Fotografia em Palavras

visões sobre a prática fotográfica, por Ivan de Almeida

Aquela Fotografia (POEMETO)

com 9 comentários

Aquela Fotografia

23 de fevereiro de 2012

Aquela fotografia não é minha.
Lembro-me de tê-la feito, contudo.
mas agora a vejo e ela é
fora de mim, outro percurso.

Agora a vejo e nela penetro,
Esquecido de que a fiz.
Terei mesmo feito? Não importa.
Não me lembro se a fiz certo,
se a fiz direito ou torta.

Olho para ela,  agora coisa externa.
O tempo rompeu o vínculo
e já não a creio minha.
O tempo a deixou sozinha para contar sua lenda,
e sem ninguém que a prenda,
fora de mim fica eterna.

Quando ainda em mim, era desejo.
Era apego, e eu não a via.
Via outra coisa, via minha vã elegia,
E nela eu vivia preso.

Agora é outra e posso vê-la
Até me surpreendo por tê-la feito, um dia.
Um dia era eu, agora é  fotografia.

.

Escrito por Ivan de Almeida

fevereiro 23, 2012 às 1:32 pm

9 Respostas

Assinar os comentários com RSS.

  1. Ivan,

    Feliz coincidência me deparar com esse “poemeto” num momento em que estou revisitando fotos minhas feitas nos últimos seis anos.
    Tenho passado por essas mesmas sensações ao revê-las…

    Forte abraço!

    Rogério Martins

    Rogerio Martins

    fevereiro 23, 2012 em 3:42 pm

    • Obrigado, Rogério.

      A forma poética de dizer é engraçada, porque sintética mas profunda. Em um artigo, sei lá, talvez nunca o escrevesse, e caso escrevesse seria sem a mesma capacidade de transmitir. Sei que é estranho postar um poemeto desses num blog de teoria fotográfica, mas por outro lado, ele fala de coisas que fazem parte disso, só fala de outra maneira.

      O poemeto naceu da observação de uma foto já de alguns anos.

      Abraços

      Ivan de Almeida

      fevereiro 23, 2012 em 4:00 pm

  2. Queria deixar aqui os meus parabéns amigo Ivan
    Adorei este teu “poemeto” delicioso

    abraço

    fernando pinho

    fevereiro 23, 2012 em 7:06 pm

    • Obrigadão, Fernando.

      Posso me orgulhar de manter o único blog de fotografia no qual o autor tem a cara de pau de publicar poemetos -risos.

      Abraços

      Ivan de Almeida

      fevereiro 23, 2012 em 7:24 pm

      • É verdade que sim Ivan, aprecio muito o teu trabalho, o teu rigor e prestimosa ajuda para que a fotografia seja mais do que um mero ato mecânico.
        Muitas são as vezes que te indico aos meus alunos para que eles percebam como tu transformas o aparentemente complicado em coisas super simples.
        Um abraço para ti amigo

        fernando pinho

        fevereiro 23, 2012 em 8:06 pm

  3. O distanciamento nos trás maravilhas ao olhar :)

    Adorei o poema, Ivan!

    Mariana Beltrame

    fevereiro 24, 2012 em 9:48 pm

    • Obrigado, Mariana. Essa é uma coisa boa das fotografias, esse processo de separação entre nós e elas.
      Abraços

      Ivan de Almeida

      fevereiro 26, 2012 em 6:02 pm

  4. “Um dia era eu, agora é fotografia.” Putz, disse tudo, permita-me comentar, já que agora é uma coisa pública e a beleza da foto condiz perfeitamente com a beleza do seu poema.

    ceci pinheiro

    março 2, 2012 em 3:52 am

    • Obrigado, Ceci.

      A foto que ilustra o poemeto não foi a origem dele. Na verdade ele surgiu de ver fotos familiares minhas de anos atrás, embora essa foto que o ilustra também, pelos anos, já tenha perdido muito do sentimento de identidade e já a vejo quase como algo independente.

      Abraços

      Ivan de Almeida

      março 2, 2012 em 11:30 am


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 71 other followers