 pm

  71. “Desculpe-me, amigo, mas sua fotografia não é boa…”

    – Desculpe-me, amigo, mas isso depende de quem olha a fotografia.
    Adorei, alias, adoro o seu blog, pois continuo lendo apesar do titulo acima se ter “metido” um pouco comigo 🙂

    Partilho a mesma opinião do Ivan: “O julgamento das próprias fotos deve sempre, sempre, sempre, sempre, ser feito pelo autor.”

    Excelente seu blog! Muito informativo com textos exemplares, agradável de se ler.
    Sinceros parabéns!
    Obrigadíssimo.
    Olga

    olga

    1 de novembro de 2012 at 12:34 am

    • Sou eu quem lhe agradece, Olga.

      Este blog foi surgindo enquanto eu pensava na fotografia a partir de minhas próprias questões sobre ela ao fotografar. Não questões abstratas, consideradas só para escrever, mas questões que apareciam na vida cotidiana. Este ano parei de postar por um tempo -voltei há uns dias- simplesmente porque para mim a fotografia deixou de apresentar questões novas. Como se ela já tivesse sido compreendida no essencial (para mim).

      Abraços
      Ivan

      Ivan de Almeida

      1 de novembro de 2012 at 12:56 am

  72. Sempre tenho essa sensação de que estou apenas olhando milhares de imagens vazias. Toda vez que vejo o explore do flickr penso que boa parte daquelas fotos são horríveis. É a mesma coisa com relação ao instagram, muita gente achando que só tira foto bacana porque usou um iphone e depois editou com um filtro retrô. Ou que é um grande fotógrafo porque usou um equipamento super caro da Nikon.
    Para mim, uma fotografia é um texto, e como todo texto, transmite uma mensagem. Eu, quando leio uma imagem, considero ela boa se a mesma conseguir transmitir uma mensagem que me faça pensar ou sentir algo, como nostalgia, tristeza, alegria.
    Também considero que um texto dependa da interação autor/texto/leitor. Nesse caso, a mensagem que uma fotografia transmite vai depender, e muito, da interpretação de quem a observa. Quando olho para uma fotografia de Sebastião Salgado que mostre alguma situação de pobreza na África, por exemplo, ela prende a minha atenção, e naquele momento me faz pensar em como a sociedade funciona, além de despertar a minha preocupação e a minha compaixão com o próximo. No entanto, para outro leitor, aquela imagem pode ser só mais uma entre tantas imagens de pobreza na África. Para aquele leitor, é apenas repetição do que ele está acostumado a ver em várias mídias.
    Nesse sentido, uma fotografia boa vai depender de quem a observa. Detesto as fotografias de Terry Richardson por achá-las repetitivas, sexistas e sem graça. Eu olho paras as fotografias dele e penso: “grandes coisa, qualquer um pode fotografar um rosto bonito ou famoso tendo como plano de fundo uma parede branca”. Por outro lado, milhões de pessoas o consideram um fotógrafo incrível.
    Com isso eu quero dizer que para uma fotografia ser boa, vai depender da intenção do autor, das técnicas aplicadas na hora do registro e da edição, do contexto em que ela se encontra, e, mais do que tudo, do que essa foto transmite e/ou significa para seus observadores.
    Para muitas pessoas fotografia não exige compromisso, serve como registro, pra lembrar de algo, pra mostrar a alguém, e assim qualquer foto cumpre seu objetivo se agradar ao autor e ao público, qualquer foto pode ser boa satisfazendo essas necessidades. Para outras pessoas fotografia exige dedicação, precisa ir além do comum, e, para estas pessoas, uma fotografia boa não pode ser qualquer uma, tem que ser aquela que apresenta um diferencial.
    No final das contas, aquilo que é bom vai depender do gosto e das necessidades de cada um.
    Desculpe pelo comentário extenso, e obrigada por passar lá no meu blog.

    Rafaela de Oliveira

    20 de abril de 2013 at 6:45 pm

    • Rafaela. Fui eu quem gostou do seu blog, aliás gostei muito. Recomendei no facebook aos meus contatos.

      Concordo completamente com você. A maioria das fotografias é ruim, e há uma busca tola de reprodução de tipos, então essa reprodução de tipos é geradora de uma repetição tola, tosca, chata.

      Embora a relação com o observador seja uma relação pertinente, há observadores mais educados em formas, em simbolismos, e há outros menos. E a educação formal faz diferença e muito. Fui arquiteto no passado, e há uma diferença entre o ivan que entrou na faculdade e o ivan do meio pro fim e depois. Uma educação de formas. Mudou minha maneira de fotografar. Mudou minha meneira de desenhar. E educação de formas me fez ver de maneira diferente isso.

      Obrigado,
      Ivan

      Ivan de Almeida

      20 de abril de 2013 at 8:29 pm

  73. Não entendo muito de fotografia, e nem me considero uma fotógrafa amadora, e sim uma entusiasta. Estou começando a gostar desse tipo de arte. Este blog é muito importante para uma novata como eu.

    Parabéns Ivan! Gostei muito desse texto.

    Eu sei que minhas fotografias não são boas. kkk Afinal, ter uma câmera compacta e tirar fotos de paredes portas e tetos, não é muito chocante. Vou acrescentar os pisos e as janelas. Mas no fundo, achei uma boa forma de utilizar uma câmera que não tem muito recursos.

    Parabéns pelo blog Ivan!

    Rosane Maria

    28 de agosto de 2013 at 1:48 pm

  74. “Esta é a minha fotografia! Aqui estou dizendo algo, algo de minha maneira de ver a existência.” Ivan de Almeida

    Jamais vou me esquecer dessa frase!

    Vou indicar esse blog a os membros do grupo pelo qual eu participo no Facebook (Fotógrafo Amador).

    Rosane Maria

    29 de agosto de 2013 at 7:56 pm

  75. Parabéns IVAN pelo seu texto que vai de encontro ao ego da grande maioria “dos fotógrafos”. Tratar um assunto como esse é extremamente delicado. Abraços TD.

    Tiago D.

    11 de novembro de 2013 at 3:41 pm

    • Fiquei surpreso com a frequência recente a esse texto, um dos mais antigos deste fórum, e agradeço a vinda e a opinião.
      Abraços,
      Ivan

      Ivan de Almeida

      12 de novembro de 2013 at 11:35 am

      • Ivan. esse seu texto foi publicado em um site de forma indevida, sem a indicação correta de seu nome, parecia ser outro o autor. Ainda hoje achei o texto em outro site que não indica a autoria de forma correta apenas cita o nome de seu blog mas no final tem um agradecimento para outra pessoa. Quando apareceu seu texto no primeiro site (acho que já foi retirado) causou uma discussão em alguns grupos e o texto foi novamente divulgado. Como é um excelente texto as pessoas começaram a comentar e elogar novamente. Mas ainda tem cópias onde não consta seu nome como autor, só cita o blog. Vale a pena dar uma busca e verificar como está. Abraços. .

        Oziel Reichelt

        12 de novembro de 2013 at 1:23 pm

      • Oziel;

        É uma questão dificílima. Porque fazer-me fiscal dos textos que postei pode me fazer desistir definitivamente deste blog, pois claramente não é para mim nada em termos de fonte de renda ou coisa assim. Meus pensamentos aqui foram pensamentos que na época em que os escrevi eram questões para mim, não os escrevi exatamente para ter prestígio ou coisa assim, sou meio indiferente a esse prestígio. Sou o que sou, e já dá muito trabalho viver, você sabe disso, então minhas buscas não são buscas de fama ou prestígio, mas sim desenvolvimentos do meu pensar. Quando escrevemos um artigo ele nos leva a aprofundar o assunto, nos leva a detalhar nosso pensamento, e, paradoxalmente, aprendemos conosco mesmo.

        Tenho pensado sobre isso. Ainda não decidi o que vou fazer. Há um fator que é interessantíssimo, o número de visitas a esse blog tornou-se enorme nesses dois dias, então é um paradoxo, o errado traz leitores…

        Um abraço grande,
        Ivan

        Ivan de Almeida

        12 de novembro de 2013 at 2:37 pm

      • Ivan, sempre admirei sua forma de pensar e continuo admirando. Sei que não quer fama, só penso que não é justo atribuir a autoria a outra pessoa. Mas entendo o que faz e realmente o texto voltou a ser discutido com muita força, principalmente porquê é bom. Essas discussões sempre são válidas. Parabéns novamente.

        Oziel Reichelt

        12 de novembro de 2013 at 3:34 pm

  76. Ivan, seu texto polemizou. Foi bom, buscou reflexao. Depois disso fiquei curioso por suas fotos e tenho que te dizer: Desculpe-me meu amigo, mas a sua fotografia nao é tao boa. E digo mais, sua fotografia é muito ruim!

    Fabio

    12 de novembro de 2013 at 3:24 am

    • Fabio;
      Você tem todo direito de ter sua opinião sobre a minha fotografia, embora este blog não seja exatamente sobre uma ou outra.

      Ivan de Almeida

      12 de novembro de 2013 at 11:34 am

  77. Sebastião Salgado, numa entrevista para o Roda viva, anterior a este último…afirmava que fotografia não é Arte. eu não me sinto artista ao fotografar, e sim um fotógrafo em busca de um cenário, uma luz, um referente…E dizia Décio Pignatari…é da quantidade que vem a qualidade! Talvez uma revolução na fotografia, assim no na escrita, na fala…De certo modo concordo com o texto. Porem acredito que tudo seja válido em questões de fotografia, ou imagem, como queira chamar. Ou entramos naquele discurso sobre oque é imagem e o que é fotografia? Assim estamos comparando película X JPG. Mas eu, particularmente, Sempre preferi e prefiro o que vejo e da forma que a percebo…Não tenho a técnica de Salgado, nem o grão do revelado…mas enfim, tudo se aprende!

    Bruno Piccoli

    14 de novembro de 2013 at 12:40 pm

    • Gostei das suas fotos com luz negra. Bem legal a ideia.

      Como já disse, minha escrita aqui mais reflete minha busca do que a busca de ser isto, aquilo, teórico, reconhecido, o escambau. No estágio de vida em que estou, tanto faz, não busco essas coisas. Os artigos neste local surgiram de pensamentos meus sobre o assunto, foram escritos quando o assunto me colocou uma questão, uma busca de compreender. Escrever aqui me obrigou a organizar esses pensamentos, completar lacunas deles para explica-los. Sempre agradeço os comentários, fico feliz dos textos serem vias de contaminação de pensamentos -todos nós somos contaminados por pensamentos, não somos os inventores do mundo, embora o arranjo do assunto possa conter algo a mais, algo novo, digamos assim.

      Abraços
      Ivan

      Ivan de Almeida

      14 de novembro de 2013 at 12:59 pm

  78. Ivan, achei sensacional seu texto…eu não sou fotógrafa profissional mas depois que comecei a me aventurar a fotografar shows de rock e heavy metal fui me apaixonando e fiz cursos e investi em uma DSRL e uma lente boa (ainda não a ideal mas chego lá)…aos poucos tô aparecendo no mercado e começo a ser chamada para fazer trabalhos remunerados…todos gostam das minhas fotos, menos eu…e seu texto veio bem a calhar….a foto boa não necessariamente é aquela com nitidez, foco e exposição perfeitas mas aquela que transmite algo…várias pessoas dizem que eu tenho um “bom olho” mas eu não gosto de minhas fotos pois ainda acho que preciso aprender melhor a técnica pois acho que minhas fotos não são nítidas…não gosto de tratar imagem, não sei usar photoshop e nem lightroom, não gosto de fotos com excesso de filtros, uso um programa apenas para ajudar na nitidez e ruídos que são meus maiores problemas em fotos de shows…sei que devo aprender a tratar a imagem pois se quero me tornar profissional devo estudar sempre…mas quando o cliente fala que minhas fotos são sensacionais eu me questiono porque me cobro tanto?
    se puder e tiver tempo e paciência gostaria que desse uma olhada e me dissesse com franqueza o que posso melhorar ou se devo desistir da carreira..rs…obrigada e sucesso!

    Karlaa

    21 de novembro de 2013 at 4:58 pm


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